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	<title>Educação Clássica &#8211; Instituto Borborema</title>
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	<title>Educação Clássica &#8211; Instituto Borborema</title>
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		<title>Antes de comprar mais livros, encontre um professor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Jun 2024 20:28:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Existe uma ilusão de que uma montanha de livros e a sua leitura incontinente é suficiente para o desenvolvimento da inteligência. Acontece que, mais do que de livros, nós precisamos de um professor.]]></description>
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<p>Existe uma ilusão de que uma montanha de livros e a sua leitura incontinente é suficiente para o desenvolvimento da inteligência. Acontece que, mais do que de livros, nós precisamos de um professor.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="448" class="wp-image-53409" src="http://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor-1024x448.jpg" alt="" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor-1024x448.jpg 1024w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor-600x263.jpg 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor-300x131.jpg 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor-768x336.jpg 768w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor.jpg 1142w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />


<p>Nós já falamos tantas vezes em textos passados sobre a importância da literatura para o desenvolvimento da linguagem e da inteligência, que a um leitor mais alheio ao trabalho do Instituto Borborema, que não esteja tão familiarizado com a nossa proposta educacional, pode ter restado uma impressão falha acerca do assunto.</p>



<p>O sujeito pode acabar pensando:</p>



<p><em>“Se é assim, eu vou comprar o máximo de livros que o meu dinheiro permitir e que as minhas estantes puderem armazenar. Vou ler, ler e ler, até ficar inteligente.”</em></p>



<p>Somando a essa impressão a infestação de intelectuais nas redes sociais com suas paredes cheias de livros, as recomendações de leituras que fazem diariamente e uma espécie de fetiche literário que tem tomado cada vez mais pessoas nestes tempos, ele se vê justificado.</p>



<p>Daí, pode ser que logo esteja pedindo indicações de autores, gêneros, temas, dos mais variados e mais desconexos, montando listas, pesquisando técnicas de memorização… lendo tudo e acreditando estar tornando-se cada vez mais inteligente.</p>



<p>Não, não siga por esse caminho. Você pode acabar como apenas mais um no grupo dos “amantes de livros”, enganado pela ilusão de estar fazendo um bem tremendo à sua inteligência ao devorar, como um glutão, alimentos que sequer tem condições de digerir.</p>



<p>Precisamente a esse grupo o Padre Sertillanges já advertia, em seu <em>A vida intelectual:</em></p>



<p><em>“O que proscrevo é a paixão de ler, a compulsão, a intoxicação pelo excesso de alimento espiritual, a preguiça disfarçada que prefere o convívio fácil ao esforço. </em></p>



<p><em>A ‘paixão’ pela leitura, que muitos honram como uma preciosa qualidade intelectual, é, na verdade, uma tara. A leitura desordenada entorpece o espírito, não o alimenta, torna-o pouco a pouco incapaz de reflexão e concentração e, por conseguinte, de produção [&#8230;].”</em></p>



<p>Essa ânsia pela leitura, se não é orientada, ordenada, se carece de um preparado e um guiamento adequado, de nada serve à inteligência, muito menos ao espírito. Na verdade, causa muito mais males do que o bem que se imagina.</p>



<p>Afinal, ainda que leia muito e prime pelos melhores escritos já produzidos pela humanidade, quem garante que você conseguirá decodificar adequadamente os termos e símbolos neles registrados? Quem garante que está suficientemente munido dos instrumentos essenciais para a plena compreensão do que lê?</p>



<p>Não fomos nós submetidos por anos a uma educação sócio-construtivista cujo maior mérito é o aleijamento da alma e das faculdades intelectivas?</p>



<p>Não deveríamos, portanto, considerar que também nós sofremos e carregamos os seus efeitos?</p>



<p>De que adiantam, então, as nossas montanhas de livros, se não buscarmos, antes de construí-las, curar nossa inteligência dessas feridas abertas e em decomposição, para que, enfim, consigamos escalá-las?</p>
<p>&nbsp;</p>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />


<h2 class="wp-block-heading"><strong><em>É imprescindível a presença de uma pessoa que faça uma mediação da nossa relação com o livro quando não sabemos ler adequadamente.</em></strong></h2>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />


<p>&nbsp;</p>
<p>O título deste texto pode ter ecoado em sua mente como um mero <em>clickbait</em>, um artifício para forçar você a esta leitura. Mas o que buscávamos com ele era transmitir uma necessidade que é real para a maioria absoluta dos brasileiros que passaram pela educação vigente e que estão inseridos em nossa cultura.</p>



<p>Porque, sim, antes de comprar e ler mais livros, talvez você precise encontrar um professor.</p>



<p>Então, se você está lendo este texto ansioso para voltar à aba ao lado e fechar o carrinho da sua nova remessa de livros, espere um pouco. Primeiro, tente investigar se não é essa a sua situação.</p>



<p>Algum leitor pode argumentar que até o professor Olavo de Carvalho, ainda nas primeiras aulas do Curso Online de Filosofia, dizia que seus alunos tinham de construir uma vasta biblioteca e ler tudo o que pudessem ter acesso da literatura ficcional, do teatro grego etc.</p>



<p>Acontece que a sua exortação partia da consciência do poder que a literatura tem como instrumento para o aperfeiçoamento da linguagem, e também do que um <a href="https://institutoborborema.com/2024/05/09/a-suspensao-do-juizo-moral-aprendendo-a-ler-literatura-com-o-estrangeiro-de-albert-camus/"><mark class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color" style="background-color: rgba(0, 0, 0, 0);">livro representa na cultura</mark></a>, por não estar, ao menos o bom livro, adstrito às contingências do tempo.</p>



<p>Afinal, a habilidade de fugir da platitude, da literalidade da linguagem corrente ou do discurso político e ideológico é um dos meios mais essenciais que os artistas, por meio da literatura, têm para elevar a língua e a cultura até possibilidades de expressão que não poderiam ser alcançadas de outra forma.</p>



<p>Mas o mesmo Professor Olavo, anos mais tarde, reconheceu ter cometido um erro de cálculo, tendo julgado que seus alunos estariam em um nível superior àquele em que realmente se encontravam, ou seja, que eles ainda não teriam sido tão afetados pela deterioração cultural e educacional em curso há tantas décadas.</p>



<p>Nós já cansamos de falar e de ter experiências que comprovam, dia após dia, que as pessoas estão realmente incapacitadas para a leitura. Afinal de contas, são muitos e muitos anos de toda essa degradação.</p>



<p>Querendo ou não, toda a nossa cultura presente nos impõe uma série voraz e bárbara de dissonâncias cognitivas e de confusões simbólicas que nos deixaram completamente desorientados, pois a nossa linguagem foi anulada e, assim, a nossa inteligência foi deformada.</p>



<p>Não à toa, a <a href="https://institutoborborema.com/formacao-classica-do-ib-assinatura/?gad_source=1&amp;gclid=Cj0KCQjw0ruyBhDuARIsANSZ3wqv3dmN2SK-wtp0AA2QoA-ihIWuP6sqstCt4HQQfikPlIpk_tCDDZMaAhbREALw_wcB"><mark class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color" style="background-color: rgba(0, 0, 0, 0);">Formação Clássica do IB</mark></a> trabalha especialmente sobre a nossa relação com a linguagem. E isso parte da consciência de que nós perdemos a noção do uso da linguagem, seja no dia a dia, nos seus contextos mais vulgares, seja no que se refere a ela em seu registro mais elevado e exigente, como encontramos na alta literatura.</p>



<p>Acontece que quando falamos sobre isso, alguns podem ver apenas um discurso retórico que visa a venda do que oferecemos. É como se estivéssemos tentando vender uma idéia infundada de que as pessoas têm um problema e que somos nós os possuidores da solução.</p>



<p>Mas, creia ou não, isso é uma descrição objetiva de um dado real, atual e imediato.</p>



<p>Como, numa situação como a nossa, depois de passar uma vida inteira tendo nossas potências mais singulares silenciadas, soterradas sob camadas e mais camadas de enganos e ilusões, nós seríamos capazes, por força própria, de preencher as lacunas da nossa inteligência, da nossa própria alma, e levá-las à plenitude?</p>



<p>Assim, como disse o Professor Caio Perozzo, na live <a href="https://www.youtube.com/watch?v=NKYfYbiZtSs" target="_blank" rel="noopener"><em><mark class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color" style="background-color: rgba(0, 0, 0, 0);">Uma montanha de livros para alpinistas aleijados</mark></em></a>, como nós poderíamos escalar a montanha de livros e, de lá, contemplar tudo o que há embaixo e ver a vida humana desde um ponto de vista mais sublime e mais alto? Afinal, esses alpinistas são, de fato, aleijados.</p>



<p>Ainda que tenhamos os melhores livros, os melhores escritos e autores, quantos são os leitores capazes de ler efetivamente?</p>



<p>Por isso, dizemos que, não, não é possível desenvolver a inteligência e se educar por meio de livros. A educação depende — sempre e sempre — de um professor.</p>



<p>É imprescindível a presença de uma pessoa que faça uma mediação da nossa relação com o texto quando não sabemos ler adequadamente. E é dessa mediação que conseguiremos extrair os instrumentos para que depois, finalmente, consigamos fazer uma leitura autônoma.</p>



<p>De outro modo, a leitura de livros e obras da literatura será um alimento não para o desenvolvimento da inteligência, mas para a satisfação daquele fetiche que condenava Sertillanges.</p>



<p>O problema é que muitos são cegados por uma vaidade que não lhes permite reconhecer que não sabem ler devidamente e que precisam de alguém para ajudá-los.</p>



<p>Em relação a esses, resta-nos a esperança de que venham a ser libertados de sua cegueira. E isso confirma, mais uma vez, que o nosso trabalho e de alguns outros que seguem no cumprimento de igual missão precisa continuar. </p>
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		<title>Sim, você precisa estudar latim</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Jun 2024 20:42:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O estudo do latim é talvez o elemento da pedagogia clássica mais negligenciado e o que mais enfrenta descrença no nosso meio cultural. Mas ele é essencial para o desenvolvimento da sua inteligência; e nós explicaremos por quê.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O estudo do latim é talvez o elemento da pedagogia clássica mais negligenciado e o que mais enfrenta descrença no nosso meio cultural. Mas ele é essencial para o desenvolvimento da sua inteligência; e nós explicaremos por quê.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="886" height="646" src="http://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/Imagem1.png" alt="Latim - Eneida" class="wp-image-53098" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/Imagem1.png 886w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/Imagem1-600x437.png 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/Imagem1-300x219.png 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/Imagem1-768x560.png 768w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /></figure>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p></p>



<p>Dentre os elementos constituintes da nossa proposta pedagógica, do modelo educacional que pregamos e pelo qual advogamos ao longo de todos esses anos de atuação pública do Instituto Borborema, aquele enfrenta mais resistência certamente é o latim.</p>



<p>É fato que cada vez mais pessoas têm sido despertadas para a realidade de privação intelectual à qual todos foram submetidos e para a importância de se buscar <a href="https://institutoborborema.com/2024/05/09/por-que-seu-filho-deve-ler-literatura-paga/">um restabelecimento da inteligência por meio de boas obras da literatura</a>.&nbsp;</p>



<p>Mas, quando se propõe a leitura de boas obras de literatura escritas em língua latina e o estudo aprofundado desse mesmo idioma, não se costuma observar mais do que desprezo e até certa aversão.</p>



<p>Para muitos, essa proposta não passa de um intento saudosista de mentes aficionadas por uma tradição já superada, inconformadas com o progresso cultural e intelectual — pura vaidade intelectual, acreditam.</p>



<p>Outros até percebem algum valor nisso, mas julgam ser um fardo muito pesado para si e não estão dispostos a carregá-lo ou se julgam incapazes de fazê-lo. Afinal, o processo é realmente árduo e exige esforço, doação e sacrifício, o que é de se esperar em relação a um bem verdadeiramente elevado.</p>



<p>Acontece que o estudo do latim é, sim, um instrumento essencial — o mais essencial, diríamos — para o pleno desenvolvimento das capacidades intelectivas de todo e qualquer indivíduo nascido em uma sociedade ocidental filha de uma tradição que tem a língua latina em sua raiz.</p>



<p>Dito de outro modo, se você deseja alcançar a verdadeira inteligência, não tem jeito: você precisa estudar latim. Inúmeras são as razões que o justificam. Vejamos algumas.</p>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<h2 class="wp-block-heading"><strong><em>O latim é especialmente adequado para treinar e dar forma à nossa inteligência…</em></strong></h2>
</blockquote>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p></p>



<p class="has-text-align-left">A primeira delas nasce do fato de que a inteligência humana é eminentemente discursiva, isto é, ela não tem a capacidade de captar e compreender, de maneira intuitiva, imediata e profunda, todos os aspectos da realidade concreta. </p>



<p>Portanto, para aprofundar-se nesta mesma realidade, ela o faz por meio do discurso: a partir de elementos e verdades já captados, ela extrai informações, relacionando-as com aquilo que ainda não foi captado. E para que se possa fazer isso, é preciso que você seja capaz de comparar essas informações e, mais importante, de reter aquelas que já foram compreendidas.&nbsp;</p>



<p>Ou seja: a inteligência capta uma verdade e a inclina em direção a outra por meio de raciocínios, de modo que, de uma verdade captada para outra, seja construída uma cadeia de raciocínios. Agora, para construir essa cadeia de raciocínios, nós precisamos nos lembrar daquilo que está na base, fixar os pontos que hão de sustentar toda a cadeia.</p>



<p>Daí que a inteligência em muito se beneficie do estudo racional da linguagem por meio de textos — e aqui entra o latim.&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cWbl_BlK0Es" target="_blank" rel="noopener">Em um dos vídeos do nosso canal no YouTube</a>, o professor Fábio Florence defendeu que o latim, em sua forma mais desenvolvida, é um idioma muitíssimo bem estruturado e articulado e que prima pelo uso de períodos gramaticais longos. E, para a compreensão de períodos gramaticais longos, você precisa, além de fazer a análise sintática dos termos, reter as informações apresentadas para, chegando ao final do período, lembrar-se do que foi dito no começo.</p>



<p>Então, por possuir essa articulação muito profunda entre os termos dispostos no texto, o estudo do latim é especialmente adequado para treinar e dar forma à nossa inteligência, pois nos força ao movimento discursivo — a linguagem dá forma à inteligência.</p>



<p><em>“Certo… Mas precisa mesmo ser o latim?”</em>, algum leitor pode se questionar.</p>



<p><em>“Se o sujeito precisa de um instrumento para desenvolver sua capacidade discursiva e, assim, a sua inteligência, por que não simplesmente fazê-lo por meio de obras em língua portuguesa bem estruturadas e que contenham muitos períodos longos?</em>”&nbsp;</p>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><em>&#8230;não dá margem para compreensões superficiais ou subjetivismos…</em></strong></h2>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p></p>



<p>É aqui que entra o segundo motivo para que estudemos o Latim — e é algo muito simples: é muito útil fazer esse tipo de estudo a partir de uma língua estrangeira, pois isso evita qualquer comodidade que possamos ter em relação à nossa língua nativa.</p>



<p>Nós já somos tão acostumados com o nosso próprio idioma e com a maneira pela qual as coisas são ditas e escritas que, naturalmente, nossa atenção tende a ignorar detalhes por vezes essenciais. Já, no contato com uma língua estranha, somos obrigados a dar atenção a todos os elementos apresentados, tendo de empreender um trabalho, digamos, mais analítico, racional.</p>



<p>Como disse o professor Felipe Assis, na <em>live </em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iN4YahaWrEw&amp;t=4642s" target="_blank" rel="noopener"><em>Por que estudar latim</em></a>, a não familiaridade com a língua, obriga o estudante a lidar com os textos de forma mais racional e profunda, e não de uma maneira intuitiva e superficial que, conquanto seja útil para a vida cotidiana, muito limita o desenvolvimento da inteligência.&nbsp;</p>



<p>Veja, no estudo do português, nós começamos a perceber as estruturas racionais da língua, tanto na morfologia quanto na sintaxe, mas, invariavelmente, ficam elementos ainda escurecidos à nossa visão, os quais entendemos superficialmente, e, não poucas vezes, acabamos nos contentando com essa compreensão superficial, julgando-a suficiente.&nbsp;</p>



<p>Agora, com o latim, isso não é possível. Por sua própria estrutura, ele não dá margem para compreensões superficiais ou subjetivismos. Afinal, ele exige um trabalho tão singular que acaba por promover o desenvolvimento de uma verdadeira sensibilidade ou consciência linguística, isto é, a consciência da estrutura interna das frases, da construção e das partes do discurso.</p>



<p>Só que isso não é tudo. A algum leitor por ainda restar ao menos um questionamento:</p>



<p><em>“Mas, partindo desse princípio, isso não pode ser alcançado por meio de qualquer outro idioma estrangeiro?</em></p>



<p><em>Por que o meu entendimento acerca das partes do discurso, da construção periódica da língua e, portanto, do pensamento será mais robustecido estudando o latim e não outros idiomas?”</em></p>



<p>E mais:</p>



<p><em>“Se eu posso empreender esse mesmo estudo em um idioma que me seja útil, que eu possa utilizar para me comunicar com outras pessoas, por que fazer isso com essa, que, como dizem, é uma língua morta?”</em></p>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><em>…promove em nós uma significativa tomada de posse do nosso próprio idioma…</em></strong></h2>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p></p>



<p>Bem, apesar de todo o esquecimento programado a que nossa civilização foi submetida, ninguém pode esconder o fato de que essa é uma língua que faz parte de uma tradição da qual todos somos filhos.&nbsp;</p>



<p>A tradição intelectual e cultural do Ocidente, naquilo que ela tem de mais profundo e mais fundamental, está redigida e registrada em língua latina.</p>



<p>Por meio do seu estudo, temos acesso a inúmeras referências literárias e culturais que naturalmente têm um peso tremendo sobre a nossa cultura.&nbsp;</p>



<p>Além disso, por ser uma língua da qual a nossa foi originada, o latim promove em nós uma significativa tomada de posse do nosso próprio idioma, haja vista a morfologia e a etimologia das palavras no português que, em sua imensa, têm no latim sua origem.</p>



<p>Quando você incrementa o seu vocabulário do português a partir da consciência de que muitas daquelas palavras vieram do latim, você está acessando todo um tesouro de significados e relações que estão ligados à nossa tradição, à nossa língua-mãe e a todos os grandes homens do passado que dela alimentaram-se e dela fizeram uso para nos comunicar tudo aquilo que apreenderam da realidade.</p>



<p>Portanto, o estudo do latim não é somente essencial para o pleno desenvolvimento da inteligência, mas também para o integral e verdadeiro desenvolvimento humano de todo e qualquer indivíduo herdeiro dessa riquíssima tradição.</p>
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