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	<title>Sem Categoria &#8211; Instituto Borborema</title>
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	<title>Sem Categoria &#8211; Instituto Borborema</title>
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		<title>O que significa o fim dos tempos?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hilton de Albuquerque]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Aug 2024 21:44:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A simples menção ao fim dos tempos é suficiente para levar muitas pessoas à exasperação e ao desespero. Para os mais descrentes, isso não passa de uma ilusão; para os mais exasperados, o fim está próximo e os sinais são abundantes. Mas, afinal, o que significa o fim de tudo?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A simples menção ao fim dos tempos é suficiente para levar muitas pessoas à exasperação e ao desespero. Para os mais descrentes, isso não passa de uma ilusão; para os mais exasperados, o fim está próximo e os sinais são abundantes. Mas, afinal, o que significa o fim de tudo?</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone wp-image-53423" src="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-3-1024x360.png" alt="Fim dos tempos. Cavaleiros do Apocalipse." width="1024" height="360" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-3-1024x360.png 1024w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-3-600x211.png 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-3-300x106.png 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-3-768x270.png 768w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-3-1536x540.png 1536w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-3.png 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>


<hr />


<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<p style="padding-left: 80px;"><em>“O fim de todas as coisas está próximo. Sede, portanto, prudentes e vigiai na oração.”</em> </p>
<p style="padding-left: 80px;">(1 Pd. 4, 7)</p>
</blockquote>





<p>&nbsp;</p>
<p>O mundo vai acabar um dia? Haverá mesmo um fim dos tempos? Ele está próximo?</p>
<p>

</p>
<p>Avisos, sinais, profecias… Ao longo da história, as perguntas acima alimentaram inúmeras discussões e inspiraram todo tipo de interpretações.</p>
<p>

</p>
<p>Nos dias de hoje, esse parece ser um assunto que vem deixando as pessoas cada vez mais exasperadas e levando-as a perder precioso tempo em busca de sanar vãs curiosidades ou tratando das últimas do mundo como se fossem as notícias e fofocas mais quentes do momento. </p>
<p>

</p>
<p>Somando-se a isso as catástrofes naturais, as guerras, conflitos internacionais e o alarmismo científico, pronto: o desespero está completo. </p>
<p>

</p>
<p>Mas há fundamento nessas questões? O que significaria para nós o fim do mundo e dos tempos?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<figure class="wp-block-image">
<figure style="width: 1600px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" src="https://lh7-us.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXd64lF0XeOmQdCFucB3J1AwUfEpF1z7aIDh7QddpXJ5Od2m9tg2nCtk4_EwpYEMHrLUT3Ca6rgsgym2eiVp3BzjALycNn_jg8qEa4aw7D53zH0yHUZC-p8zKvseEQrRZAvfdoAudwY9b93ihSrhdBvYIQ4?key=GA6vg1nUmlRzesyT91LYeg" alt="Relógio do Juízo Final" width="1600" height="1140" /><figcaption class="wp-caption-text">“Doomsday clock” ou “relógio do juízo final”. Marcador criado por cientistas e atualizado anualmente para alertar sobre a proximidade do fim do mundo.</figcaption></figure>
</figure>
<p>

</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Observando as Sagradas Escrituras, os avisos do próprio Cristo de que o Seu Reino está próximo, as profecias dos justos do Antigo Testamento, as palavras dos santos doutores, as observações dos filósofos pagãos e até as crenças de outras religiões, é seguro considerar que, sim, este mundo e este tempo terão um término. </p>
<p>

</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p>

</p>
<blockquote>
<h2><strong>…o mundo teve sua manhã fresca, terá sua tarde abrasiva, seu início de noite e, enfim, também encontrará as trevas.</strong></h2>
</blockquote>
<p>

</p>
<hr />
<p>

</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A natureza, em razão da estabilidade de seus ciclos, engana os olhos mais desatentos com uma ilusão de ininterruptibilidade: o dia sempre nasce com o sol da manhã incendiando os céus de pureza e frescor; ao meio dia, o céu torna-se forte e abrasivo; depois, a luz vai caminhando para o seu ocaso até à noite, que nos absorve em plenas trevas. E tudo recomeça com uma nova aurora.</p>
<p>

</p>
<p>Nas estações do ano, uma permanece seguindo a outra continuamente: todo outono sucede um verão e inexoravelmente encontra seu inverno. O mundo segue girando, os anos passam, e a nós nada parece que vai acabar.  </p>
<p>

</p>
<p>Contudo, quando observamos bem a realidade que nos circunda para além dos ciclos ininterruptos, não temos dificuldade em perceber que todas as coisas no mundo material tendem a surgir, crescer, desenvolver-se, degenerar-se e morrer.</p>
<p>

</p>
<p>Ainda assim, o mundo continua. Vemos o tempo corroer tudo, as gerações passarem, mas o mundo permanece inteiro, dando-nos a impressão de que ele nunca terá fim.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<figure class="wp-block-image">
<figure style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="https://lh7-us.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXc86r95GjXEPzMlCWsVXSktSGY3oUi5fuWyCf6Pmu9y0Krb5uK6o1_bQiBejZu6TT2Sv0DCRcrRmZKcFye5OUF62b05Qg5csZVnO3rO78BjEF0bDt1CzKFfMJDHI09ksp6bx4KuPW1jNUK8vxD2OpHNRkrc?key=GA6vg1nUmlRzesyT91LYeg" alt="O fim do mundo, no filme 2012" width="1600" height="900" /><figcaption class="wp-caption-text">Cena do filme 2012, Roland Emmerich (2009)</figcaption></figure>
</figure>
<p>

</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<p>Mas, ora, se o mundo é parte da natureza e nela tudo encontra seu desfecho, faz todo sentido pensar que ele, de igual modo, teve a sua manhã fresca, terá sua tarde abrasiva, seu início de noite e, enfim, também encontrará as trevas. </p>
<p>

</p>
<p>Portanto, sim, o mundo e os tempos têm um término. </p>
<p>

</p>
<p>Só que ainda mais evidente e certo do que o fim do mundo e de todas as coisas, que não nos é dado a conhecer plenamente, é o encerramento daquele bem que nos é mais importante e caro: a nossa própria vida. </p>
<p>

</p>
<p>A nossa existência como conhecemos, humana e individual, vai acabar — e vai acabar neste mundo.</p>
<p>

</p>
<p>Mesmo que não vivamos o suficiente para contemplar fisicamente o mundo em seu último ato, o fechar das cortinas de toda a existência natural, a visão do nosso próprio desfecho não nos será furtada.</p>
<p>

</p>
<p>Esse fim, sim, é certo, próximo e iminente.</p>
<p>

</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p>

</p>
<blockquote>
<h2><strong>…o nosso mundo e o nosso tempo têm uma finalidade, um propósito a realizar.</strong></h2>
</blockquote>
<p>

</p>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<p>Além disso, em se tratando de assuntos escatológicos, a maioria das pessoas tende a restringi-los, associá-los a eventos portentosos, considerando imageticamente apenas o término, o encerramento, a conclusão do mundo como conhecemos.</p>
<p>

</p>
<p>O fim do mundo ou dos tempos pode ter, sim, essa acepção de término, no sentido que esta existência um dia será finalizada. Como já dissemos aqui e também como os professores Caio Perozzo e Raphael Tonon demonstraram na live <a href="https://www.youtube.com/watch?v=6n_7GMgKC7g&amp;t=3094s" target="_blank" rel="noopener"><em>Estamos próximos do fim dos tempos?</em></a>, essa não é uma coisa nada absurda e deve, de fato, ser tomada como verdadeira.</p>
<p>

</p>
<p>No entanto, o que se costuma ignorar é que a palavra <em>fim</em> não compreende somente o desfecho de algo, mas também a sua finalidade.</p>
<p>

</p>
<p>Daí que, quando falamos em <em>fim do mundo</em>, devemos considerar não só que ele há se extinguir-se algum dia, seja próximo ou não, mas também que ele tem uma finalidade, um propósito a cumprir.</p>
<p>

</p>
<p>E, talvez, ele já esteja de fato se encaminhando para alcançá-lo.</p>
<p>

</p>
<p>Por conseqüência, esta vida tem também uma finalidade própria.  E o limite cronológico do mundo natural e também o da nossa vida particular nos apontam que temos um tempo limitado para que a nossa individualidade, a nossa personalidade, nossa alma entre em sintonia com essa mesma finalidade. </p>
<p>

</p>
<p>Todos temos uma vocação geral à perfeição; ao mesmo tempo, cada indivíduo possui um chamado específico e, em função dele, um modo particular de alcançar essa tal perfeição. </p>
<p>

</p>
<p>Portanto, numa escala geral, o nosso mundo e o nosso tempo têm uma finalidade, um propósito a realizar. E, na escala humana individual, também há um tempo para que cumpramos certa finalidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<figure class="wp-block-image">
<figure style="width: 1438px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://lh7-us.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXf9TdRV94_0pH8dneYvKrpRuxYDMIzmy0SOIIfCTXTLS38ik9oiXddsGSv2rIyQUFAJEIhskF5i3EpUQHUOoNKkKjJokGkHUwq-pxS4_ajNZo-POuyfsgnN76_Tcw6evDxV_YmrMxPm0IsKqKli16J6iucZ?key=GA6vg1nUmlRzesyT91LYeg" alt="O juízo final" width="1438" height="700" /><figcaption class="wp-caption-text">O Juízo Final, de Fra Angelico. Basilica di San Marco, Florença, Itália.</figcaption></figure>
</figure>
<p>

</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<p>No Evangelho de São Mateus (24, 42-44), a respeito de Sua última vinda, vemos Nosso Senhor dizer:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<blockquote>
<p style="padding-left: 80px;"><em>“Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor. Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes.”</em></p>
<p>&nbsp;</p>
</blockquote>
<p>

</p>
<p>Essa e tantas outras passagens das Escrituras, bem como os ensinamentos dos santos doutores, deveriam nos mostrar que o Cristo, Senhor de todas as coisas, nos apontou sobre o fim dos tempos tudo aquilo que julgou útil para que pudéssemos encontrar a nossa própria finalidade neste mundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<hr />
<p>

</p>
<blockquote>
<h2><strong>Este é o verdadeiro fim dos tempos, do mundo e da nossa vida…</strong></h2>
</blockquote>
<p>

</p>
<hr />
<p>

</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não é à toa que, na <em>Salve Rainha</em>, nos referimos ao mundo como um exílio e um vale de lágrimas, pois esta existência é como um mar bravio no qual se perde e afunda o navio, e nós, como náufragos, estamos nela de passagem, em busca da Pátria definitiva. </p>
<p>

</p>
<p>E, se estamos aqui de passagem, não parece razoável ignorar que um dia tudo encontrará seu fim, porque, afinal, precisamos estar todos juntos novamente em algum momento.</p>
<p>

</p>
<p>Mas o que determinará aqueles que, entre todos os viventes, estarão real e definitivamente juntos, resgatados deste naufrágio, seguros na Pátria Celeste, não é o fim do mundo, e sim como cada um encontrou sua finalidade individual.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<blockquote>
<p style="padding-left: 80px;"><em>“Então, o Rei dirá aos que estão à direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo” </em>(Mt 25, 34).</p>
<p>&nbsp;</p>
</blockquote>
<p>

</p>
<p>Essas serão as palavras ouvidas por aqueles que vivem na graça, pela graça e com a graça e, tendo completado a carreira, encontrarão, por fim, o prêmio da bem-aventurança.</p>
<p>

</p>
<p>Eis aí a finalidade deste exílio, deste vale de lágrimas. Este é o fim último do mundo, dos tempos e da nossa vida — humana e individual. </p>
<p>

</p>
<p>Se tememos, se nos aterrorizamos ante a idéia do término de tudo, é sinal de que, no interior do nosso coração, há uma sede por algo que está para além deste desterro. Daí que<a href="https://institutoborborema.com/2024/05/07/tempo-e-dinheiro-a-moeda-que-se-pode-trocar-pela-eternidade/"> o tempo seja disposto ao nosso usufruto como uma moeda para que possamos “trocar” pela eternidade</a>.</p>
<p>

</p>
<p>Por isso, é benfazejo que o mundo e o tempo realmente encontrem seu término e que tudo seja abraçado pela eternidade, porque só ali, aquela sede poderá ser saciada.</p>
<p>

</p>
<p>Não devemos, contudo, esperar sinais portentosos, cataclismas ou destruições em massa, pois o desfecho que nos é mais iminente chegará sem aviso.</p>
<p>

</p>
<p>Precisaremos estar prontos <em>“para que, vindo de repente, ele não nos encontre dormindo” </em>(Mc 13, 36). </p>
<p>E isso implica, evidentemente, em dedicar-se diariamente ao verdadeiro desenvolvimento do organismo sobrenatural, para que a alma esteja cada vez mais conforme ao seu fim último; mas, além disso, em conhecer os inimigos que apresentam-se como obstáculos ao pleno desenvolvimento do espírito, para não deixar-se seduzir pelos falsos caminhos que oferecem.</p>
<p>Tais inimigos agem por diversos meios e a partir de diversos lugares, inclusive, desde dentro da própria Igreja, se utilizando de sua estrutura para fazer perder as almas. E nós devemos saber como agir para combatê-los, sem nos deixarmos desviar.</p>
<p><strong>Precisamente por esse motivo, lançamos um curso inédito sobre a crise na Igreja, ministrado pelos professores Mateus Mota Lima e Caio Perozzo, apresentando uma análise prudencial para iluminar nossas ações e decisões nestes tempos difíceis.</strong></p>
<p><strong>E você pode assistir gratuitamente à gravação da aula inaugural do curso, em nosso canal do YouTube. Basta clicar no link abaixo:</strong></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=prVlf-odNJ4&amp;t=38s" target="_blank" rel="noopener"><span style="color: #0000ff;"><strong>ASSISTA À AULA GRATUITA</strong></span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p></p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Antes de comprar mais livros, encontre um professor</title>
		<link>https://institutoborborema.com/2024/06/20/antes-de-comprar-livros-encontre-um-professor/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Jun 2024 20:28:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem Categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Educação Clássica]]></category>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Vida intelectual]]></category>
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					<description><![CDATA[Existe uma ilusão de que uma montanha de livros e a sua leitura incontinente é suficiente para o desenvolvimento da inteligência. Acontece que, mais do que de livros, nós precisamos de um professor.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Existe uma ilusão de que uma montanha de livros e a sua leitura incontinente é suficiente para o desenvolvimento da inteligência. Acontece que, mais do que de livros, nós precisamos de um professor.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="448" class="wp-image-53409" src="http://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor-1024x448.jpg" alt="" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor-1024x448.jpg 1024w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor-600x263.jpg 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor-300x131.jpg 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor-768x336.jpg 768w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor.jpg 1142w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />


<p>Nós já falamos tantas vezes em textos passados sobre a importância da literatura para o desenvolvimento da linguagem e da inteligência, que a um leitor mais alheio ao trabalho do Instituto Borborema, que não esteja tão familiarizado com a nossa proposta educacional, pode ter restado uma impressão falha acerca do assunto.</p>



<p>O sujeito pode acabar pensando:</p>



<p><em>“Se é assim, eu vou comprar o máximo de livros que o meu dinheiro permitir e que as minhas estantes puderem armazenar. Vou ler, ler e ler, até ficar inteligente.”</em></p>



<p>Somando a essa impressão a infestação de intelectuais nas redes sociais com suas paredes cheias de livros, as recomendações de leituras que fazem diariamente e uma espécie de fetiche literário que tem tomado cada vez mais pessoas nestes tempos, ele se vê justificado.</p>



<p>Daí, pode ser que logo esteja pedindo indicações de autores, gêneros, temas, dos mais variados e mais desconexos, montando listas, pesquisando técnicas de memorização… lendo tudo e acreditando estar tornando-se cada vez mais inteligente.</p>



<p>Não, não siga por esse caminho. Você pode acabar como apenas mais um no grupo dos “amantes de livros”, enganado pela ilusão de estar fazendo um bem tremendo à sua inteligência ao devorar, como um glutão, alimentos que sequer tem condições de digerir.</p>



<p>Precisamente a esse grupo o Padre Sertillanges já advertia, em seu <em>A vida intelectual:</em></p>



<p><em>“O que proscrevo é a paixão de ler, a compulsão, a intoxicação pelo excesso de alimento espiritual, a preguiça disfarçada que prefere o convívio fácil ao esforço. </em></p>



<p><em>A ‘paixão’ pela leitura, que muitos honram como uma preciosa qualidade intelectual, é, na verdade, uma tara. A leitura desordenada entorpece o espírito, não o alimenta, torna-o pouco a pouco incapaz de reflexão e concentração e, por conseguinte, de produção [&#8230;].”</em></p>



<p>Essa ânsia pela leitura, se não é orientada, ordenada, se carece de um preparado e um guiamento adequado, de nada serve à inteligência, muito menos ao espírito. Na verdade, causa muito mais males do que o bem que se imagina.</p>



<p>Afinal, ainda que leia muito e prime pelos melhores escritos já produzidos pela humanidade, quem garante que você conseguirá decodificar adequadamente os termos e símbolos neles registrados? Quem garante que está suficientemente munido dos instrumentos essenciais para a plena compreensão do que lê?</p>



<p>Não fomos nós submetidos por anos a uma educação sócio-construtivista cujo maior mérito é o aleijamento da alma e das faculdades intelectivas?</p>



<p>Não deveríamos, portanto, considerar que também nós sofremos e carregamos os seus efeitos?</p>



<p>De que adiantam, então, as nossas montanhas de livros, se não buscarmos, antes de construí-las, curar nossa inteligência dessas feridas abertas e em decomposição, para que, enfim, consigamos escalá-las?</p>
<p>&nbsp;</p>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />


<h2 class="wp-block-heading"><strong><em>É imprescindível a presença de uma pessoa que faça uma mediação da nossa relação com o livro quando não sabemos ler adequadamente.</em></strong></h2>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />


<p>&nbsp;</p>
<p>O título deste texto pode ter ecoado em sua mente como um mero <em>clickbait</em>, um artifício para forçar você a esta leitura. Mas o que buscávamos com ele era transmitir uma necessidade que é real para a maioria absoluta dos brasileiros que passaram pela educação vigente e que estão inseridos em nossa cultura.</p>



<p>Porque, sim, antes de comprar e ler mais livros, talvez você precise encontrar um professor.</p>



<p>Então, se você está lendo este texto ansioso para voltar à aba ao lado e fechar o carrinho da sua nova remessa de livros, espere um pouco. Primeiro, tente investigar se não é essa a sua situação.</p>



<p>Algum leitor pode argumentar que até o professor Olavo de Carvalho, ainda nas primeiras aulas do Curso Online de Filosofia, dizia que seus alunos tinham de construir uma vasta biblioteca e ler tudo o que pudessem ter acesso da literatura ficcional, do teatro grego etc.</p>



<p>Acontece que a sua exortação partia da consciência do poder que a literatura tem como instrumento para o aperfeiçoamento da linguagem, e também do que um <a href="https://institutoborborema.com/2024/05/09/a-suspensao-do-juizo-moral-aprendendo-a-ler-literatura-com-o-estrangeiro-de-albert-camus/"><mark class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color" style="background-color: rgba(0, 0, 0, 0);">livro representa na cultura</mark></a>, por não estar, ao menos o bom livro, adstrito às contingências do tempo.</p>



<p>Afinal, a habilidade de fugir da platitude, da literalidade da linguagem corrente ou do discurso político e ideológico é um dos meios mais essenciais que os artistas, por meio da literatura, têm para elevar a língua e a cultura até possibilidades de expressão que não poderiam ser alcançadas de outra forma.</p>



<p>Mas o mesmo Professor Olavo, anos mais tarde, reconheceu ter cometido um erro de cálculo, tendo julgado que seus alunos estariam em um nível superior àquele em que realmente se encontravam, ou seja, que eles ainda não teriam sido tão afetados pela deterioração cultural e educacional em curso há tantas décadas.</p>



<p>Nós já cansamos de falar e de ter experiências que comprovam, dia após dia, que as pessoas estão realmente incapacitadas para a leitura. Afinal de contas, são muitos e muitos anos de toda essa degradação.</p>



<p>Querendo ou não, toda a nossa cultura presente nos impõe uma série voraz e bárbara de dissonâncias cognitivas e de confusões simbólicas que nos deixaram completamente desorientados, pois a nossa linguagem foi anulada e, assim, a nossa inteligência foi deformada.</p>



<p>Não à toa, a <a href="https://institutoborborema.com/formacao-classica-do-ib-assinatura/?gad_source=1&amp;gclid=Cj0KCQjw0ruyBhDuARIsANSZ3wqv3dmN2SK-wtp0AA2QoA-ihIWuP6sqstCt4HQQfikPlIpk_tCDDZMaAhbREALw_wcB"><mark class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color" style="background-color: rgba(0, 0, 0, 0);">Formação Clássica do IB</mark></a> trabalha especialmente sobre a nossa relação com a linguagem. E isso parte da consciência de que nós perdemos a noção do uso da linguagem, seja no dia a dia, nos seus contextos mais vulgares, seja no que se refere a ela em seu registro mais elevado e exigente, como encontramos na alta literatura.</p>



<p>Acontece que quando falamos sobre isso, alguns podem ver apenas um discurso retórico que visa a venda do que oferecemos. É como se estivéssemos tentando vender uma idéia infundada de que as pessoas têm um problema e que somos nós os possuidores da solução.</p>



<p>Mas, creia ou não, isso é uma descrição objetiva de um dado real, atual e imediato.</p>



<p>Como, numa situação como a nossa, depois de passar uma vida inteira tendo nossas potências mais singulares silenciadas, soterradas sob camadas e mais camadas de enganos e ilusões, nós seríamos capazes, por força própria, de preencher as lacunas da nossa inteligência, da nossa própria alma, e levá-las à plenitude?</p>



<p>Assim, como disse o Professor Caio Perozzo, na live <a href="https://www.youtube.com/watch?v=NKYfYbiZtSs" target="_blank" rel="noopener"><em><mark class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color" style="background-color: rgba(0, 0, 0, 0);">Uma montanha de livros para alpinistas aleijados</mark></em></a>, como nós poderíamos escalar a montanha de livros e, de lá, contemplar tudo o que há embaixo e ver a vida humana desde um ponto de vista mais sublime e mais alto? Afinal, esses alpinistas são, de fato, aleijados.</p>



<p>Ainda que tenhamos os melhores livros, os melhores escritos e autores, quantos são os leitores capazes de ler efetivamente?</p>



<p>Por isso, dizemos que, não, não é possível desenvolver a inteligência e se educar por meio de livros. A educação depende — sempre e sempre — de um professor.</p>



<p>É imprescindível a presença de uma pessoa que faça uma mediação da nossa relação com o texto quando não sabemos ler adequadamente. E é dessa mediação que conseguiremos extrair os instrumentos para que depois, finalmente, consigamos fazer uma leitura autônoma.</p>



<p>De outro modo, a leitura de livros e obras da literatura será um alimento não para o desenvolvimento da inteligência, mas para a satisfação daquele fetiche que condenava Sertillanges.</p>



<p>O problema é que muitos são cegados por uma vaidade que não lhes permite reconhecer que não sabem ler devidamente e que precisam de alguém para ajudá-los.</p>



<p>Em relação a esses, resta-nos a esperança de que venham a ser libertados de sua cegueira. E isso confirma, mais uma vez, que o nosso trabalho e de alguns outros que seguem no cumprimento de igual missão precisa continuar. </p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Sim, você precisa estudar latim</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Jun 2024 20:42:40 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Educação Clássica]]></category>
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		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Instituto Borborema]]></category>
		<category><![CDATA[Latim]]></category>
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					<description><![CDATA[O estudo do latim é talvez o elemento da pedagogia clássica mais negligenciado e o que mais enfrenta descrença no nosso meio cultural. Mas ele é essencial para o desenvolvimento da sua inteligência; e nós explicaremos por quê.]]></description>
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<p>O estudo do latim é talvez o elemento da pedagogia clássica mais negligenciado e o que mais enfrenta descrença no nosso meio cultural. Mas ele é essencial para o desenvolvimento da sua inteligência; e nós explicaremos por quê.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="886" height="646" src="http://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/Imagem1.png" alt="Latim - Eneida" class="wp-image-53098" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/Imagem1.png 886w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/Imagem1-600x437.png 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/Imagem1-300x219.png 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/Imagem1-768x560.png 768w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /></figure>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p></p>



<p>Dentre os elementos constituintes da nossa proposta pedagógica, do modelo educacional que pregamos e pelo qual advogamos ao longo de todos esses anos de atuação pública do Instituto Borborema, aquele enfrenta mais resistência certamente é o latim.</p>



<p>É fato que cada vez mais pessoas têm sido despertadas para a realidade de privação intelectual à qual todos foram submetidos e para a importância de se buscar <a href="https://institutoborborema.com/2024/05/09/por-que-seu-filho-deve-ler-literatura-paga/">um restabelecimento da inteligência por meio de boas obras da literatura</a>.&nbsp;</p>



<p>Mas, quando se propõe a leitura de boas obras de literatura escritas em língua latina e o estudo aprofundado desse mesmo idioma, não se costuma observar mais do que desprezo e até certa aversão.</p>



<p>Para muitos, essa proposta não passa de um intento saudosista de mentes aficionadas por uma tradição já superada, inconformadas com o progresso cultural e intelectual — pura vaidade intelectual, acreditam.</p>



<p>Outros até percebem algum valor nisso, mas julgam ser um fardo muito pesado para si e não estão dispostos a carregá-lo ou se julgam incapazes de fazê-lo. Afinal, o processo é realmente árduo e exige esforço, doação e sacrifício, o que é de se esperar em relação a um bem verdadeiramente elevado.</p>



<p>Acontece que o estudo do latim é, sim, um instrumento essencial — o mais essencial, diríamos — para o pleno desenvolvimento das capacidades intelectivas de todo e qualquer indivíduo nascido em uma sociedade ocidental filha de uma tradição que tem a língua latina em sua raiz.</p>



<p>Dito de outro modo, se você deseja alcançar a verdadeira inteligência, não tem jeito: você precisa estudar latim. Inúmeras são as razões que o justificam. Vejamos algumas.</p>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<h2 class="wp-block-heading"><strong><em>O latim é especialmente adequado para treinar e dar forma à nossa inteligência…</em></strong></h2>
</blockquote>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p></p>



<p class="has-text-align-left">A primeira delas nasce do fato de que a inteligência humana é eminentemente discursiva, isto é, ela não tem a capacidade de captar e compreender, de maneira intuitiva, imediata e profunda, todos os aspectos da realidade concreta. </p>



<p>Portanto, para aprofundar-se nesta mesma realidade, ela o faz por meio do discurso: a partir de elementos e verdades já captados, ela extrai informações, relacionando-as com aquilo que ainda não foi captado. E para que se possa fazer isso, é preciso que você seja capaz de comparar essas informações e, mais importante, de reter aquelas que já foram compreendidas.&nbsp;</p>



<p>Ou seja: a inteligência capta uma verdade e a inclina em direção a outra por meio de raciocínios, de modo que, de uma verdade captada para outra, seja construída uma cadeia de raciocínios. Agora, para construir essa cadeia de raciocínios, nós precisamos nos lembrar daquilo que está na base, fixar os pontos que hão de sustentar toda a cadeia.</p>



<p>Daí que a inteligência em muito se beneficie do estudo racional da linguagem por meio de textos — e aqui entra o latim.&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cWbl_BlK0Es" target="_blank" rel="noopener">Em um dos vídeos do nosso canal no YouTube</a>, o professor Fábio Florence defendeu que o latim, em sua forma mais desenvolvida, é um idioma muitíssimo bem estruturado e articulado e que prima pelo uso de períodos gramaticais longos. E, para a compreensão de períodos gramaticais longos, você precisa, além de fazer a análise sintática dos termos, reter as informações apresentadas para, chegando ao final do período, lembrar-se do que foi dito no começo.</p>



<p>Então, por possuir essa articulação muito profunda entre os termos dispostos no texto, o estudo do latim é especialmente adequado para treinar e dar forma à nossa inteligência, pois nos força ao movimento discursivo — a linguagem dá forma à inteligência.</p>



<p><em>“Certo… Mas precisa mesmo ser o latim?”</em>, algum leitor pode se questionar.</p>



<p><em>“Se o sujeito precisa de um instrumento para desenvolver sua capacidade discursiva e, assim, a sua inteligência, por que não simplesmente fazê-lo por meio de obras em língua portuguesa bem estruturadas e que contenham muitos períodos longos?</em>”&nbsp;</p>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><em>&#8230;não dá margem para compreensões superficiais ou subjetivismos…</em></strong></h2>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p></p>



<p>É aqui que entra o segundo motivo para que estudemos o Latim — e é algo muito simples: é muito útil fazer esse tipo de estudo a partir de uma língua estrangeira, pois isso evita qualquer comodidade que possamos ter em relação à nossa língua nativa.</p>



<p>Nós já somos tão acostumados com o nosso próprio idioma e com a maneira pela qual as coisas são ditas e escritas que, naturalmente, nossa atenção tende a ignorar detalhes por vezes essenciais. Já, no contato com uma língua estranha, somos obrigados a dar atenção a todos os elementos apresentados, tendo de empreender um trabalho, digamos, mais analítico, racional.</p>



<p>Como disse o professor Felipe Assis, na <em>live </em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iN4YahaWrEw&amp;t=4642s" target="_blank" rel="noopener"><em>Por que estudar latim</em></a>, a não familiaridade com a língua, obriga o estudante a lidar com os textos de forma mais racional e profunda, e não de uma maneira intuitiva e superficial que, conquanto seja útil para a vida cotidiana, muito limita o desenvolvimento da inteligência.&nbsp;</p>



<p>Veja, no estudo do português, nós começamos a perceber as estruturas racionais da língua, tanto na morfologia quanto na sintaxe, mas, invariavelmente, ficam elementos ainda escurecidos à nossa visão, os quais entendemos superficialmente, e, não poucas vezes, acabamos nos contentando com essa compreensão superficial, julgando-a suficiente.&nbsp;</p>



<p>Agora, com o latim, isso não é possível. Por sua própria estrutura, ele não dá margem para compreensões superficiais ou subjetivismos. Afinal, ele exige um trabalho tão singular que acaba por promover o desenvolvimento de uma verdadeira sensibilidade ou consciência linguística, isto é, a consciência da estrutura interna das frases, da construção e das partes do discurso.</p>



<p>Só que isso não é tudo. A algum leitor por ainda restar ao menos um questionamento:</p>



<p><em>“Mas, partindo desse princípio, isso não pode ser alcançado por meio de qualquer outro idioma estrangeiro?</em></p>



<p><em>Por que o meu entendimento acerca das partes do discurso, da construção periódica da língua e, portanto, do pensamento será mais robustecido estudando o latim e não outros idiomas?”</em></p>



<p>E mais:</p>



<p><em>“Se eu posso empreender esse mesmo estudo em um idioma que me seja útil, que eu possa utilizar para me comunicar com outras pessoas, por que fazer isso com essa, que, como dizem, é uma língua morta?”</em></p>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><em>…promove em nós uma significativa tomada de posse do nosso próprio idioma…</em></strong></h2>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p></p>



<p>Bem, apesar de todo o esquecimento programado a que nossa civilização foi submetida, ninguém pode esconder o fato de que essa é uma língua que faz parte de uma tradição da qual todos somos filhos.&nbsp;</p>



<p>A tradição intelectual e cultural do Ocidente, naquilo que ela tem de mais profundo e mais fundamental, está redigida e registrada em língua latina.</p>



<p>Por meio do seu estudo, temos acesso a inúmeras referências literárias e culturais que naturalmente têm um peso tremendo sobre a nossa cultura.&nbsp;</p>



<p>Além disso, por ser uma língua da qual a nossa foi originada, o latim promove em nós uma significativa tomada de posse do nosso próprio idioma, haja vista a morfologia e a etimologia das palavras no português que, em sua imensa, têm no latim sua origem.</p>



<p>Quando você incrementa o seu vocabulário do português a partir da consciência de que muitas daquelas palavras vieram do latim, você está acessando todo um tesouro de significados e relações que estão ligados à nossa tradição, à nossa língua-mãe e a todos os grandes homens do passado que dela alimentaram-se e dela fizeram uso para nos comunicar tudo aquilo que apreenderam da realidade.</p>



<p>Portanto, o estudo do latim não é somente essencial para o pleno desenvolvimento da inteligência, mas também para o integral e verdadeiro desenvolvimento humano de todo e qualquer indivíduo herdeiro dessa riquíssima tradição.</p>
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		<title>Hollywood: fábrica de sonhos ou de frustrações?</title>
		<link>https://institutoborborema.com/2024/06/06/hollywood-fabrica-de-frustracoes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Jun 2024 19:42:04 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema narrativo]]></category>
		<category><![CDATA[Hollywood]]></category>
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					<description><![CDATA[Hollywood foi a responsável por desenvolver uma linguagem cinematográfica com um poder imenso de sedução e fascínio. O que todos ignoram é que aquela que ficou conhecida como grande fábrica de sonhos é, na verdade, uma perversa fábrica de frustrações. __ “No futuro, todos serão mundialmente famosos por quinze minutos.” Essa frase, que apareceu pela [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Hollywood foi a responsável por desenvolver uma linguagem cinematográfica com um poder imenso de sedução e fascínio. O que todos ignoram é que aquela que ficou conhecida como <em>grande fábrica de sonhos</em> é, na verdade, uma perversa fábrica de frustrações.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lh7-us.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXf1RWTTkYr-wrQkdViGxKIoaZUKrVb1isG0_jsyAGGgzmX1aHe_KOLdolqFPXTBZOLcn7BnKZtA08ri6ZZINIKteG24F9OwdyM9xKBBIwnd5vb2pLuwmvfk_kpPupJglDAjKj-kyagMhPANfGu_j_LJUHR8?key=_DGDFp7U_iTKpkBrwTZeXw" alt="Hollywood: a grande fábrica de sonhos"/></figure>



<p>__</p>



<p><em>“No futuro, todos serão mundialmente famosos por quinze minutos.”</em></p>



<p>Essa frase, que apareceu pela primeira vez em 1968, no catálogo de uma exposição artística de Andy Warhol, diretor de cinema e um dos fundadores da arte pop, muito parece uma profecia do que viriam a ser os tempos correntes.&nbsp;</p>



<p>Numa época em que foram abandonados os ideais mais elevados e a mediocridade é incentivada e glamourizada, <strong>é natural que todos desejem ter sobre si os holofotes e os olhares do mundo, como grandes modelos de uma sociedade decadente</strong>.</p>



<p>Ainda que muitos digam que a frase não foi originalmente cunhada por Warhol, ela, em diversos sentidos, <a href="https://www.phillips.com/article/56095372/editions-andy-warhol-prints-15-minutes-of-fame-auction" target="_blank" rel="noopener"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">sintetiza toda a sua estética</mark></a>. Para ele, os critérios determinantes de valores e temas a serem apreciados pelas massas seriam, um dia, dissipados, de modo que todos poderiam gozar, ainda que brevemente, da fama, até aqueles que em nada fossem dignos dela.</p>



<p>Seja como for, encontramos aí uma previsão muito acertada da sociedade contemporânea, <strong>uma sociedade do espetáculo, na qual o valor de cada indivíduo é determinado pelo número de olhos voltados para si</strong>.</p>



<p>Hoje, muito culpamos o advento da internet e a massificação das redes sociais por essa espécie de anseio geral aos holofotes, que leva tantos a perseguirem o sonho de ser objeto de contemplação para os outros, e que produz estrelas — cujo brilho é vazio e efêmero — na mesma velocidade em que as devolve ao anonimato.</p>



<p>Mas a verdade é que esse fenômeno que vemos em curso só pôde tornar-se assim tão absoluto porque as pessoas e a sociedade já vinham, há muito, sendo preparadas para isso. <strong>E a sua origem pode ser encontrada um século atrás.</strong></p>



<p>Logo após o advento da montagem cinematográfica, que permitiu a ligação de cenas e planos de gravação, não demorou para nascer, nos Estados Unidos, a tradição narrativa do cinema, a partir da qual, no início do século XX se desenvolveu <strong>a indústria hollywoodiana</strong> — <strong>a grande responsável por engendrar e perpetuar a cultura midiática do espetáculo.</strong></p>



<p>Hollywood, que, desde os seus primórdios, recebeu o epíteto de a grande <em>fábrica de sonhos</em>, tão logo surgiu, <a href="https://institutoborborema.com/2024/06/04/o-cinema-esta-morto/"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">conseguiu desenvolver em seus filmes uma linguagem</mark></a> com uma sofisticação tal que surpreendeu até seus próprios produtores, pois demonstrava, já de início, um imenso poder de sedução e fascínio sobre os espectadores, através de certos mecanismos psicológicos que ela mostrou-se capaz de colocar em ação. </p>



<p>__</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><em>…é assim que Hollywood intensifica em sua plateia o desejo de contemplar e de ser quem não se é de fato.</em></strong></h2>



<p>__</p>



<p>Um exemplo disso é o mecanismo de identificação do espectador com o protagonista, sobre o qual projeta seus desejos e angústias. Ou você nunca percebeu que, mesmo quando o protagonista de uma narrativa hollywoodiana apresenta características de uma imoralidade digna de um vilão, a tendência é que você se identifique com ele, torça por ele, sofra quando ele sofre, e se alegre quando se alegra?</p>



<p>Outro mecanismo que está em execução desde os primórdios de Hollywood se utiliza do seu estrategicamente concebido <em>star system</em>, que induz o público a idealizar a figura e a vida dos atores de cinema e seus personagens, elevando-os a ídolos que devem ser cultuados.</p>



<p>Agora, esses e outros artifícios só podem ser operados assim eficientemente graças à própria experiência cinematográfica, da qual a indústria soube bem como se aproveitar. Muitos dos grandes críticos ao modelo narrativo hollywoodiano já apontaram os perigos de se colocar o espectador em um sala onde a escuridão é quase total, com apenas uma pequena fonte de luz ao fundo que projeta imagens sobre uma superfície bidimensional, com a ilusão de movimento e de tridimensionalidade.</p>



<p>Vê-se aí uma situação muito propícia para que ele se desligue de si mesmo e se projete psiquicamente para a vida de um outro que observa na tela, passando, assim, a idealizar e fetichizar aquelas figuras.</p>



<p><strong>Executando tais mecanismos ao longo do tempo, a </strong><strong><em>fábrica de sonhos</em></strong><strong> intensifica, com notável eficiência, em sua platéia o desejo de ver e de ser quem não se é de fato. </strong>Afinal, conforme se idealiza as grandes estrelas e seus personagens, não demora para que se comece a desejar ser como eles são: mais bonitos, felizes, realizados e perfeitos.&nbsp;</p>



<p>Assim, se constrói a sensação de que o mundo cinematográfico é melhor e mais sedutor do que a realidade; a realidade inferior ao cinema. <strong>A partir disso, nasce no espectador a frustração para com a sua experiência de vida verdadeira</strong>, porque vê nela todas as limitações, imperfeições, defeitos e frustrações que, durante aquele período em que está assistindo a um filme, observando seus objetos de desejo e idealização, imerso naquele mundo perfeito de fantasia, simplesmente não existem.</p>



<p>Não tarda, portanto, a surgir nele o anseio por tornar-se também um daqueles objetos de contemplação. Ele passa a querer se ver lá também, a fazer parte desse mundo aperfeiçoado da imagem, o mundo que não possui as imperfeições e insatisfações da sua própria vida.</p>



<p>Não é exatamente isso que observamos em nossa sociedade? Não vivemos nós numa cultura do espetáculo, em que vigora a idéia de que só é bom o que aparece, o que é objeto de olhares, e o que não é visto não tem valor?</p>



<p>Para o indivíduo cuja percepção foi moldada por esses mecanismos, se ele vive uma experiência real, mas em pleno anonimato, sem transformar pedaços dessa experiência em imagens que serão projetadas para a sua própria contemplação e para a contemplação dos outros, é como se isso não fosse tão real assim.&nbsp;</p>



<p>As coisas parecem ganhar o status de realidade nessa projeção imagética que é, na verdade, aquilo que drena toda a realidade delas, porque, afinal, como já se tornou imagem, não é mais realidade mesma, não é a vida.</p>



<p><strong>Daí que a realidade seja a fonte de frustração para os viventes dessa sociedade.</strong></p>



<p>Veja, nos primórdios do cinema, havia ainda uma fronteira muito clara e bem delineada entre o espetáculo, a representação, e a vida real. O entretenimento ocorria em intervalos delimitados da vida, cujo tecido ainda não estava tão permeado pela espetacularização. Sim, as pessoas iam ao cinema, passavam por aquela experiência de identificação e de projeção de si mesmas sobre os protagonistas, mas depois voltavam para a sua própria vida.</p>



<p>Acontece que a indústria hollywoodiana, ao criar o cinema do espetáculo, passou a se utilizar de suas narrativas para potencializar a artificialidade daquela experiência, tornando a fronteira entre a realidade e o espetáculo cada vez mais dissipada, e encerrando o público num mundo à parte, “aperfeiçoado”, que o distancia da contemplação da própria estrutura da realidade e provoca toda essa dissonância e frustração ante o real, que agora é rejeitado.</p>



<p><strong>E é assim que a </strong><strong><em>grande fábrica de sonhos</em></strong><strong>, da qual pode-se dizer que surgiu aquele sonho generalizado pela fama e pela objetificação, fabrica quase nada além de ilusões e frustrações.&nbsp;</strong></p>



<p>Por essa razão, nós, do Instituto Borborema, decidimos apresentar ao nosso público um <strong>cinema que em tudo se distancia da artificialidade e da ilusão hollywoodiana</strong>, e convidamos o professor Rômulo Cyríaco, que é teórico de cinema, para conduzir um evento <strong>online</strong><strong> </strong>e <strong>gratuito</strong> com os professores Caio Perozzo e Maurício Machado.</p>



<p>O evento foi chamado <strong><em>Como entender cinema</em></strong>, e você pode saber mais sobre ele e participar gratuitamente, fazendo sua inscrição através do link: <a href="https://institutoborborema.com/como-entender-o-cinema"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-red-color">Como entender o Cinema</mark></strong></a>.</p>
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		<title>Pai X Professor: O que você precisa fazer a respeito da educação do seu filho?</title>
		<link>https://institutoborborema.com/2024/05/09/pai-x-professor-o-que-voce-precisa-fazer-a-respeito-da-educacao-do-seu-filho/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 May 2024 22:39:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Vivemos numa sociedade burguesa na qual as pessoas preferem pagar por serviços para que nunca tenham de se preocupar com aquilo. Assim também acontece com a educação dos filhos.&#160; ___ Em um dos nossos textos mais recentes (Qual é a responsabilidade dos pais na educação dos filhos?) refletimos acerca da freqüentemente negligenciada missão educacional dos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p></p>



<p>Vivemos numa sociedade burguesa na qual as pessoas preferem pagar por serviços para que nunca tenham de se preocupar com aquilo. Assim também acontece com a educação dos filhos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-7-1024x683.png" alt="" class="wp-image-52582" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-7-1024x683.png 1024w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-7-600x400.png 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-7-300x200.png 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-7-768x512.png 768w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-7-360x240.png 360w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-7.png 1470w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>___</p>



<p>Em um dos nossos textos mais recentes (<a href="https://institutoborborema.com/2024/05/09/qual-e-a-responsabilidade-dos-pais-na-educacao-dos-filhos/" data-type="link" data-id="https://institutoborborema.com/2024/05/09/qual-e-a-responsabilidade-dos-pais-na-educacao-dos-filhos/"><em>Qual é a responsabilidade dos pais na educação dos filhos?</em></a>) refletimos acerca da freqüentemente negligenciada missão educacional dos pais em relação aos filhos.</p>



<p>Como dissemos ali, ainda que muitos pais, em função de circunstâncias relativas a si mesmos ou ao próprio ordenamento das suas casas e famílias, não possam ou escolham deliberadamente não assumir a regência integral da educação das suas crianças, eles são, sempre e invariavelmente, educadores.</p>



<p>E a razão disso, também explicamos, é muito simples: é neles que os filhos têm a sua referência primeira e imediata, e encontram na observação dos seus hábitos, seus costumes, seu modo de vida, os elementos educacionais, formativos, mais primitivos.&nbsp;</p>



<p>Portanto, a educação da criança está, ao menos nos estágios iniciais do processo, muito mais em todo o panorama cotidiano de repetição de hábitos que formam em sua mente a sua concepção de vida.</p>



<p>Daí que a paternidade e a maternidade exijam, para que estejam em conformidade com a sua própria natureza, uma transformação de hábitos por parte dos pais, de modo que ofereçam à criança o ambiente e os instrumentos de que necessita para a sua plena formação.</p>



<p>Acontece que muitos são aqueles que não querem participar dessa transformação, pois, a despeito do amor que imaginam ter em plenitude para com seus filhos, não estão dispostos a sacrificar certos aspectos do seu estilo de vida, como desejos, prazeres e costumes.&nbsp;</p>



<p>Por isso, transferem para as mãos da escola ou do professor essa responsabilidade, como se, mesmo que, por milagre, a escola e o professor sejam os mais íntegros e bem intencionados, a permanência daquele pequeno ser humano num ambiente que, se não despreza, ignora totalmente a importância de hábitos humanos e ordenadores, como os estudos e a vida de oração, não fosse repercutir negativamente na construção da sua inteligência, do seu caráter, da sua personalidade.</p>



<p>E este é só o primeiro problema. Há ainda muitos outros.</p>



<p>Existe uma <em>live</em> no nosso canal do YouTube, com o título <a href="https://www.youtube.com/watch?v=CItRLupYbX8&amp;t=5453s" target="_blank" rel="noopener"><em>Professor não é prestador de serviço</em></a>, onde os professores Caio, Maurício e João Marcos falam, entre outras coisas, sobre a visão burguesa a respeito da educação.</p>



<p>Como eles demonstram, não é segredo que nós vivemos numa sociedade eminentemente burguesa, e uma das principais características disso é que as pessoas costumam contratar serviços para que não precisem preocupar-se com aquilo.</p>



<p>E não é assim que se pensa acerca da educação dos filhos?</p>



<p>Geralmente, quando uma pessoa contrata um professor ou coloca o filho numa escola é porque não deseja mais sequer ter que pensar no que vai ser do seu filho. Ela paga uma mensalidade cara para que ele tenha acesso ao que há de melhor em educação, garanta um futuro promissor e consiga “ser gente” um dia, correspondendo ao seu investimento. Tudo o que espera é ver boas notas e não receber reclamações.</p>



<p><em><strong>“Meu filho, eu coloquei você na melhor escola que eu posso. É lá que você vai aprender, que você vai se educar, que você vai se tornar gente…”</strong></em> — quem nunca ouviu algo parecido?</p>



<p>E, ainda que essas palavras não sejam ditas expressamente, o próprio contexto da relação casa-escola deixa seu conteúdo impresso na mente da criança. Assim, terceirizando completamente sua responsabilidade, sem perceber, o pai, que naturalmente é aquela referência primeira e imediata de que falamos, acaba transferindo isso para o professor e a escola.</p>



<blockquote class="wp-block-quote has-medium-font-size is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong><em>…você não precisa fazer grandes malabarismos para participar da educação do seu filho…</em></strong></p>
</blockquote>



<p>Agora, veja se o que vem a seguir não lhe parece familiar.</p>



<p>Inicialmente, tudo parece ir bem: a criança chega em casa demonstrando ter aprendido coisas novas, adquirido novas informações, às vezes até se expressando de maneira um pouco diferente, fazendo parecer que a coisa está funcionando. O menino está ficando “<em>sabido”</em>.</p>



<p>Com o passar do tempo, começam a surgir alguns comportamentos estranhos, repreensíveis, e os pais ficam se perguntando onde aquilo poderia ter sido aprendido: <em>“só pode ter sido na escola”</em>.</p>



<p>Daqui a pouco, aparecem pequenas insubordinações e questionamentos sutis à autoridade dos pais, que parecem ir se agravando.</p>



<p>Nessa situação, a maioria das pessoas tende a culpar os colegas das crianças, não é? Elas devem estar imitando o comportamento dos outros.&nbsp;</p>



<p>E se não for isso? E se, inconscientemente, elas estiverem obedecendo àquela transferência promovida por seus pais ao colocar o professor como sua principal referência?</p>



<p>Veja, isso é algo que até as famílias mais preocupadas com a perversão educacional tendem a ignorar.</p>



<p>É normal que as pessoas do nosso meio tenham muitas queixas contra a educação moderna, mas o seu principal objeto de repugnância costuma ser a doutrinação ideológica e a apresentação de certos comportamentos torpes, imorais.</p>



<p>Claro, essas coisas são de fato muito perigosas, mas há algo ainda mais perigoso.&nbsp;</p>



<p>Uma das coisas mais graves que se experiencia na escola é justamente aquela mais ignorada: a presença do professor enquanto modelo de vida humana. E mais grave e perigosa ainda quando os pais negligenciam o seu próprio papel na educação dos filhos e estabelecem, como dissemos, o professor como a referência principal, de autoridade e de vida mesmo, para eles.</p>



<p>Assim, inevitavelmente, a criança acaba, em razão da própria mecânica escolar e também da confirmação inconsciente dos pais, tomando o professor como seu maior modelo e ficando cada vez mais impermeável ao exemplo e às intervenções daqueles que lhe deram a vida.</p>



<p>E, então, como acontece muitas vezes, quando os pais percebem essa perda de autoridade e também do aspecto simbólico do que eles representam, não só ficam profundamente abalados, como acabam entrando numa espécie de guerra contra a escola.&nbsp;</p>



<p>Mas essa é uma luta desleal. Se a mecânica for mantida, não há como vencer. Afinal, a referência já foi dada: a criança aprendeu e se conformou com o fato estabelecido de que a escola é um lugar ao qual ela deve se submeter inteiramente, e o professor é o símbolo ao qual ela deve estar submetida.</p>



<p>Eis aí o resultado de se negligenciar, de se tentar transferir uma missão que é, por sua própria natureza, intransferível &#8211;<strong> e isso independe se seu filho é homeschooler ou frequenta a escola.</strong></p>



<p>Agora, há, sim, meios de recuperar o que foi perdido ou impedir que esse seja o desfecho de tudo, desde que, como dissemos no texto <em><a href="https://institutoborborema.com/2024/05/09/qual-e-a-responsabilidade-dos-pais-na-educacao-dos-filhos/" data-type="link" data-id="https://institutoborborema.com/2024/05/09/qual-e-a-responsabilidade-dos-pais-na-educacao-dos-filhos/">Qual a responsabilidade dos pais na educação dos filhos?</a></em>, os pais tomem consciência desta missão e busquem, com toda a sua força, com todo o seu amor, tornar-se o modelo daquilo que desejam para a criança.</p>



<p>E não há com o que se desesperar. Este não é um trabalho tão amedrontador quanto parece.</p>



<p>Nós tendemos sempre a pensar que devemos ter a capacidade técnica máxima para assumir certas responsabilidades e, ao mesmo tempo, sempre pensamos estar aquém dessas capacidades. E pode até ser que estejamos, pois essa é a tensão mesma da vida. Mas não podemos, por causa disso abrir mão do nosso dever — vimos as conseqüências disso.</p>



<p>Mas você não precisa fazer grandes malabarismos para participar da educação do seu filho. Basta, na verdade, que tenha o senso de responsabilidade de assumir este dever, que é seu e de mais ninguém, e trabalhar para resolver as suas próprias deficiências.</p>



<p>E o começo disso está justamente naquela transformação de hábitos da qual falamos no início e de que muitos não querem participar.</p>



<p>Tratamos do impacto que um professor pode ter na vida de uma criança. Mas qual não é, na alma dela, o impacto causado pela personalidade de um pai que demonstra amar as coisas mais importantes e elevadas — como a inteligência e a Verdade — , que se decide por elas e se dedica intensamente em função de alcançá-las?</p>
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		<title>Qual é a responsabilidade dos pais na educação dos filhos?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 May 2024 22:29:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem Categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Muitos pais, por insegurança, negligência ou ignorância, acreditam que podem terceirizar completamente a educação dos seus filhos. Não sabem eles que possuem uma missão que não há como ser transferida. ___ Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abro­lhos?  Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos.  Uma árvore boa [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p></p>



<p>Muitos pais, por insegurança, negligência ou ignorância, acreditam que podem terceirizar completamente a educação dos seus filhos. Não sabem eles que possuem uma missão que não há como ser transferida.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-6-1024x576.png" alt="" class="wp-image-52579" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-6-1024x576.png 1024w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-6-600x338.png 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-6-300x169.png 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-6-768x432.png 768w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-6-1536x864.png 1536w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-6.png 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p><strong>___</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote has-medium-font-size is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em><strong>Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abro­lhos? </strong></em></p>



<p><em><strong>Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos. </strong></em></p>



<p><em><strong>Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos. </strong></em></p>



<p><em><strong>Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo.</strong></em></p>



<p><em><strong>Pelos seus frutos os conhecereis.</strong></em></p>



<p><strong>(Evangelho de São Mateus 7, 16b-20)</strong></p>
</blockquote>



<p>Gostaríamos de abrir este texto dirigindo uma pergunta ao leitor — e, antes de seguir com a leitura, sem refletir muito, tente dar uma resposta sincera:&nbsp;</p>



<p><strong><em>O que você deseja para o futuro do seu filho?</em> <em>Que bens você espera que ele aspire? Que hábitos gostaria que ele cultivasse?</em></strong></p>



<p>Deixando de lado as respostas mais materialistas e utilitaristas que porventura possam surgir, nós sempre tendemos a imaginar coisas superlativas para o futuro das nossas crianças: a inteligência, a sabedoria, a santidade, a plenitude da personalidade, o desenvolvimento máximo das virtudes…</p>



<p>É natural e benéfico que seja assim, pois, afinal, se os amamos, como não haveríamos de desejar o que há de melhor para aqueles que colocamos no mundo?&nbsp;</p>



<p>Agora, o que estamos dispostos a fazer, investir e sacrificar por isso?</p>



<p><strong><a href="https://institutoborborema.com/2024/05/09/por-que-seu-filho-deve-ler-literatura-paga/" data-type="link" data-id="https://institutoborborema.com/2024/05/09/por-que-seu-filho-deve-ler-literatura-paga/">No último texto que publicamos</a>,</strong> falamos do grande números de pais de família que, por insegurança, temendo expor seus filhos a grandes riscos morais, vêm escolhendo um caminho educacional perigoso ao privar-lhes de instrumentos essenciais para o seu desenvolvimento. </p>



<p>Mas, além desses, há em maior número aqueles que, por um outro tipo de insegurança, ou simplesmente por negligência, ou ainda por pura ignorância, seguem um rumo muito mais perigoso e expõem suas crianças a riscos mais profundos.</p>



<p>Estamos falando dos pais que escolhem não participar da educação dos filhos, deixando-a inteiramente a cargo da escola ou de professores contratados — e é especialmente a eles que se dedica este texto.</p>



<p>Os primeiros, dos quais falamos no artigo anterior, pelo menos têm a consciência — mais ou menos clara — da missão que lhes cabe na formação da sua prole. O seu erro decorre, digamos assim, de um “excesso de cuidado”.</p>



<p>Já os outros, a quem nos referimos agora, erram justamente pela deficiência, às vezes absoluta, de cuidado, ao negligenciar ou ignorar um fato muito essencial: os pais têm uma missão educacional e formativa em relação às crianças.</p>



<p>E essa missão é impossível de ser transferida. Isso decorre de um princípio bastante simples que logo explicaremos.</p>



<p>Mas, antes que algum leitor desavisado se escandalize, certas coisas precisam ser esclarecidas.</p>



<p>Não ignoramos que as circunstâncias em lares distintos sejam igualmente distintas; e não temos intenção alguma de estabelecer regras ditatoriais, absolutas, sobre quem quer que seja.</p>



<p>Existem crianças e adolescentes em estágios mais avançados da educação, cujos pais, por diversas situações, não dispõem dos meios necessários para assumir integralmente a sua condução.</p>



<p>Não podemos negar também, sobretudo se considerarmos o modelo social dos nossos tempos, que certas exigências de trabalho e outras necessidades materiais obrigam muitas pessoas a passar boa parte do dia longe dos seus filhos, tendo de confiá-los a escolas, tutores etc.</p>



<p>Há ainda, reconhecemos, um sem-número de outras situações e circunstâncias a que diversas famílias estão submetidas e que limitam a presença dos pais na educação.</p>



<p>Acontece que, mesmo com tudo isso, não existe situação em que eles não sejam, em algum nível, educadores dos seus filhos.</p>



<p></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-medium-font-size"><strong><em>A função educacional dos pais não é meramente uma norma, mas um fato mesmo da realidade…</em></strong></p>
</blockquote>



<p>Educador é todo aquele que contribui para a formação de outra pessoa. E ninguém afeta mais, para o bem ou para o mal, a formação de uma criança do que os seus pais. E esses são sempre e invariavelmente educadores em razão da sua posição enquanto referência primeira e imediata.</p>



<p>Que pai e que mãe nunca foram surpreendidos e se divertiram com a imagem de um pequeno imitando desajeitadamente seus trejeitos, suas falas e movimentos?&nbsp; Isso é natural porque a criança encontra neles a primeira figura positiva a ser seguida, o primeiro objeto de admiração.</p>



<p>E ela sempre é levada a repetir, ao menos em grande parte, tudo aquilo que eles lhe mostram.</p>



<p>Justamente por isso, mesmo que você imagine estar livre da sua participação na educação dos seus filhos ao terceirizá-la, você, ainda assim, continuará educando-a.</p>



<p>Como disse o Professor Marcelo Gonzaga, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=dc9n2kvOS-E" target="_blank" rel="noopener">na palestra <em>O verdadeiro dever dos pais</em></a>, ministrada para o nosso canal do YouTube, não existe circunstância em que você não esteja educando seus filhos: ou está educando bem ou está educando mal. Não há vácuo aqui.&nbsp;</p>



<p>Com você, a partir do que você demonstra, ela vai aprendendo o que tem valor e o que não tem, o que é importante e essencial para si e o que não é.&nbsp;</p>



<p>Se, por exemplo, o pai deseja que a criança tenha apreço pela leitura, que se dedique nos estudos, mas não é ele mesmo um modelo dessa dedicação, o que você acha que ela vai seguir?&nbsp;</p>



<p>Ela obedecerá a um comando verbal para que leia, para que estude, ou ao exemplo que observa em ato cotidianamente?</p>



<p>Se você não se preocupa com os estudos, se não se esforça por desenvolver aquilo que lhe é mais essencial, é isto que você está ensinando: aquilo não é importante.</p>



<p>O mesmo acontece com a vida moral e espiritual. A criança aprende e tende a repetir, de diferentes formas, os hábitos dos pais.</p>



<p>A função educacional dos pais não é meramente uma norma, mas um fato mesmo da realidade. E não há como escapar disso.</p>



<p>A partir do momento em que eles aceitam essa realidade e decidem se comprometer com ela, buscando corrigir as próprias deficiências para que possam tornar-se exemplos dignos de serem seguidos, todo o ambiente em que a criança está inserida começa a tomar uma nova forma — uma mais íntegra, harmoniosa, ordenada —, e, assim, ela será arrastada para práticas mais benéficas e humanizantes.</p>



<p>Do contrário, de nada adianta você desejar todos aqueles bens superlativos de que falamos no início, pois a criança não encontrará neles valor algum.</p>



<p>E, caso ela encontre, caso, independente de você, ela consiga ser despertada para os bens superiores e se decida por persegui-los, ela verá clarificada, estampada em você a sua miséria.</p>



<p>Se você vive uma vida medíocre, alimenta interesses dos mais baixos e, ainda assim, deseja que o seu filho seja um sábio, um erudito ou um santo, se ele de fato alcançar isso, a primeira coisa que perceberá é toda a mediocridade daquele que deveria ser seu modelo.</p>



<p>Não é melhor, então, em primeiro lugar, buscar com toda a sua força, com todo o seu amor, ser o modelo daquilo que espera que ele se torne?</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Por que seu filho deve ler literatura pagã? </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 May 2024 22:14:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem Categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Tem se tornado grande o número de pais que estão decidindo educar seus filhos sem recorrer à literatura pagã. Ainda que movidos por boas intenções, o caminho que estão escolhendo reserva mais perigos do que parece. Nos últimos tempos, uma preocupação tem ganhado lugar em diversos lares católicos.&#160; Em um mundo onde imperam a desordem, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tem se tornado grande o número de pais que estão decidindo educar seus filhos sem recorrer à literatura pagã. Ainda que movidos por boas intenções, o caminho que estão escolhendo reserva mais perigos do que parece.</p>



<p>Nos últimos tempos, uma preocupação tem ganhado lugar em diversos lares católicos.&nbsp;</p>



<p>Em um mundo onde imperam a desordem, o pecado, a insanidade e a banalização total de tudo o que nos faz humanos, é natural que pais de família, em cujas almas resta ainda alguma consciência, desejem usar todos os meios ao seu alcance para preservar as almas que lhes foram confiadas da completa desumanização</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lh7-us.googleusercontent.com/-glCZDcrlARHbzyScuVdCg3Hho0k-clVRb8SeAIy0A8-x82pHEqTVKuv89GHaCV-mY5rhoiJBEgBmNWgRIFIgtaAstiFVKX8DdLJXDXdcTPyzjRMrEP5bm6yM1DihYyR_-OXq2LK_5eQFlADGXO9bvI" alt=""/></figure>



<p>Cientes da deformação promovida pelo sistema formal de educação, muitos têm dado cada vez mais atenção ao conteúdo oferecido aos seus filhos e, por causa disso, buscado instrumentos melhores e mais adequados, segundo seus próprios critérios, para atender às necessidades formativas — intelectuais, morais e espirituais — das crianças.</p>



<p>Felizmente, não são poucos aqueles que começam a entender realmente a importância e o devido lugar da literatura no processo pedagógico.&nbsp;</p>



<p>Mas, ao mesmo tempo, também é grande o número daqueles que, movidos por uma insegurança bastante compreensível, temendo expor os filhos a grandes riscos morais, estão optando por impedir que tenham contato com textos clássicos pagãos e tomando um caminho que, a princípio, parece seguro e imaculado, mas que, na realidade, guarda muitos perigos.</p>



<p>Alguns pensam:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-medium-font-size"><em><strong>“O mundo já está todo paganizado; a vida já está repleta de males. Por que forçar meu filho a beber dessa fonte envenenada e ser por ela contaminado? Não. Ele precisa conhecer o bem, a perfeição, para que nunca seja corrompido.”</strong></em></p>
</blockquote>



<p>E ainda:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-medium-font-size"><em><strong>“Os clássicos, os textos pagãos, serviam para educar pagãos. Antes da Revelação, isso era tudo o que tinham. Mas nós… nós somos católicos. Não precisamos dos seus escritos, das suas epopéias, que são repletas de imoralidades, culto a deuses pagãos e glorificação de atos pecaminosos como virtudes, para o letramento dos nossos filhos, quando temos os salmos; para a formação moral, quando temos a vida dos santos e o Evangelho.”</strong></em></p>
</blockquote>



<p>Não se pode negar que são movidos por uma boa e bela intenção.&nbsp;</p>



<p>Mas acontece que há aí muitas confusões; e, enquanto imaginam fazer um grande bem e preservar as almas e as consciências de suas crianças, estão, na verdade, promovendo incontáveis prejuízos para a vida que elas terão no futuro.</p>



<p>Antes que algum leitor se escandalize, queremos deixar claro que não estamos dizendo que ele não deve apresentar a vida dos santos ou as Sagradas Escrituras ao seu filho. Afinal, somos católicos, e isso, esperamos, já diz tudo.</p>



<p>Estamos dizendo, isso sim, que há um lugar devido para cada coisa. E a literatura universal tem um lugar que nem mesmo os salmos, a vida dos santos ou o próprio Evangelho podem ocupar.</p>



<p>Sim, nos textos pagãos e seculares o mal aparece e, por vezes, subjuga o bem, heróis sofrem derrotas arrasadoras e vilões cometem injustiças. E também assim não é a vida?</p>



<p>Na boa literatura, o mal aparece para que o bem seja revelado; há queda para que haja a possibilidade de redenção; há desordem para que se manifestem as virtudes; pecado para que se conheça a graça.</p>



<p>Veja o que falam, inclusive, os Padres da Igreja. O próprio São Basílio de Cesareia, o primeiro autor de um tratado sobre o Espírito Santo, ainda no Século IV, dedicou-se a escrever um tratado sobre a importância da literatura pagã na vida dos jovens.</p>



<p>Naquela época, os textos clássicos já sofriam inúmeras críticas, e ele, sabendo da sua importância para a formação intelectual e moral, ensinou, nas suas <strong><em>Cartas aos jovens sobre a utilidade da literatura pagã</em>,</strong> como deles fazer bom proveito, encontrando, inclusive, conexões muito profundas entre os escritos pagãos e a doutrina cristã.</p>



<p>Ao privar uma criança disso, você não está preservando a sua alma do mal. Afinal, o mal existe, e ela há de se deparar com ele um dia.&nbsp;</p>



<p>Você está, na verdade, não só tirando dela a chance de ler e conhecer textos de altíssima qualidade, mas privando-a de conhecer toda a complexidade da realidade, da vida, e para ela amadurecer e preparar-se. E é seu dever prepará-la.</p>



<p><strong><em>O caráter é formado no turbilhão do mundo</em>, já dizia Goethe.</strong></p>



<p>Por mais que você tente, seu filho não viverá em uma redoma imaculada. Ele não chegará intocado à velhice.&nbsp;</p>



<p>Provavelmente, ele não sairá da sua casa direto para um mosteiro. E mesmo que isso aconteça, ainda que escolha o melhor e mais santo mosteiro, lá ele encontrará monges bons e maus, santos e pecadores: como ele agirá diante de um e de outro?</p>



<p>Como dizíamos, é seu dever prepará-lo. Você precisa oferecer a ele todo o material possível para que possa, um dia, fazer o seu próprio julgamento de tudo o que verá na realidade. E para isso, a literatura clássica, pagã e universal, está repleta de exemplos.</p>



<p>Ela dá os melhores instrumentos para que desenvolvamos uma forma própria de enxergar a realidade, julgá-la, agir diante dela. E não só isso: é por meio da literatura que o jovem aprenderá a se expressar, de maneira consciente, pessoal e individual, de criar um discurso próprio e, ao fazê-lo, desenvolver uma personalidade própria.</p>



<p>Excluindo a literatura da vida do seu filho, você só conseguirá que ele seja despersonalizado.</p>



<p>Não é porque você oferece apenas uma visão de mundo, ainda que seja a mais pura, aos seus, que há a garantia de que permanecerão nela por toda a vida. Afinal, a vida não é assim; a realidade não é assim. Ela é muito mais complexa.&nbsp;</p>



<p>E é precisamente disso que trata a literatura: da realidade.</p>



<p>E ninguém pode ser isolado da realidade. Mais cedo ou mais tarde, ela cairá sobre todos, com toda a sua força.</p>



<p>Portanto, sim, você deve ensinar os valores cristãos. Isso é perfeitamente correto e adequado.&nbsp;</p>



<p>Mas você não pode diminuir ou limitar a imaginação dos seus filhos. Você precisa, permitir que tenham acesso e conheçam outras possibilidades de vida <strong>(com bom senso, claro, afinal de contas, não podemos fornecer materiais imorais ou pecaminosos aos nossos filhos).</strong></p>



<p>Quanto mais eles lerem, quanto mais conhecerem, melhor poderão julgar e tomar decisões acertadas sempre que disso precisarem.</p>



<p>Agora, há, sim, que se ter cuidado quanto ao que se oferece de conteúdo literário nas diferentes fases do desenvolvimento formativo da criança. Mas desse assunto trataremos em um outro texto no futuro.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A suspensão do juízo moral: Aprendendo a ler literatura com O Estrangeiro, de Albert Camus</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 May 2024 21:07:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muitos leitores de obras ficcionais da literatura, ao se debruçarem sobre narrativas diversas à sua própria realidade e visão de mundo, esbarram apressadamente num obstáculo quase insuperável que lhes impede de apreciar e compreender aquilo que leem e cuja contenção é indispensável para o domínio das capacidades de leitura e intepretação: o juízo moral. “Hoje, [&#8230;]]]></description>
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<p>Muitos leitores de obras ficcionais da literatura, ao se debruçarem sobre narrativas diversas à sua própria realidade e visão de mundo, esbarram apressadamente num obstáculo quase insuperável que lhes impede de apreciar e compreender aquilo que leem e cuja contenção é indispensável para o domínio das capacidades de leitura e intepretação: o juízo moral.</p>



<p><strong>“Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: ‘Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pêsames’. Isso não esclarece nada. Talvez tenha sido ontem. O asilo de velhos fica em Marengo, a oitenta quilômetros de Argel. Vou tomar o ônibus às duas horas e chego ainda à tarde. Assim posso velar o corpo e estar de volta amanhã à noite. […] Por ora é um pouco como se mamãe não tivesse morrido. Depois do enterro, pelo contrário, será um caso encerrado e tudo passará a revestir-se de um ar mais oficial.”</strong></p>



<p>É comum e quase universal que a leitura dessa emblemática abertura do romance O Estrangeiro, de Albert Camus, num primeiro momento, cause choque e estranheza em nós, leitores.</p>



<p>A mãe do sujeito, Meursault, acabara de morrer, e, ao contrário do que se espera de um filho ao receber uma notícia trágica como essa — tristeza, lamentação, desespero —, ele está raciocinando sobre informações aparentemente acessórias do telegrama.</p>



<p>A depender do modo como nós conseguimos encarar essa situação e manejar o estranhamento, o aproveitamento de tudo o que se segue no texto poderá ser comprometido.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/13-O-Estrangeiro-1967-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-52510" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/13-O-Estrangeiro-1967-1024x683.jpg 1024w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/13-O-Estrangeiro-1967-600x400.jpg 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/13-O-Estrangeiro-1967-300x200.jpg 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/13-O-Estrangeiro-1967-768x512.jpg 768w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/13-O-Estrangeiro-1967-360x240.jpg 360w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/13-O-Estrangeiro-1967.jpg 1170w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-small-font-size"><strong>Filme O Estrangeiro, adaptação para o cinema feita por Luchino Visconti (1967).</strong></p>



<p>Durante a leitura de obras da literatura, muitas pessoas têm uma dificuldade, às vezes até uma incapacidade, em suspender, não a descrença, mas o julgamento moral dos fatos, personalidades e ações ali apresentados.</p>



<p>Quando estamos lendo a respeito da vida de um personagem, vendo o modo como ele se expressa e a narrativa em que está situado, existe alguma coisa ali a ser entendida, existe uma personalidade humana que, ainda que fictícia, é como uma síntese de personalidades humanas encontradas pelo autor.</p>



<p>Acontece que, muitas vezes, a nossa tendência é fazer um juízo daquelas ações como boas ou más, não como a conclusão de um processo cognitivo bem direcionado, mas como uma espécie de reação epidérmica, de irritação ou escândalo.</p>



<p>A verdade é que há uma grande diferença entre o juízo objetivo do que está sendo expresso e os nossos sentimentos e impressões ante o texto, que, claro, em grande parte das vezes podem não ser mais do que reflexos da cultura em que estamos imersos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>A habilidade de contenção e de reprocessamento da máquina interior de juízos morais é indispensável para o domínio das capacidades de leitura e interpretação.</strong></p>
</blockquote>



<p>Na mitologia grega havia o mito do leito de Procusto, um homem que vivia sozinho numa floresta e tinha o hábito de esconder-se à beira das estradas próximas a essa floresta e ficar de tocaia, à espera de algum transeunte desavisado.</p>



<p>Todas as vezes em que avistava uma pessoa, ele a raptava e levava para a sua casa. Chegando lá, ele forçava a vítima a deitar-se sobre sua cama. Caso ela fosse maior do que o leito, suas pernas ficariam para fora e seriam decepadas por Procusto; e caso fosse menor, seria esticada até caber exatamente ali.</p>



<p>A dificuldade em operar racionalmente aquela distinção entre o julgamento objetivo de uma obra e a temeridade das idéias e afetos pessoais relativos ao que está sendo ali transmitido faz com que nós assumamos a forma de Procusto e tentemos forçar os textos a encaixar-se no nosso “leito” moral, seja ele fabricado por nós ou implantado culturalmente.</p>



<p>Muitas vezes, ao menos de imediato, esse efeito parece inevitável.</p>



<p>Mas existe um modo, por assim dizer, funcional de encarar as obras literárias, que é aquele que nos permite apreciá-las, encontrar o que está sendo transmitido, constatar como as coisas realmente são e, sem nos submetermos aos julgamentos prévios, decidir racionalmente, a partir do que aquilo nos comunica, que uso fazer disso nas nossas próprias vidas.</p>



<p>Entre tantas outras obras, O Estrangeiro é um excelente instrumento para desenvolver essa habilidade de contenção e de reprocessamento da máquina interior de juízos morais, que é indispensável para o domínio das capacidades de leitura e interpretação.</p>



<p>Sem isso, nós seríamos incapazes de perceber, por exemplo, que Meursault, com toda a sua “estranheza”, evidenciada desde o primeiro parágrafo, não é apenas alheio às nossas impressões de certo e errado, não é apenas alheio às nossas concepções culturais e ideológicas.</p>



<p>Ele é um indivíduo privado de sentimentos? É um psicopata? Um sujeito apático diante de tudo e de todos?</p>



<p>Se ouvíssemos os gritos precipitados que emanam da dita máquina de julgamentos, haveríamos de escolher com todas as certezas uma dessas opções.</p>



<p>Mas, racionalmente, tudo o que conseguimos dizer de certo é que ele é pura e simplesmente um estrangeiro — em qualquer lugar, em qualquer tempo e em qualquer cultura.</p>
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		<title>Marte, Fobos e Deimos: Como o medo leva ao reinado do egocentrismo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 May 2024 20:54:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No mundo contemporâneo, as doenças mentais, morais e espirituais se alastram de modo tal, que a covardia, o egoísmo e o medo não só são tidos como virtudes, como tornaram-se mandatos da lei. Assim surge o reino do egocentrismo. Ao longo da história, o homem sempre tentou racionalizar o medo, tendo-o registrado por incontáveis símbolos [&#8230;]]]></description>
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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="900" height="540" src="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-3.png" alt="" class="wp-image-52508" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-3.png 900w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-3-600x360.png 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-3-300x180.png 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-3-768x461.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></figure>



<p>No mundo contemporâneo, as doenças mentais, morais e espirituais se alastram de modo tal, que a covardia, o egoísmo e o medo não só são tidos como virtudes, como tornaram-se mandatos da lei. Assim surge o reino do egocentrismo.</p>



<p>Ao longo da história, o homem sempre tentou racionalizar o medo, tendo-o registrado por incontáveis símbolos e a ele fazendo as mais diversas alusões.</p>



<p>Em não poucas culturas, o temor já serviu como instrumento pedagógico, ordenador, doutrinário, como artifício de defesa, proteção e até como ferramenta de ataque, controle e dominação.</p>



<p>Na mitologia grega, por exemplo, Ares (Marte para os romanos), o deus da guerra, da carnificina, do impulso e do descontrole, é pai de Fobos, deus do medo, e Deimos, do terror. Eles o acompanhavam em todas as batalhas, indo à frente de seu carro para assombrar os guerreiros inimigos, enchendo seus corações de pânico e horror.</p>



<p>Assim, tomados pela covardia, os adversários fugiam, deixando seus exércitos fragilizados e dando a Marte uma vitória fácil.</p>



<p>Símbolo bastante adequado é esse. As guerras não são sempre acompanhadas de medo e terror?<br><br>Mais propício ainda, talvez, para descrever os nossos tempos: não vivem Fobos e Deimos a acossar os corações dos homens de nossa era?</p>



<p>Sim, guerras abertas e declaradas temos aos montes; e nessas o seu trabalho é ostensivo. Mas há ainda aquelas guerras implantadas, incutidas que, ocultadas pelo barulho externo, encontram um terreno silencioso no interior das almas e dos corações, onde, por isso mesmo, podem estender-se ao longo de vidas inteiras.</p>



<p>Guerra contra a ordem, contra a natureza, contra Deus, contra o homem, universal e particular — de si contra o outro e de si contra si mesmo.&nbsp;</p>



<p>Tudo tornou-se ameaça a uma estabilidade e uma segurança que sequer existem no campo da realidade. Assim, o medo passou a ser constante, irrefreável e absoluto.</p>



<p>Exemplos que o atestem não nos faltam, e há dois, três, quatro anos, eles eram ainda mais evidentes.</p>



<p>A verdade é que as sociedades contemporâneas produzem cada vez mais, em um nível verdadeiramente pandêmico, um medo irracional de tudo e de todos. Fobos e Deimos são semeados incessantemente, de modo que, por temer a tudo e a todos, os homens não mais se abram ao outro e acabem, como ouriços, por fechar-se em torno de si mesmos,&nbsp; e o mundo é transformado no reino do egocentrismo.</p>



<p>Essa, inclusive, foi uma relação observada por Rudolf Allers, filósofo e psicólogo do século XX, que identificou o medo e o egoísmo. Ele propôs que o homem que se centra em demasia sobre si mesmo acaba por desenvolver um anseio patológico por segurança.&nbsp;</p>



<p>Ou seja, a pessoa ensimesmada quer proteger-se a todo custo, até de coisas imaginárias. Ela preocupa-se excessivamente com aquilo que lhe pode suceder e acaba por perder a capacidade contemplativa, de olhar para a sua própria realidade, para o mundo, para as demais pessoas e para Deus.&nbsp;</p>



<p>Assim, em função do medo, vai se fechando cada vez mais em si mesma e passa a não enxergar mais nada para fora.</p>



<p>Claro, há um medo salutar, que é uma defesa importante do apetite irascível frente a um mal próximo, difícil de evitar e de enfrentar. Afinal, diante de algo que é verdadeiramente temível, o melhor é temer; a ninguém é bom viver temerariamente. Não à toa, São Jerônimo dizia que o temor é o guardião das virtudes.&nbsp;</p>



<p>Mas não é dele que falamos, e sim daquele que é irrefletido, desconfiado; aquele que oblitera a mente e aprisiona a alma na imagem daquilo que se teme.</p>



<p>Esse é o medo que, dominando o homem por tempo indeterminado, lhe priva da razão, levando-o a ignorar o outro e a cometer injustiças.</p>



<p>É o medo que nos torna egoístas e que parece ser a única coisa que os senhores do mundo querem que nós sintamos, incentivando-nos além da covardia egocêntrica.</p>



<p>Em razão dele, as pessoas do nosso tempo, temendo perder uma segurança que não existe, acabam, na verdade, perdendo a sua própria humanidade. O mundo, então, transforma-se no reino de Marte, onde — fora e dentro — não há amor ou paz, pois só resta impulso, descontrole e desconfiança.</p>
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		<title>Libertando-se da caverna: Como aprender e ensinar o amor aos bens superiores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 May 2024 20:43:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem Categoria]]></category>
		<category><![CDATA[blog]]></category>
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					<description><![CDATA[O homem que vive à procura de bens deteriorantes está preso em uma caverna escura. Para que possa libertar-se e expurgar o coração dos bens que lhe aprisionam e corroem, nem sempre é eficaz utilizar da força, mas antes é preciso que ele possa imaginar como possíveis os bens superiores dos quais se vê privado.&#160; [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O homem que vive à procura de bens deteriorantes está preso em uma caverna escura. Para que possa libertar-se e expurgar o coração dos bens que lhe aprisionam e corroem, nem sempre é eficaz utilizar da força, mas antes é preciso que ele possa imaginar como possíveis os bens superiores dos quais se vê privado.&nbsp;</p>



<p>Muitas pessoas que acabam de abrir os olhos para a necessidade de uma vida séria de estudos, do desenvolvimento moral e da purificação dos gostos e dos afetos, comumente passam por uma fase de pregação da alta cultura.</p>



<p>Esse é um período confuso na vida de quase todo recém-convertido — esteja claro que não falamos exatamente da conversão religiosa.&nbsp;</p>



<p>O sujeito provavelmente tinha um grupo de amigos com os quais compartilhava os mesmos interesses musicais, cinematográficos, às vezes literários… Freqüentava as festas e churrascos da família, participava animado das rodas de conversa, e não se incomodava ou até apreciava o som dançante dos pancadões e dos sertanejos do momento que tocavam…</p>



<p>Agora tudo mudou. Quando não consegue evitar os amigos ou se vê obrigado a participar das reuniões familiares, ele está sempre carrancudo. Não suporta mais as discussões a respeito daquele seriado que todos estão assistindo; fica ofendido com o fato de todos continuarem gostando daquela barulhada ritmada, enquanto está convicto de que ninguém deveria ouvir aquilo e se interessar daquela forma por coisas tão banais. </p>



<p>Ele até tenta manter-se silente, cordial, ainda que inconformado. Mas invariavelmente chega um momento em que tudo aquilo é demais, e, não poucas vezes, isso acontece justamente quando alguém lhe convida a dar seu contributo numa conversa da qual até então ele lutava para manter-se ausente. É aí que começa o show.</p>



<p><em><strong>“Como vocês não percebem que isso tudo é lixo? Isso não serve para nada! Vão ficar para sempre nessa miséria? Parem de assistir a essas porcarias, de ouvir esse monte de sujeira, de ler essas banalidades que só deixam vocês mais burros! Leiam Dante, Shakespeare; escutem Bach! Isso que é música, isso que é literatura, isso… isso que é vida!”</strong></em></p>



<p>Todos ficam confusos, boquiabertos, alguns tentam segurar uma risadinha, o mais engraçadinho lança uma troça, e ele, pouco tempo depois, vai embora revoltado, mas certo de que fez o melhor dos trabalhos, sentindo-se como o portador da luz que há de iluminar e abrir a mente de todos ali: <em>“Agora essa gente acorda para a vida”</em>.</p>



<p>A partir daí, é comum que ele busque encontrar todas as oportunidades possíveis para novas pregações, mas não deve conseguir muito mais do que simplesmente encher o saco de todos.</p>



<p>É como aquele primeiro prisioneiro a libertar-se de suas amarras na alegoria da caverna, de Platão, que, após uma vida inteira nas sombras, consegue fugir, vislumbrar a luz do sol e enxergar os objetos dos quais até então só conhecia os espectros. Então, vê-se obrigado a voltar e despertar seus companheiros para a realidade de que foram privados.</p>



<p>Acontece que, como era aquela a situação de todos desde a infância, eles acreditariam ser as sombras que vêem projetadas na parede da caverna a realidade inteira, não existindo nada fora dela.</p>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="1472" height="980" src="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-5.png" alt="" class="wp-image-52564" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-5.png 1472w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-5-600x400.png 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-5-300x200.png 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-5-1024x682.png 1024w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-5-768x511.png 768w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-5-360x240.png 360w" sizes="(max-width: 1472px) 100vw, 1472px" /></figure>



<p>Veja. Não podemos negar as intenções do nosso pregador, mas ele não podia usar de uma pior abordagem.</p>



<p>O que muitos ignoram, sobretudo quando começam a dar os primeiros passos na vida da inteligência, da literatura, da cultura etc., é que não adianta impor, à força da ordem, que alguém abandone algo efetivamente ruim, sem, antes, lhe dar os meios para amar algo superior.</p>



<p>Quando se quer levar uma pessoa a um bem superior, é preciso abrir o caminho da inteligência e da vontade. Sem isso, não se pode esperar sucesso. Afinal, do ponto de vista sensível, não há motivos para que ela ame Dante, Shakespeare ou Bach; não há motivos, inclusive, para que ela ame a vida da alma. Para os sentidos, é muito mais aprazível o balançar do corpo ao sabor dos hits mais atuais ou as explosões sensitivas controladas pelas séries e filmes mais banais.</p>



<p>Dizer simplesmente para um sujeito deixar de gostar do que ele gosta é querer que ele rejeite pela carne o que já ama pela carne. Não há como funcionar.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="704" src="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-4-1024x704.png" alt="" class="wp-image-52563" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-4-1024x704.png 1024w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-4-600x413.png 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-4-300x206.png 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-4-768x528.png 768w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-4-1536x1056.png 1536w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-4.png 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Nesse sentido, podemos observar o que Platão escreve como sendo a experiência de um homem uma nova realidade é apresentada:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-medium-font-size"><em><strong>“Como achas que responderia a quem lhe afirmasse que tudo o que ele vira até ali não passava de brinquedo e que somente agora, por estar mais próximo da realidade e ter o rosto voltado para o que é mais real, é que ele via com maior exatidão e também se o interlocutor lhe mostrasse os objetos, à medida que fossem desfilando, e o obrigasse, à custa de perguntas, a designá-los pelos nomes? Não te parece que ficaria atrapalhado e imaginaria ser mais verdadeiro tudo o que ele vira até então do que quanto naquele instante lhe mostravam?</strong></em></p>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote has-medium-font-size is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em><strong>E no caso de o forçarem a olhar para a luz, não sentiria dor nos olhos e não correria para junto das coisas que lhe era possível contemplar, certo de serem todas elas mais claras do que as que lhe então apresentavam?”</strong></em></p>
</blockquote>



<p>Todo ser humano está sempre e invariavelmente em busca de um bem, seja ele qual for. E ainda que esteja imerso na miséria de bens inferiores, ele não os verá dessa forma.&nbsp;</p>



<p>Portanto, é necessário descobrir que bens aquele indivíduo deseja para que se possa, por meio de uma analogia, utilizando aquilo que ele já ama, para que, num processo consciente, a sua imaginação perceba o valor e a possibilidade de gozo do que é superior e, assim, possa, com a vontade, decidir amar aquilo pela inteligência, pela alma e pelo espírito.</p>



<p>Pois, afinal, como Platão ainda diz:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-medium-font-size"><em><strong>“[O sujeito] Precisaria habituar-se para poder contemplar o mundo superior.”</strong></em></p>
</blockquote>



<p>Basicamente, o processo consiste em partir da identificação do bem amado e produzir uma catarse, para que a pessoa consiga expurgar-se daquilo que a deteriora por dentro e, desse modo, adaptar-se para a recepção e a fruição de bens verdadeiros.</p>



<p>Do contrário, não se consegue mais do que o nosso pregador e a sua encheção de saco.</p>
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