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	<title>Instituto Borborema</title>
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		<title>O que é verdadeiramente um estudo?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Sep 2024 23:05:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[Existem, hoje, uma variedade incontável de propostas e concepções para o estudo. No entanto, muito se ignora a partir de onde ele deve começar: na linguagem.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Existem, hoje, uma variedade incontável de propostas e concepções para o estudo. No entanto, muito se ignora a partir de onde ele deve começar: na linguagem. </span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-54306" src="http://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/08/Imagem1.png" alt="Linguagem - estudos" width="886" height="591" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/08/Imagem1.png 886w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/08/Imagem1-600x400.png 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/08/Imagem1-300x200.png 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/08/Imagem1-768x512.png 768w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/08/Imagem1-360x240.png 360w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /></p>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos motivos que nos levaram a fundar o Instituto Borborema, em 2015, foi percebermos como clara a situação de crise e degradação intelectual em que o Brasil e todo o mundo se encontravam, já desde muito antes, e se encontram até hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Que há tal crise e tal degradação e que estamos nelas imersos não é novidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por muito tempo, um tempo quase incontável, práticas educacionais vêm sendo inventadas, reinventadas, atualizadas e propostas a milhões e milhões de pessoas, com objetivos variados e diversos, talvez, mas que parecem convergir sempre em um único: afastá-las de qualquer possibilidade de educarem-se verdadeiramente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A “novidade” que percebemos durante esses anos fazendo nosso trabalho é que, apesar de tudo isso, ainda existem pessoas que estão sedentas por uma verdadeira educação, pelo verdadeiro estudo — e não são poucas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas também não são poucas aquelas que muitas vezes, graças às mesmas propostas, acabam caindo em enganos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E isso talvez decorra do fato de muitas delas desconhecerem exatamente em que consiste e a que se ordena o estudo.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<h2 style="padding-left: 80px;"><b><i>…a grande luta de todo ser humano é a luta por descobrir a verdade na própria alma.</i></b></h2>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">O verdadeiro estudo não é aquilo que praticamos na escola, na faculdade ou nos cursinhos de línguas. Não é aquilo que fazemos a fim de conseguir aprovação numa prova ou conquistar um certificado, um cargo ou coisas do tipo. Tampouco é aquela nossa leitura sem ordem ou critério de livros que não entendemos, de autores que desconhecemos, mas que parecem belos, estimulantes, enriquecedores…</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo isso, a despeito da aparência de estudo, são apenas rebaixamentos do que é o verdadeiro estudo: a busca pelo conhecimento da verdade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não se distingue o ser humano dos animais e se aproxima dos anjos exatamente por sua capacidade de conhecer a verdade? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O estudo, então, apresenta-se como meio necessário e indispensável para o conhecimento da verdade em decorrência, sobretudo, da própria natureza humana e da sua desordem, oriunda do pecado original.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acontece que, em nossos dias, o entendimento acerca do “conhecer a verdade” parece resumir-se apenas em acessar as notícias corretas, ler mais informações e, assim, ter opiniões fortes que possam ser ostentadas e nas quais se possa confiar como infalíveis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por óbvio, isso não é conhecer a verdade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não à toa, o filósofo Eric Voegelin propunha que a grande luta de todo ser humano é justamente a luta ininterrupta por descobrir a verdade na própria alma para, com ela, resistir à mera opinião.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é aí, à medida em que essa luta segue sendo travada, que o homem consegue abandonar o estado de passividade ante a recepção da verdade, movendo-se em direção a ela, que está inscrita em sua alma desde a sua criação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecer a verdade, portanto, consiste em operar ativamente um esforço de fazer com que as informações que se nos chegam através dos sentidos sejam trabalhadas interiormente pelas faculdades verdadeiramente humanas da alma, aquelas das quais nenhum animal ou máquina é capaz de gozar: a inteligência e a vontade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por aqui, quando tratamos do estudo e apontamos a sua importância para o desenvolvimento de uma vida minimamente humana, alguns atribuem a nós uma espécie de insensibilidade por, dizem, forçarmos nosso público a submeter-se a fardos desproporcionalmente pesados para as suas circunstâncias, personalidade e interesses.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, ora, qualquer um que inicie na prática da busca real pelo conhecimento da verdade, percebe que ela começa de fato como uma atividade bastante difícil, sofrível e penosa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E poderia ser de outro modo? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, esse exercício exige que nos concentremos interiormente sobre alguma verdade, inicialmente bem pequena, e que nos dediquemos por longo tempo, com paciência e constância, a tentar fazer com que a nossa inteligência enxergue o que há de essencial naquilo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando você recebe uma informação, você tem que aprender a focar a sua atenção naquilo dentro da sua alma, o que não pode ser feito olhando para fora, pois exige de fato um recolhimento interior, com a porta dos sentidos fechada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E você precisa fazer esforço para ver como as coisas realmente são, se utilizando dos dados que estão na sua imaginação e colocando-os a serviço da inteligência e da vontade.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<h2 style="padding-left: 80px;"><b><i>A linguagem é o produto mais próprio e o meio de funcionamento da inteligência.</i></b></h2>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conhecimento da verdade, então, se dá quando a inteligência encontra a essência das coisas, de alguma coisa que seja, e você, nesse esforço interior, aprende a não mais se apegar às aparências e à superficialidade e busca enxergar minimamente o que faz com que aquela coisa seja mesma ela e nada mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É isso que, em primeiríssimo lugar, se aprende no estudo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não por acaso, isso é o que sempre foi praticado no que chamamos Educação Clássica, durante a primeira etapa da educação, a Gramática do </span><i><span style="font-weight: 400;">Trivium</span></i><span style="font-weight: 400;">, a partir do momento em que uma criança chegava à idade da razão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E os primeiros elementos que se buscava conhecer nesse processo eram os que constituem a linguagem humana. Daí que se partisse de textos, sobretudo em poesia no seu mais alto nível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Só que o texto não é, ele próprio, o fim do estudo, mas o meio material mais adequado a partir do qual essa operação é realizada. E, obviamente, isso não é algo que você automaticamente sabe ou domina. </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://institutoborborema.com/2024/06/20/antes-de-comprar-livros-encontre-um-professor/"><span style="font-weight: 400;">É necessário que alguém lhe ensine</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, então, por que a linguagem era o primeiro elemento a ser considerado e explorado à exaustão nas etapas iniciais da educação? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ora, porque ela é o modo através do qual a inteligência funciona, inclusive para descrever tudo aquilo que não consiste na própria linguagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todas as realidades, inclusive o céu, o purgatório, o inferno e a própria terra, só podem ser compreendidas, expressadas e comunicadas pelo homem, até onde o seja possível, por meio da linguagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todas as coisas que são ou já foram estudadas não o são ou o foram precisamente a partir da sua representação da linguagem?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A linguagem é um ente mental da alma humana, é o produto mais próprio e o meio de funcionamento da inteligência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, como a inteligência é aquela potência que nos distingue dos animais e de todos os seres materiais, quando não a trabalhamos, quando não a colocamos para funcionar — o que, de novo, só pode ser feito com o conhecimento da verdade através da linguagem —, bem…</span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/watch?v=hgdiUL5-1c0&amp;t=974s" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Não nos é possível viver verdadeiramente como seres humanos, ainda que sejamos membros da espécie humana</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O que significa o fim dos tempos?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hilton de Albuquerque]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Aug 2024 21:44:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A simples menção ao fim dos tempos é suficiente para levar muitas pessoas à exasperação e ao desespero. Para os mais descrentes, isso não passa de uma ilusão; para os mais exasperados, o fim está próximo e os sinais são abundantes. Mas, afinal, o que significa o fim de tudo?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A simples menção ao fim dos tempos é suficiente para levar muitas pessoas à exasperação e ao desespero. Para os mais descrentes, isso não passa de uma ilusão; para os mais exasperados, o fim está próximo e os sinais são abundantes. Mas, afinal, o que significa o fim de tudo?</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" class="alignnone wp-image-53423" src="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-3-1024x360.png" alt="Fim dos tempos. Cavaleiros do Apocalipse." width="1024" height="360" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-3-1024x360.png 1024w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-3-600x211.png 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-3-300x106.png 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-3-768x270.png 768w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-3-1536x540.png 1536w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-3.png 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>


<hr />


<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<p style="padding-left: 80px;"><em>“O fim de todas as coisas está próximo. Sede, portanto, prudentes e vigiai na oração.”</em> </p>
<p style="padding-left: 80px;">(1 Pd. 4, 7)</p>
</blockquote>





<p>&nbsp;</p>
<p>O mundo vai acabar um dia? Haverá mesmo um fim dos tempos? Ele está próximo?</p>
<p>

</p>
<p>Avisos, sinais, profecias… Ao longo da história, as perguntas acima alimentaram inúmeras discussões e inspiraram todo tipo de interpretações.</p>
<p>

</p>
<p>Nos dias de hoje, esse parece ser um assunto que vem deixando as pessoas cada vez mais exasperadas e levando-as a perder precioso tempo em busca de sanar vãs curiosidades ou tratando das últimas do mundo como se fossem as notícias e fofocas mais quentes do momento. </p>
<p>

</p>
<p>Somando-se a isso as catástrofes naturais, as guerras, conflitos internacionais e o alarmismo científico, pronto: o desespero está completo. </p>
<p>

</p>
<p>Mas há fundamento nessas questões? O que significaria para nós o fim do mundo e dos tempos?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<figure class="wp-block-image">
<figure style="width: 1600px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" src="https://lh7-us.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXd64lF0XeOmQdCFucB3J1AwUfEpF1z7aIDh7QddpXJ5Od2m9tg2nCtk4_EwpYEMHrLUT3Ca6rgsgym2eiVp3BzjALycNn_jg8qEa4aw7D53zH0yHUZC-p8zKvseEQrRZAvfdoAudwY9b93ihSrhdBvYIQ4?key=GA6vg1nUmlRzesyT91LYeg" alt="Relógio do Juízo Final" width="1600" height="1140" /><figcaption class="wp-caption-text">“Doomsday clock” ou “relógio do juízo final”. Marcador criado por cientistas e atualizado anualmente para alertar sobre a proximidade do fim do mundo.</figcaption></figure>
</figure>
<p>

</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Observando as Sagradas Escrituras, os avisos do próprio Cristo de que o Seu Reino está próximo, as profecias dos justos do Antigo Testamento, as palavras dos santos doutores, as observações dos filósofos pagãos e até as crenças de outras religiões, é seguro considerar que, sim, este mundo e este tempo terão um término. </p>
<p>

</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p>

</p>
<blockquote>
<h2><strong>…o mundo teve sua manhã fresca, terá sua tarde abrasiva, seu início de noite e, enfim, também encontrará as trevas.</strong></h2>
</blockquote>
<p>

</p>
<hr />
<p>

</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A natureza, em razão da estabilidade de seus ciclos, engana os olhos mais desatentos com uma ilusão de ininterruptibilidade: o dia sempre nasce com o sol da manhã incendiando os céus de pureza e frescor; ao meio dia, o céu torna-se forte e abrasivo; depois, a luz vai caminhando para o seu ocaso até à noite, que nos absorve em plenas trevas. E tudo recomeça com uma nova aurora.</p>
<p>

</p>
<p>Nas estações do ano, uma permanece seguindo a outra continuamente: todo outono sucede um verão e inexoravelmente encontra seu inverno. O mundo segue girando, os anos passam, e a nós nada parece que vai acabar.  </p>
<p>

</p>
<p>Contudo, quando observamos bem a realidade que nos circunda para além dos ciclos ininterruptos, não temos dificuldade em perceber que todas as coisas no mundo material tendem a surgir, crescer, desenvolver-se, degenerar-se e morrer.</p>
<p>

</p>
<p>Ainda assim, o mundo continua. Vemos o tempo corroer tudo, as gerações passarem, mas o mundo permanece inteiro, dando-nos a impressão de que ele nunca terá fim.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<figure class="wp-block-image">
<figure style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://lh7-us.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXc86r95GjXEPzMlCWsVXSktSGY3oUi5fuWyCf6Pmu9y0Krb5uK6o1_bQiBejZu6TT2Sv0DCRcrRmZKcFye5OUF62b05Qg5csZVnO3rO78BjEF0bDt1CzKFfMJDHI09ksp6bx4KuPW1jNUK8vxD2OpHNRkrc?key=GA6vg1nUmlRzesyT91LYeg" alt="O fim do mundo, no filme 2012" width="1600" height="900" /><figcaption class="wp-caption-text">Cena do filme 2012, Roland Emmerich (2009)</figcaption></figure>
</figure>
<p>

</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<p>Mas, ora, se o mundo é parte da natureza e nela tudo encontra seu desfecho, faz todo sentido pensar que ele, de igual modo, teve a sua manhã fresca, terá sua tarde abrasiva, seu início de noite e, enfim, também encontrará as trevas. </p>
<p>

</p>
<p>Portanto, sim, o mundo e os tempos têm um término. </p>
<p>

</p>
<p>Só que ainda mais evidente e certo do que o fim do mundo e de todas as coisas, que não nos é dado a conhecer plenamente, é o encerramento daquele bem que nos é mais importante e caro: a nossa própria vida. </p>
<p>

</p>
<p>A nossa existência como conhecemos, humana e individual, vai acabar — e vai acabar neste mundo.</p>
<p>

</p>
<p>Mesmo que não vivamos o suficiente para contemplar fisicamente o mundo em seu último ato, o fechar das cortinas de toda a existência natural, a visão do nosso próprio desfecho não nos será furtada.</p>
<p>

</p>
<p>Esse fim, sim, é certo, próximo e iminente.</p>
<p>

</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p>

</p>
<blockquote>
<h2><strong>…o nosso mundo e o nosso tempo têm uma finalidade, um propósito a realizar.</strong></h2>
</blockquote>
<p>

</p>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<p>Além disso, em se tratando de assuntos escatológicos, a maioria das pessoas tende a restringi-los, associá-los a eventos portentosos, considerando imageticamente apenas o término, o encerramento, a conclusão do mundo como conhecemos.</p>
<p>

</p>
<p>O fim do mundo ou dos tempos pode ter, sim, essa acepção de término, no sentido que esta existência um dia será finalizada. Como já dissemos aqui e também como os professores Caio Perozzo e Raphael Tonon demonstraram na live <a href="https://www.youtube.com/watch?v=6n_7GMgKC7g&amp;t=3094s" target="_blank" rel="noopener"><em>Estamos próximos do fim dos tempos?</em></a>, essa não é uma coisa nada absurda e deve, de fato, ser tomada como verdadeira.</p>
<p>

</p>
<p>No entanto, o que se costuma ignorar é que a palavra <em>fim</em> não compreende somente o desfecho de algo, mas também a sua finalidade.</p>
<p>

</p>
<p>Daí que, quando falamos em <em>fim do mundo</em>, devemos considerar não só que ele há se extinguir-se algum dia, seja próximo ou não, mas também que ele tem uma finalidade, um propósito a cumprir.</p>
<p>

</p>
<p>E, talvez, ele já esteja de fato se encaminhando para alcançá-lo.</p>
<p>

</p>
<p>Por conseqüência, esta vida tem também uma finalidade própria.  E o limite cronológico do mundo natural e também o da nossa vida particular nos apontam que temos um tempo limitado para que a nossa individualidade, a nossa personalidade, nossa alma entre em sintonia com essa mesma finalidade. </p>
<p>

</p>
<p>Todos temos uma vocação geral à perfeição; ao mesmo tempo, cada indivíduo possui um chamado específico e, em função dele, um modo particular de alcançar essa tal perfeição. </p>
<p>

</p>
<p>Portanto, numa escala geral, o nosso mundo e o nosso tempo têm uma finalidade, um propósito a realizar. E, na escala humana individual, também há um tempo para que cumpramos certa finalidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<figure class="wp-block-image">
<figure style="width: 1438px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://lh7-us.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXf9TdRV94_0pH8dneYvKrpRuxYDMIzmy0SOIIfCTXTLS38ik9oiXddsGSv2rIyQUFAJEIhskF5i3EpUQHUOoNKkKjJokGkHUwq-pxS4_ajNZo-POuyfsgnN76_Tcw6evDxV_YmrMxPm0IsKqKli16J6iucZ?key=GA6vg1nUmlRzesyT91LYeg" alt="O juízo final" width="1438" height="700" /><figcaption class="wp-caption-text">O Juízo Final, de Fra Angelico. Basilica di San Marco, Florença, Itália.</figcaption></figure>
</figure>
<p>

</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<p>No Evangelho de São Mateus (24, 42-44), a respeito de Sua última vinda, vemos Nosso Senhor dizer:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<blockquote>
<p style="padding-left: 80px;"><em>“Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor. Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes.”</em></p>
<p>&nbsp;</p>
</blockquote>
<p>

</p>
<p>Essa e tantas outras passagens das Escrituras, bem como os ensinamentos dos santos doutores, deveriam nos mostrar que o Cristo, Senhor de todas as coisas, nos apontou sobre o fim dos tempos tudo aquilo que julgou útil para que pudéssemos encontrar a nossa própria finalidade neste mundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<hr />
<p>

</p>
<blockquote>
<h2><strong>Este é o verdadeiro fim dos tempos, do mundo e da nossa vida…</strong></h2>
</blockquote>
<p>

</p>
<hr />
<p>

</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não é à toa que, na <em>Salve Rainha</em>, nos referimos ao mundo como um exílio e um vale de lágrimas, pois esta existência é como um mar bravio no qual se perde e afunda o navio, e nós, como náufragos, estamos nela de passagem, em busca da Pátria definitiva. </p>
<p>

</p>
<p>E, se estamos aqui de passagem, não parece razoável ignorar que um dia tudo encontrará seu fim, porque, afinal, precisamos estar todos juntos novamente em algum momento.</p>
<p>

</p>
<p>Mas o que determinará aqueles que, entre todos os viventes, estarão real e definitivamente juntos, resgatados deste naufrágio, seguros na Pátria Celeste, não é o fim do mundo, e sim como cada um encontrou sua finalidade individual.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>

</p>
<blockquote>
<p style="padding-left: 80px;"><em>“Então, o Rei dirá aos que estão à direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo” </em>(Mt 25, 34).</p>
<p>&nbsp;</p>
</blockquote>
<p>

</p>
<p>Essas serão as palavras ouvidas por aqueles que vivem na graça, pela graça e com a graça e, tendo completado a carreira, encontrarão, por fim, o prêmio da bem-aventurança.</p>
<p>

</p>
<p>Eis aí a finalidade deste exílio, deste vale de lágrimas. Este é o fim último do mundo, dos tempos e da nossa vida — humana e individual. </p>
<p>

</p>
<p>Se tememos, se nos aterrorizamos ante a idéia do término de tudo, é sinal de que, no interior do nosso coração, há uma sede por algo que está para além deste desterro. Daí que<a href="https://institutoborborema.com/2024/05/07/tempo-e-dinheiro-a-moeda-que-se-pode-trocar-pela-eternidade/"> o tempo seja disposto ao nosso usufruto como uma moeda para que possamos “trocar” pela eternidade</a>.</p>
<p>

</p>
<p>Por isso, é benfazejo que o mundo e o tempo realmente encontrem seu término e que tudo seja abraçado pela eternidade, porque só ali, aquela sede poderá ser saciada.</p>
<p>

</p>
<p>Não devemos, contudo, esperar sinais portentosos, cataclismas ou destruições em massa, pois o desfecho que nos é mais iminente chegará sem aviso.</p>
<p>

</p>
<p>Precisaremos estar prontos <em>“para que, vindo de repente, ele não nos encontre dormindo” </em>(Mc 13, 36). </p>
<p>E isso implica, evidentemente, em dedicar-se diariamente ao verdadeiro desenvolvimento do organismo sobrenatural, para que a alma esteja cada vez mais conforme ao seu fim último; mas, além disso, em conhecer os inimigos que apresentam-se como obstáculos ao pleno desenvolvimento do espírito, para não deixar-se seduzir pelos falsos caminhos que oferecem.</p>
<p>Tais inimigos agem por diversos meios e a partir de diversos lugares, inclusive, desde dentro da própria Igreja, se utilizando de sua estrutura para fazer perder as almas. E nós devemos saber como agir para combatê-los, sem nos deixarmos desviar.</p>
<p><strong>Precisamente por esse motivo, lançamos um curso inédito sobre a crise na Igreja, ministrado pelos professores Mateus Mota Lima e Caio Perozzo, apresentando uma análise prudencial para iluminar nossas ações e decisões nestes tempos difíceis.</strong></p>
<p><strong>E você pode assistir gratuitamente à gravação da aula inaugural do curso, em nosso canal do YouTube. Basta clicar no link abaixo:</strong></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=prVlf-odNJ4&amp;t=38s" target="_blank" rel="noopener"><span style="color: #0000ff;"><strong>ASSISTA À AULA GRATUITA</strong></span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p></p>]]></content:encoded>
					
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		<title>A crise de pastores: Quando as ovelhas não mais reconhecem a voz do seu pastor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jul 2024 23:19:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Catolicismo]]></category>
		<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Espiritual]]></category>
		<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
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					<description><![CDATA[A Igreja vive uma crise pastores, e nós, como ovelhas, encontramo-nos perdidos, buscando aqueles cuja voz reconheçamos, que andem à nossa frente, conduzindo-nos através da porta do aprisco para a pastagem. Mas como podemos encontrá-los em meio a tantos salteadores?
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A Igreja vive uma crise pastores, e nós, como ovelhas, encontramo-nos perdidos, buscando aqueles cuja voz reconheçamos, que andem à nossa frente, conduzindo-nos através da porta do aprisco para a pastagem. Mas como podemos encontrá-los em meio a tantos salteadores?</span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-53896" src="http://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/07/photo-1423766111988-c47a5ff6ed06.avif" alt="Crise de pastores &quot;A ovelha reconhece a voz do seu pastor&quot;" width="1634" height="917" /></p>
<hr />
<blockquote>
<p style="padding-left: 80px;"><i><span style="font-weight: 400;">“De fato, não há dois (evangelhos): há apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas, ainda que alguém — nós ou um anjo baixado do céu — vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema.”</span></i></p>
<p style="padding-left: 80px; text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">(Gl 1, 7-8)</span></p>
</blockquote>
<p><a href="https://institutoborborema.com/2024/07/15/a-atual-crise-na-igreja/"><span style="font-weight: 400;">No último texto que publicamos no blog</span></a><span style="font-weight: 400;">, falamos da crise que enfrenta a Igreja e de como a religião instituída por Cristo sobre a fé de São Pedro parece estar desmoronando ao nosso redor, sendo consumida pela doença do relativismo e da secularização.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto ela habita no mundo um deserto hostil que lhe ataca por todos os lados a fim de fazê-la ruir, muitos daqueles que deveriam cuidar em preservá-la, conservá-la como um refúgio seguro para almas desterradas, estão deixando-se seduzir pelas ilusões do deserto, tornando-se, eles mesmos, causa de perdição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, pastores têm abandonado o Evangelho que receberam, abraçado doutrinas estranhas e professado uma fé diversa, levando suas ovelhas à confusão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabemos que, quanto a isso, não há novidade. Maus e falsos pastores, propagadores do erro e da desordem, sempre tivemos — e registros não nos faltam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São Paulo, por exemplo, em sua epístola aos gálatas, se volta duramente aos cristãos da Galácia para advertir-lhes da presença de falsos doutores que andavam entre eles a semear confusão, pregando um evangelho de mentira.</span></p>
<blockquote>
<p style="padding-left: 80px;"><i><span style="font-weight: 400;">“Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado!”</span></i></p>
<p style="padding-left: 80px; text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">(Gl 1, 9)</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Sempre se soube que qualquer um que se apresente como portador de uma verdade diferente daquela que fora revelada por meio das Escrituras e da Tradição, e guardada pelo sagrado Magistério ao longo destes dois mil anos não tem parte com a Igreja de Cristo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas agora isso parece estar esquecido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quantos exemplos não conhecemos de sacerdotes que utilizam o púlpito somente para pregar doutrinas estranhas e absurdas, por vezes opondo-se abertamente ao credo que professamos, ridicularizando os sacramentos, banalizando o Santo Sacrifício… e que seguem causando escândalos livremente e sem reprimendas?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, quantos não são os bons padres e bispos que dedicam-se inteiramente à missão com a qual foram instituídos, conduzindo as almas sob sua tutela pelos caminhos da verdadeira vida, propagando a verdade e condenando o erro, e que são perseguidos, atacados e até condenados ao ostracismo e à excomunhão formal?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não à toa, a muitos não restam dúvidas de que a crise pela qual estamos passando nestes tempos seja a maior na história da Igreja e tudo o que nos sustenta e sempre se lutou para conservar pareça estar realmente ruindo.</span></p>
<hr />
<blockquote>
<h2 style="padding-left: 40px;"><b>Uma crise de fala: as ovelhas querem e precisam ouvir, mas carecem de pastores que lhes falem.</b></h2>
</blockquote>
<hr />
<p><span style="font-weight: 400;">O historiador e filósofo alemão, Eugen Rosenstock-Huessy, em seu livro </span><i><span style="font-weight: 400;">A origem da linguagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, nos dá uma definição de </span><i><span style="font-weight: 400;">crise</span></i><span style="font-weight: 400;"> que muito ilustra o que temos enfrentado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao tratar da crise como uma doença da fala, ele diz que, nela, </span><i><span style="font-weight: 400;">“nós não achamos ninguém para nos falar”</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, “</span><i><span style="font-weight: 400;">na crise, poucas pessoas estão dispostas a dar ordens para falar com poder original do discurso, com o poder de direção”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E define: </span><i><span style="font-weight: 400;"> “A crise consiste em não dizer aos amigos o que fazer”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ou seja, a crise se dá quando há uma massa ou uma comunidade de pessoas que precisam de uma orientação, isto é, necessitam que alguém lhes conduza, lhes fale o que devem fazer, e simplesmente não há quem fale.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De novo: essa descrição é feita no contexto da <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zJGJDWqoJco&amp;t=1074s" target="_blank" rel="noopener">crise como sendo uma doença da fala</a>. Mas não se assemelha, em muito, com o que temos passado na Igreja atualmente?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Claro, pois não é essa crise geral também — talvez, sobretudo — uma crise de pastores?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Evangelho de São João, vemos Nosso Senhor dizer que as ovelhas reconhecem a voz do seu pastor:</span></p>
<blockquote>
<p style="padding-left: 80px;"><i><span style="font-weight: 400;">“Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p style="padding-left: 80px;"><i><span style="font-weight: 400;">“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p style="padding-left: 80px; text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">(São João 10, 14 e 27)</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas e quando os pastores falam com uma voz que não reconhecemos? E quando emitem palavras que nos desorientam, fazendo com que nos sintamos perdidos, como ovelhas sem pastor?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como descrito por Rosenstock-Huessy, as ovelhas querem e precisam ouvir, mas carecem de pastores que lhes falem.</span></p>
<hr />
<blockquote>
<h2 style="padding-left: 40px;"><b>Há uma crise de pastores, e ela está em pleno curso. </b></h2>
</blockquote>
<hr />
<p><span style="font-weight: 400;">No Catecismo da Doutrina Cristã, na questão 118, vemos que:</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<blockquote>
<p style="padding-left: 80px;"><i><span style="font-weight: 400;">“Jesus Cristo instituiu a Igreja para que os homens encontrassem nela a direção segura e os meios de santidade e de salvação eterna.”</span></i></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para isso, com autoridade divina, constituiu a Igreja sobre três múnus: ensinar, governar e santificar. E a esses três poderes está indissociavelmente ligada toda hierarquia eclesiástica — os padres, os bispos e o próprio papa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então cabe a todos os pastores o dever de ensinar a fé e a moral verdadeiras; de governar, a fim de conduzir os fiéis de maneira segura; e de santificar, tendo, para isso, também o poder de conferir os sacramentos que Deus instituiu para a nossa salvação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o que temos visto é que nossos clérigos, em boa parte, se não desconhecem, ignoram completamente tais deveres e deles fazem pouco caso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No lugar da fé e da moral verdadeiras, propagam uma fé e uma moral fabricada — por si ou por terceiros; pautam seus discursos, sermões e escritos segundo interesses escusos próprios ou suscitados pelas ideologias de que são seguidores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não demonstram preocupar-se em santificar sequer a si mesmos, tampouco os fiéis que deveriam assistir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, assim, não conduzem ovelha alguma senão para fora da Igreja — não à toa suas assembléias encontrem-se cada vez mais vazias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Onde, então, podemos encontrar a </span><i><span style="font-weight: 400;">“direção segura e os meios de santidade e salvação eterna”</span></i><span style="font-weight: 400;">?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A quem recorrer, quando não há quem nos fale </span><i><span style="font-weight: 400;">“com o poder de direção”</span></i><span style="font-weight: 400;">?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Veja, não vá o mais precipitado dos leitores crer que estamos empreendendo um tipo de ginástica argumentativa para incentivar a adesão a alguma posição sedevacantista — nós mesmos tampouco aderimos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, também não podemos assentir a malabarismos retóricos para defender os erros e os abandonos praticados por parte de nossas autoridades eclesiásticas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há, sim, uma crise de pastores, e ela está em pleno curso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como ovelhas, encontramo-nos perdidas, buscando — como disse Nosso Senhor no mesmo capítulo 10 do Evangelho de São João, que já citamos — aqueles cuja voz reconheçamos, que andem à nossa frente, conduzindo-nos através da porta do aprisco para a pastagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim, eles existem e chamam-nos com voz sincera à sua condução. Mas há, espalhados entre eles, muitos salteadores, pelos quais não podemos nos deixar confundir.</span></p>
<p>Precisamos, então, saber como discerni-los e conhecer a conduta verdadeiramente católica diante desses e daqueles para que não nos percamos por caminhos errados.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">É exatamente por essa razão que lançaremos, no próximo dia 08 de agosto, o curso </span><strong><i>“Crise na Igreja: Como podemos agir nesses tempos difíceis”</i></strong><span style="font-weight: 400;">, com os professores Mateus Mota Lima e Caio Perozzo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E a live de lançamento será uma boa oportunidade para aqueles que notam a gravidade do assunto e desejam verdadeiramente saber qual a postura e as ações mais prudentes para estes tempos difíceis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para assistir à live e acompanhar as nossas comunicações a respeito do curso, <strong>faça a sua inscrição gratuitamente</strong>, através do link abaixo:</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="https://institutoborborema.com/crise-na-igreja/"><span style="font-weight: 400;">https://institutoborborema.com/crise-na-igreja/</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></span></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Qual a solução para a Crise na Igreja?</title>
		<link>https://institutoborborema.com/2024/07/15/a-atual-crise-na-igreja/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jul 2024 19:51:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Catolicismo]]></category>
		<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Espiritual]]></category>
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					<description><![CDATA[A Igreja está em crise, e as provas que o demonstram são quase incontáveis e estão visíveis a todos que o queiram perceber. Muitos são os caminhos oferecidos, mas poucos os que deveríamos seguir.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A Igreja está em crise, e as provas que o demonstram são quase incontáveis e estão visíveis a todos que o queiram perceber. Muitos são os caminhos oferecidos, mas poucos os que deveríamos seguir.</span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-53681 aligncenter" src="http://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/07/1201-frame.jpg" alt="A crise na Igreja

&quot;Jesus acalma a tempestade&quot;" width="1280" height="720" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/07/1201-frame.jpg 1280w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/07/1201-frame-600x338.jpg 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/07/1201-frame-300x169.jpg 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/07/1201-frame-1024x576.jpg 1024w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/07/1201-frame-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></p>
<hr />
<blockquote>
<p style="padding-left: 120px;"><i><span style="font-weight: 400;">“Subiu ele a uma barca com seus discípulos. De repente, desencadeou-se sobre o mar uma tempestade tão grande, que as ondas cobriam a barca. Ele, no entanto, dormia. Os discípulos achegaram-se a ele e o acordaram, dizendo: ‘Senhor, salva-nos, nós perecemos!’. E Jesus perguntou: ‘Por que este medo, gente de pouca fé?’”</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p style="padding-left: 120px;"><span style="font-weight: 400;">(Mt 8, 23-26)</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da história, muitas foram as tempestades que se precipitaram sobre a Igreja, lançando contra ela ondas violentas e ameaçadoras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Perseguições, ataques, traições, heresias… Continuamente, cristãos ao redor do mundo viram a barca que deveria conduzir-lhes a terra segura, a Pátria Celeste, ser agitada por ventos intensos num mar revolto disposto a fazê-la naufragar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato constante em todas as épocas, a nossa não haveria de passar incólume às suas próprias tormentas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Igreja está em crise, e as provas que o demonstram são quase incontáveis e estão visíveis a todos que o queiram perceber.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vemos uma sociedade inteiramente secularizada, altares sendo esvaziados, os sacramentos sendo banalizados e fiéis vivendo como ovelhas perdidas, desorientadas, enquanto muitos dos <a href="https://www.youtube.com/watch?v=e-2CxflLNyA" target="_blank" rel="noopener">pastores que deveriam guiá-los</a>, ser para eles rocha firme, agem como verdadeiras pedras de tropeço, mais distanciando do que levando-os ao caminho da salvação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E tudo tem se intensificado num nível tal, que somos levados a pensar que talvez esta seja uma crise sem precedentes, a maior e mais danosa já enfrentada em toda a história cristã; e a desejar que Senhor “desperte” de Seu sono e venha ordenar que se calem os ventos e se aquiete o mar.</span></p>
<hr />
<blockquote>
<h2><b>Sim, há uma crise na Igreja; ela é grave e generalizada</b></h2>
</blockquote>
<hr />
<p><span style="font-weight: 400;">Daí que, aos mais desesperados, pareça não haver solução; se as portas do inferno não estão prevalecendo, estão soltando-se de suas dobradiças e liberando sobre a Igreja um sopro tenebroso e corrosivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para esses, resta apenas o alarde inerte, confuso e desesperado ou o ativismo precipitado que acaba por levá-los a erros cujas conseqüências podem ser graves.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outros, no entanto, se percebem tal crise, dela não fazem muita conta — a Igreja sempre esteve em crise, então não há que se preocupar com ela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E há ainda aqueles que crêem não haver crise alguma, que o que há, na verdade, não passa de confusão gerada por radicais apegados a uma tradição vazia e ultrapassada e que se recusam a aceitar um progresso social e eclesiástico.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não precisamos dizer que as três posturas são perigosas e que, apesar de materialmente distintas — em percepção, disposição e ação —, levam essencialmente ao mesmo resultado: o agravamento da crise e o avanço dos inimigos que a instrumentalizam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim, há uma crise na Igreja; ela é grave e generalizada: uma crise de fé, de pastores, vocacional, ministerial, litúrgica, comunitária…</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os fundamentos da cultura e da religião que conhecemos parecem estar desmoronando ao nosso redor, consumidos pela praga do relativismo, da secularização, do egoísmo, da irracionalidade e da superficialidade, numa marcha acelerada para o total <a href="https://institutoborborema.com/2024/03/15/vazio-de-sentido/">vazio de sentido</a>.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E a Igreja, que, em crises passadas, sempre manteve-se firme e resistente, tal qual uma árvore sozinha no deserto do mundo, a servir como um refúgio de sombra e alimento àqueles que caminham sobre terra árida, quente e hostil, agora parece não mais oferecer refúgio, sombra nem alimento, pois o deserto tem atacado seus ramos, fazendo-lhes murchar e secar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, muitos daqueles que a representam e que deveriam velar por ela, regá-la e fazê-la germinar abundantemente, têm se deixado seduzir pelas ilusões do deserto, renegando os poderes e deveres — de governar, educar e santificar — com os quais foram constituídos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabemos, contudo, que por mais hostil que seja o deserto, por mais intempéries que lance sobre essa árvore, ela não pode ser morta ou derrubada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em quantos momentos ao longo dos tempos, desde a sua fundação sobre a fé de São Pedro, ela não enfrentou secas e tempestades e se manteve de pé porque alguns corações conservaram-se firmes nesta mesma fé?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não foi guardada ela em apenas um coração, quando, na Paixão, por todos foi abandonada em razão do medo e negada até pela rocha sobre a qual foi edificada?</span></p>
<hr />
<blockquote>
<h2><b>Devemos permanecer plenamente unidos à Igreja, mas atentos, é claro, à doença que tenta alastrar-se por ela</b></h2>
</blockquote>
<hr />
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, conquanto o próprio Cristo, ao fundar Sua Igreja, tenha prometido que as portas do inferno nunca haveriam de prevalecer contra ela, garantias não temos de que não prevalecerão contra nós, individualmente, a depender da nossa própria conduta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E numa crise como a que enfrentamos agora é quando as forças inimigas — estejam elas agindo desde fora ou infiltradas na hierarquia eclesiástica — encontram o terreno mais adequado para levar a perder o maior número de almas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como, então, devemos agir diante da atual crise na Igreja, para que permaneçamos fiéis ao Evangelho de Cristo, unidos ao Seu corpo místico, e preservemos a nós e tantos quantos nos sejam possíveis de sermos iludidos pelas miragens do deserto ou engolidos pelas ondas na tempestade por que passamos?</span></p>
<blockquote>
<p style="padding-left: 120px;"><i><span style="font-weight: 400;">“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto”</span></i><span style="font-weight: 400;">, diz Nosso Senhor, no capítulo 15 de São João.</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A Igreja, como dissemos, é o corpo místico de Cristo, portanto é também, unida a Ele, a “videira verdadeira”, que Deus nutre para que Lhe renda frutos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nós, diante dos males que a infectam, permanecemos inertes, indiferentes, seremos — se já não estamos — contaminados por eles e nos tornaremos incapazes de dar frutos, como um ramo infértil, doente, que precisa ser cortado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se, por outro lado, movidos pelo desespero, buscarmos agir precipitadamente, podemos acabar desprendendo a nós mesmos da videira que nos sustenta. Mas </span><i><span style="font-weight: 400;">“o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira”</span></i><span style="font-weight: 400;"> — ninguém pode podar a si mesmo para que dê frutos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tomando qualquer uma dessas posturas, o desespero ou a indiferença, nosso desfecho será igualmente trágico: </span></p>
<blockquote>
<p style="padding-left: 120px;"><i><span style="font-weight: 400;">“Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e será queimado.”</span></i></p>
<p style="padding-left: 120px;"><span style="font-weight: 400;">(São João 15, 4-6)</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Devemos, então, permanecer plenamente unidos à videira — a </span><i><span style="font-weight: 400;">“videira verdadeira”</span></i><span style="font-weight: 400;"> —, mas atentos, é claro, à doença que tenta alastrar-se por ela, para que não sejamos, como muitos ramos, também contaminados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para isso, precisamos amá-la, o que pressupõe conhecê-la profundamente; e conhecer também as raízes da crise que tem nela se infestado, de modo que saibamos agir prudentemente para combatê-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É por esse motivo que nós, considerando a preocupação geral, sobretudo dos nossos alunos, além dos falsos caminhos e soluções imprudentes que vêm sendo amplamente oferecidos, decidimos apresentar um conteúdo sobre o assunto.</span></p>
<p><strong>No dia 08 de agosto, lançaremos o curso <span style="text-decoration: underline;"><i>Crise na Igreja: Como podemos agir nesses tempos difíceis</i></span>, ministrado pelos professores Mateus Mota Lima e Caio Perozzo.</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nosso objetivo é que você possa conhecer mais profundamente a atual crise na Igreja e os caminhos possíveis e coerentes com a fé católica para estes tempos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A aula inaugural acontecerá no mesmo dia 08, e você pode </span><b>se inscrever gratuitamente</b><span style="font-weight: 400;">, através do link abaixo:</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="https://institutoborborema.com/crise-na-igreja/"><span style="font-weight: 400;">https://institutoborborema.com/crise-na-igreja/</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></span></p>
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		<title>Antes de comprar mais livros, encontre um professor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Jun 2024 20:28:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem Categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Educação Clássica]]></category>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[Existe uma ilusão de que uma montanha de livros e a sua leitura incontinente é suficiente para o desenvolvimento da inteligência. Acontece que, mais do que de livros, nós precisamos de um professor.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Existe uma ilusão de que uma montanha de livros e a sua leitura incontinente é suficiente para o desenvolvimento da inteligência. Acontece que, mais do que de livros, nós precisamos de um professor.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="448" class="wp-image-53409" src="http://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor-1024x448.jpg" alt="" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor-1024x448.jpg 1024w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor-600x263.jpg 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor-300x131.jpg 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor-768x336.jpg 768w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/CapaProfessor.jpg 1142w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />


<p>Nós já falamos tantas vezes em textos passados sobre a importância da literatura para o desenvolvimento da linguagem e da inteligência, que a um leitor mais alheio ao trabalho do Instituto Borborema, que não esteja tão familiarizado com a nossa proposta educacional, pode ter restado uma impressão falha acerca do assunto.</p>



<p>O sujeito pode acabar pensando:</p>



<p><em>“Se é assim, eu vou comprar o máximo de livros que o meu dinheiro permitir e que as minhas estantes puderem armazenar. Vou ler, ler e ler, até ficar inteligente.”</em></p>



<p>Somando a essa impressão a infestação de intelectuais nas redes sociais com suas paredes cheias de livros, as recomendações de leituras que fazem diariamente e uma espécie de fetiche literário que tem tomado cada vez mais pessoas nestes tempos, ele se vê justificado.</p>



<p>Daí, pode ser que logo esteja pedindo indicações de autores, gêneros, temas, dos mais variados e mais desconexos, montando listas, pesquisando técnicas de memorização… lendo tudo e acreditando estar tornando-se cada vez mais inteligente.</p>



<p>Não, não siga por esse caminho. Você pode acabar como apenas mais um no grupo dos “amantes de livros”, enganado pela ilusão de estar fazendo um bem tremendo à sua inteligência ao devorar, como um glutão, alimentos que sequer tem condições de digerir.</p>



<p>Precisamente a esse grupo o Padre Sertillanges já advertia, em seu <em>A vida intelectual:</em></p>



<p><em>“O que proscrevo é a paixão de ler, a compulsão, a intoxicação pelo excesso de alimento espiritual, a preguiça disfarçada que prefere o convívio fácil ao esforço. </em></p>



<p><em>A ‘paixão’ pela leitura, que muitos honram como uma preciosa qualidade intelectual, é, na verdade, uma tara. A leitura desordenada entorpece o espírito, não o alimenta, torna-o pouco a pouco incapaz de reflexão e concentração e, por conseguinte, de produção [&#8230;].”</em></p>



<p>Essa ânsia pela leitura, se não é orientada, ordenada, se carece de um preparado e um guiamento adequado, de nada serve à inteligência, muito menos ao espírito. Na verdade, causa muito mais males do que o bem que se imagina.</p>



<p>Afinal, ainda que leia muito e prime pelos melhores escritos já produzidos pela humanidade, quem garante que você conseguirá decodificar adequadamente os termos e símbolos neles registrados? Quem garante que está suficientemente munido dos instrumentos essenciais para a plena compreensão do que lê?</p>



<p>Não fomos nós submetidos por anos a uma educação sócio-construtivista cujo maior mérito é o aleijamento da alma e das faculdades intelectivas?</p>



<p>Não deveríamos, portanto, considerar que também nós sofremos e carregamos os seus efeitos?</p>



<p>De que adiantam, então, as nossas montanhas de livros, se não buscarmos, antes de construí-las, curar nossa inteligência dessas feridas abertas e em decomposição, para que, enfim, consigamos escalá-las?</p>
<p>&nbsp;</p>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />


<h2 class="wp-block-heading"><strong><em>É imprescindível a presença de uma pessoa que faça uma mediação da nossa relação com o livro quando não sabemos ler adequadamente.</em></strong></h2>


<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />


<p>&nbsp;</p>
<p>O título deste texto pode ter ecoado em sua mente como um mero <em>clickbait</em>, um artifício para forçar você a esta leitura. Mas o que buscávamos com ele era transmitir uma necessidade que é real para a maioria absoluta dos brasileiros que passaram pela educação vigente e que estão inseridos em nossa cultura.</p>



<p>Porque, sim, antes de comprar e ler mais livros, talvez você precise encontrar um professor.</p>



<p>Então, se você está lendo este texto ansioso para voltar à aba ao lado e fechar o carrinho da sua nova remessa de livros, espere um pouco. Primeiro, tente investigar se não é essa a sua situação.</p>



<p>Algum leitor pode argumentar que até o professor Olavo de Carvalho, ainda nas primeiras aulas do Curso Online de Filosofia, dizia que seus alunos tinham de construir uma vasta biblioteca e ler tudo o que pudessem ter acesso da literatura ficcional, do teatro grego etc.</p>



<p>Acontece que a sua exortação partia da consciência do poder que a literatura tem como instrumento para o aperfeiçoamento da linguagem, e também do que um <a href="https://institutoborborema.com/2024/05/09/a-suspensao-do-juizo-moral-aprendendo-a-ler-literatura-com-o-estrangeiro-de-albert-camus/"><mark class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color" style="background-color: rgba(0, 0, 0, 0);">livro representa na cultura</mark></a>, por não estar, ao menos o bom livro, adstrito às contingências do tempo.</p>



<p>Afinal, a habilidade de fugir da platitude, da literalidade da linguagem corrente ou do discurso político e ideológico é um dos meios mais essenciais que os artistas, por meio da literatura, têm para elevar a língua e a cultura até possibilidades de expressão que não poderiam ser alcançadas de outra forma.</p>



<p>Mas o mesmo Professor Olavo, anos mais tarde, reconheceu ter cometido um erro de cálculo, tendo julgado que seus alunos estariam em um nível superior àquele em que realmente se encontravam, ou seja, que eles ainda não teriam sido tão afetados pela deterioração cultural e educacional em curso há tantas décadas.</p>



<p>Nós já cansamos de falar e de ter experiências que comprovam, dia após dia, que as pessoas estão realmente incapacitadas para a leitura. Afinal de contas, são muitos e muitos anos de toda essa degradação.</p>



<p>Querendo ou não, toda a nossa cultura presente nos impõe uma série voraz e bárbara de dissonâncias cognitivas e de confusões simbólicas que nos deixaram completamente desorientados, pois a nossa linguagem foi anulada e, assim, a nossa inteligência foi deformada.</p>



<p>Não à toa, a <a href="https://institutoborborema.com/formacao-classica-do-ib-assinatura/?gad_source=1&amp;gclid=Cj0KCQjw0ruyBhDuARIsANSZ3wqv3dmN2SK-wtp0AA2QoA-ihIWuP6sqstCt4HQQfikPlIpk_tCDDZMaAhbREALw_wcB"><mark class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color" style="background-color: rgba(0, 0, 0, 0);">Formação Clássica do IB</mark></a> trabalha especialmente sobre a nossa relação com a linguagem. E isso parte da consciência de que nós perdemos a noção do uso da linguagem, seja no dia a dia, nos seus contextos mais vulgares, seja no que se refere a ela em seu registro mais elevado e exigente, como encontramos na alta literatura.</p>



<p>Acontece que quando falamos sobre isso, alguns podem ver apenas um discurso retórico que visa a venda do que oferecemos. É como se estivéssemos tentando vender uma idéia infundada de que as pessoas têm um problema e que somos nós os possuidores da solução.</p>



<p>Mas, creia ou não, isso é uma descrição objetiva de um dado real, atual e imediato.</p>



<p>Como, numa situação como a nossa, depois de passar uma vida inteira tendo nossas potências mais singulares silenciadas, soterradas sob camadas e mais camadas de enganos e ilusões, nós seríamos capazes, por força própria, de preencher as lacunas da nossa inteligência, da nossa própria alma, e levá-las à plenitude?</p>



<p>Assim, como disse o Professor Caio Perozzo, na live <a href="https://www.youtube.com/watch?v=NKYfYbiZtSs" target="_blank" rel="noopener"><em><mark class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color" style="background-color: rgba(0, 0, 0, 0);">Uma montanha de livros para alpinistas aleijados</mark></em></a>, como nós poderíamos escalar a montanha de livros e, de lá, contemplar tudo o que há embaixo e ver a vida humana desde um ponto de vista mais sublime e mais alto? Afinal, esses alpinistas são, de fato, aleijados.</p>



<p>Ainda que tenhamos os melhores livros, os melhores escritos e autores, quantos são os leitores capazes de ler efetivamente?</p>



<p>Por isso, dizemos que, não, não é possível desenvolver a inteligência e se educar por meio de livros. A educação depende — sempre e sempre — de um professor.</p>



<p>É imprescindível a presença de uma pessoa que faça uma mediação da nossa relação com o texto quando não sabemos ler adequadamente. E é dessa mediação que conseguiremos extrair os instrumentos para que depois, finalmente, consigamos fazer uma leitura autônoma.</p>



<p>De outro modo, a leitura de livros e obras da literatura será um alimento não para o desenvolvimento da inteligência, mas para a satisfação daquele fetiche que condenava Sertillanges.</p>



<p>O problema é que muitos são cegados por uma vaidade que não lhes permite reconhecer que não sabem ler devidamente e que precisam de alguém para ajudá-los.</p>



<p>Em relação a esses, resta-nos a esperança de que venham a ser libertados de sua cegueira. E isso confirma, mais uma vez, que o nosso trabalho e de alguns outros que seguem no cumprimento de igual missão precisa continuar. </p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Sim, você precisa estudar latim</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Jun 2024 20:42:40 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Latim]]></category>
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					<description><![CDATA[O estudo do latim é talvez o elemento da pedagogia clássica mais negligenciado e o que mais enfrenta descrença no nosso meio cultural. Mas ele é essencial para o desenvolvimento da sua inteligência; e nós explicaremos por quê.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O estudo do latim é talvez o elemento da pedagogia clássica mais negligenciado e o que mais enfrenta descrença no nosso meio cultural. Mas ele é essencial para o desenvolvimento da sua inteligência; e nós explicaremos por quê.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="886" height="646" src="http://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/Imagem1.png" alt="Latim - Eneida" class="wp-image-53098" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/Imagem1.png 886w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/Imagem1-600x437.png 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/Imagem1-300x219.png 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/Imagem1-768x560.png 768w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /></figure>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/>



<p></p>



<p>Dentre os elementos constituintes da nossa proposta pedagógica, do modelo educacional que pregamos e pelo qual advogamos ao longo de todos esses anos de atuação pública do Instituto Borborema, aquele enfrenta mais resistência certamente é o latim.</p>



<p>É fato que cada vez mais pessoas têm sido despertadas para a realidade de privação intelectual à qual todos foram submetidos e para a importância de se buscar <a href="https://institutoborborema.com/2024/05/09/por-que-seu-filho-deve-ler-literatura-paga/">um restabelecimento da inteligência por meio de boas obras da literatura</a>.&nbsp;</p>



<p>Mas, quando se propõe a leitura de boas obras de literatura escritas em língua latina e o estudo aprofundado desse mesmo idioma, não se costuma observar mais do que desprezo e até certa aversão.</p>



<p>Para muitos, essa proposta não passa de um intento saudosista de mentes aficionadas por uma tradição já superada, inconformadas com o progresso cultural e intelectual — pura vaidade intelectual, acreditam.</p>



<p>Outros até percebem algum valor nisso, mas julgam ser um fardo muito pesado para si e não estão dispostos a carregá-lo ou se julgam incapazes de fazê-lo. Afinal, o processo é realmente árduo e exige esforço, doação e sacrifício, o que é de se esperar em relação a um bem verdadeiramente elevado.</p>



<p>Acontece que o estudo do latim é, sim, um instrumento essencial — o mais essencial, diríamos — para o pleno desenvolvimento das capacidades intelectivas de todo e qualquer indivíduo nascido em uma sociedade ocidental filha de uma tradição que tem a língua latina em sua raiz.</p>



<p>Dito de outro modo, se você deseja alcançar a verdadeira inteligência, não tem jeito: você precisa estudar latim. Inúmeras são as razões que o justificam. Vejamos algumas.</p>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<h2 class="wp-block-heading"><strong><em>O latim é especialmente adequado para treinar e dar forma à nossa inteligência…</em></strong></h2>
</blockquote>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p></p>



<p class="has-text-align-left">A primeira delas nasce do fato de que a inteligência humana é eminentemente discursiva, isto é, ela não tem a capacidade de captar e compreender, de maneira intuitiva, imediata e profunda, todos os aspectos da realidade concreta. </p>



<p>Portanto, para aprofundar-se nesta mesma realidade, ela o faz por meio do discurso: a partir de elementos e verdades já captados, ela extrai informações, relacionando-as com aquilo que ainda não foi captado. E para que se possa fazer isso, é preciso que você seja capaz de comparar essas informações e, mais importante, de reter aquelas que já foram compreendidas.&nbsp;</p>



<p>Ou seja: a inteligência capta uma verdade e a inclina em direção a outra por meio de raciocínios, de modo que, de uma verdade captada para outra, seja construída uma cadeia de raciocínios. Agora, para construir essa cadeia de raciocínios, nós precisamos nos lembrar daquilo que está na base, fixar os pontos que hão de sustentar toda a cadeia.</p>



<p>Daí que a inteligência em muito se beneficie do estudo racional da linguagem por meio de textos — e aqui entra o latim.&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cWbl_BlK0Es" target="_blank" rel="noopener">Em um dos vídeos do nosso canal no YouTube</a>, o professor Fábio Florence defendeu que o latim, em sua forma mais desenvolvida, é um idioma muitíssimo bem estruturado e articulado e que prima pelo uso de períodos gramaticais longos. E, para a compreensão de períodos gramaticais longos, você precisa, além de fazer a análise sintática dos termos, reter as informações apresentadas para, chegando ao final do período, lembrar-se do que foi dito no começo.</p>



<p>Então, por possuir essa articulação muito profunda entre os termos dispostos no texto, o estudo do latim é especialmente adequado para treinar e dar forma à nossa inteligência, pois nos força ao movimento discursivo — a linguagem dá forma à inteligência.</p>



<p><em>“Certo… Mas precisa mesmo ser o latim?”</em>, algum leitor pode se questionar.</p>



<p><em>“Se o sujeito precisa de um instrumento para desenvolver sua capacidade discursiva e, assim, a sua inteligência, por que não simplesmente fazê-lo por meio de obras em língua portuguesa bem estruturadas e que contenham muitos períodos longos?</em>”&nbsp;</p>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><em>&#8230;não dá margem para compreensões superficiais ou subjetivismos…</em></strong></h2>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p></p>



<p>É aqui que entra o segundo motivo para que estudemos o Latim — e é algo muito simples: é muito útil fazer esse tipo de estudo a partir de uma língua estrangeira, pois isso evita qualquer comodidade que possamos ter em relação à nossa língua nativa.</p>



<p>Nós já somos tão acostumados com o nosso próprio idioma e com a maneira pela qual as coisas são ditas e escritas que, naturalmente, nossa atenção tende a ignorar detalhes por vezes essenciais. Já, no contato com uma língua estranha, somos obrigados a dar atenção a todos os elementos apresentados, tendo de empreender um trabalho, digamos, mais analítico, racional.</p>



<p>Como disse o professor Felipe Assis, na <em>live </em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iN4YahaWrEw&amp;t=4642s" target="_blank" rel="noopener"><em>Por que estudar latim</em></a>, a não familiaridade com a língua, obriga o estudante a lidar com os textos de forma mais racional e profunda, e não de uma maneira intuitiva e superficial que, conquanto seja útil para a vida cotidiana, muito limita o desenvolvimento da inteligência.&nbsp;</p>



<p>Veja, no estudo do português, nós começamos a perceber as estruturas racionais da língua, tanto na morfologia quanto na sintaxe, mas, invariavelmente, ficam elementos ainda escurecidos à nossa visão, os quais entendemos superficialmente, e, não poucas vezes, acabamos nos contentando com essa compreensão superficial, julgando-a suficiente.&nbsp;</p>



<p>Agora, com o latim, isso não é possível. Por sua própria estrutura, ele não dá margem para compreensões superficiais ou subjetivismos. Afinal, ele exige um trabalho tão singular que acaba por promover o desenvolvimento de uma verdadeira sensibilidade ou consciência linguística, isto é, a consciência da estrutura interna das frases, da construção e das partes do discurso.</p>



<p>Só que isso não é tudo. A algum leitor por ainda restar ao menos um questionamento:</p>



<p><em>“Mas, partindo desse princípio, isso não pode ser alcançado por meio de qualquer outro idioma estrangeiro?</em></p>



<p><em>Por que o meu entendimento acerca das partes do discurso, da construção periódica da língua e, portanto, do pensamento será mais robustecido estudando o latim e não outros idiomas?”</em></p>



<p>E mais:</p>



<p><em>“Se eu posso empreender esse mesmo estudo em um idioma que me seja útil, que eu possa utilizar para me comunicar com outras pessoas, por que fazer isso com essa, que, como dizem, é uma língua morta?”</em></p>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><em>…promove em nós uma significativa tomada de posse do nosso próprio idioma…</em></strong></h2>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p></p>



<p>Bem, apesar de todo o esquecimento programado a que nossa civilização foi submetida, ninguém pode esconder o fato de que essa é uma língua que faz parte de uma tradição da qual todos somos filhos.&nbsp;</p>



<p>A tradição intelectual e cultural do Ocidente, naquilo que ela tem de mais profundo e mais fundamental, está redigida e registrada em língua latina.</p>



<p>Por meio do seu estudo, temos acesso a inúmeras referências literárias e culturais que naturalmente têm um peso tremendo sobre a nossa cultura.&nbsp;</p>



<p>Além disso, por ser uma língua da qual a nossa foi originada, o latim promove em nós uma significativa tomada de posse do nosso próprio idioma, haja vista a morfologia e a etimologia das palavras no português que, em sua imensa, têm no latim sua origem.</p>



<p>Quando você incrementa o seu vocabulário do português a partir da consciência de que muitas daquelas palavras vieram do latim, você está acessando todo um tesouro de significados e relações que estão ligados à nossa tradição, à nossa língua-mãe e a todos os grandes homens do passado que dela alimentaram-se e dela fizeram uso para nos comunicar tudo aquilo que apreenderam da realidade.</p>



<p>Portanto, o estudo do latim não é somente essencial para o pleno desenvolvimento da inteligência, mas também para o integral e verdadeiro desenvolvimento humano de todo e qualquer indivíduo herdeiro dessa riquíssima tradição.</p>
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		<title>Hollywood: fábrica de sonhos ou de frustrações?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Jun 2024 19:42:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Hollywood foi a responsável por desenvolver uma linguagem cinematográfica com um poder imenso de sedução e fascínio. O que todos ignoram é que aquela que ficou conhecida como grande fábrica de sonhos é, na verdade, uma perversa fábrica de frustrações. __ “No futuro, todos serão mundialmente famosos por quinze minutos.” Essa frase, que apareceu pela [&#8230;]]]></description>
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<p>Hollywood foi a responsável por desenvolver uma linguagem cinematográfica com um poder imenso de sedução e fascínio. O que todos ignoram é que aquela que ficou conhecida como <em>grande fábrica de sonhos</em> é, na verdade, uma perversa fábrica de frustrações.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lh7-us.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXf1RWTTkYr-wrQkdViGxKIoaZUKrVb1isG0_jsyAGGgzmX1aHe_KOLdolqFPXTBZOLcn7BnKZtA08ri6ZZINIKteG24F9OwdyM9xKBBIwnd5vb2pLuwmvfk_kpPupJglDAjKj-kyagMhPANfGu_j_LJUHR8?key=_DGDFp7U_iTKpkBrwTZeXw" alt="Hollywood: a grande fábrica de sonhos"/></figure>



<p>__</p>



<p><em>“No futuro, todos serão mundialmente famosos por quinze minutos.”</em></p>



<p>Essa frase, que apareceu pela primeira vez em 1968, no catálogo de uma exposição artística de Andy Warhol, diretor de cinema e um dos fundadores da arte pop, muito parece uma profecia do que viriam a ser os tempos correntes.&nbsp;</p>



<p>Numa época em que foram abandonados os ideais mais elevados e a mediocridade é incentivada e glamourizada, <strong>é natural que todos desejem ter sobre si os holofotes e os olhares do mundo, como grandes modelos de uma sociedade decadente</strong>.</p>



<p>Ainda que muitos digam que a frase não foi originalmente cunhada por Warhol, ela, em diversos sentidos, <a href="https://www.phillips.com/article/56095372/editions-andy-warhol-prints-15-minutes-of-fame-auction" target="_blank" rel="noopener"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">sintetiza toda a sua estética</mark></a>. Para ele, os critérios determinantes de valores e temas a serem apreciados pelas massas seriam, um dia, dissipados, de modo que todos poderiam gozar, ainda que brevemente, da fama, até aqueles que em nada fossem dignos dela.</p>



<p>Seja como for, encontramos aí uma previsão muito acertada da sociedade contemporânea, <strong>uma sociedade do espetáculo, na qual o valor de cada indivíduo é determinado pelo número de olhos voltados para si</strong>.</p>



<p>Hoje, muito culpamos o advento da internet e a massificação das redes sociais por essa espécie de anseio geral aos holofotes, que leva tantos a perseguirem o sonho de ser objeto de contemplação para os outros, e que produz estrelas — cujo brilho é vazio e efêmero — na mesma velocidade em que as devolve ao anonimato.</p>



<p>Mas a verdade é que esse fenômeno que vemos em curso só pôde tornar-se assim tão absoluto porque as pessoas e a sociedade já vinham, há muito, sendo preparadas para isso. <strong>E a sua origem pode ser encontrada um século atrás.</strong></p>



<p>Logo após o advento da montagem cinematográfica, que permitiu a ligação de cenas e planos de gravação, não demorou para nascer, nos Estados Unidos, a tradição narrativa do cinema, a partir da qual, no início do século XX se desenvolveu <strong>a indústria hollywoodiana</strong> — <strong>a grande responsável por engendrar e perpetuar a cultura midiática do espetáculo.</strong></p>



<p>Hollywood, que, desde os seus primórdios, recebeu o epíteto de a grande <em>fábrica de sonhos</em>, tão logo surgiu, <a href="https://institutoborborema.com/2024/06/04/o-cinema-esta-morto/"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">conseguiu desenvolver em seus filmes uma linguagem</mark></a> com uma sofisticação tal que surpreendeu até seus próprios produtores, pois demonstrava, já de início, um imenso poder de sedução e fascínio sobre os espectadores, através de certos mecanismos psicológicos que ela mostrou-se capaz de colocar em ação. </p>



<p>__</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><em>…é assim que Hollywood intensifica em sua plateia o desejo de contemplar e de ser quem não se é de fato.</em></strong></h2>



<p>__</p>



<p>Um exemplo disso é o mecanismo de identificação do espectador com o protagonista, sobre o qual projeta seus desejos e angústias. Ou você nunca percebeu que, mesmo quando o protagonista de uma narrativa hollywoodiana apresenta características de uma imoralidade digna de um vilão, a tendência é que você se identifique com ele, torça por ele, sofra quando ele sofre, e se alegre quando se alegra?</p>



<p>Outro mecanismo que está em execução desde os primórdios de Hollywood se utiliza do seu estrategicamente concebido <em>star system</em>, que induz o público a idealizar a figura e a vida dos atores de cinema e seus personagens, elevando-os a ídolos que devem ser cultuados.</p>



<p>Agora, esses e outros artifícios só podem ser operados assim eficientemente graças à própria experiência cinematográfica, da qual a indústria soube bem como se aproveitar. Muitos dos grandes críticos ao modelo narrativo hollywoodiano já apontaram os perigos de se colocar o espectador em um sala onde a escuridão é quase total, com apenas uma pequena fonte de luz ao fundo que projeta imagens sobre uma superfície bidimensional, com a ilusão de movimento e de tridimensionalidade.</p>



<p>Vê-se aí uma situação muito propícia para que ele se desligue de si mesmo e se projete psiquicamente para a vida de um outro que observa na tela, passando, assim, a idealizar e fetichizar aquelas figuras.</p>



<p><strong>Executando tais mecanismos ao longo do tempo, a </strong><strong><em>fábrica de sonhos</em></strong><strong> intensifica, com notável eficiência, em sua platéia o desejo de ver e de ser quem não se é de fato. </strong>Afinal, conforme se idealiza as grandes estrelas e seus personagens, não demora para que se comece a desejar ser como eles são: mais bonitos, felizes, realizados e perfeitos.&nbsp;</p>



<p>Assim, se constrói a sensação de que o mundo cinematográfico é melhor e mais sedutor do que a realidade; a realidade inferior ao cinema. <strong>A partir disso, nasce no espectador a frustração para com a sua experiência de vida verdadeira</strong>, porque vê nela todas as limitações, imperfeições, defeitos e frustrações que, durante aquele período em que está assistindo a um filme, observando seus objetos de desejo e idealização, imerso naquele mundo perfeito de fantasia, simplesmente não existem.</p>



<p>Não tarda, portanto, a surgir nele o anseio por tornar-se também um daqueles objetos de contemplação. Ele passa a querer se ver lá também, a fazer parte desse mundo aperfeiçoado da imagem, o mundo que não possui as imperfeições e insatisfações da sua própria vida.</p>



<p>Não é exatamente isso que observamos em nossa sociedade? Não vivemos nós numa cultura do espetáculo, em que vigora a idéia de que só é bom o que aparece, o que é objeto de olhares, e o que não é visto não tem valor?</p>



<p>Para o indivíduo cuja percepção foi moldada por esses mecanismos, se ele vive uma experiência real, mas em pleno anonimato, sem transformar pedaços dessa experiência em imagens que serão projetadas para a sua própria contemplação e para a contemplação dos outros, é como se isso não fosse tão real assim.&nbsp;</p>



<p>As coisas parecem ganhar o status de realidade nessa projeção imagética que é, na verdade, aquilo que drena toda a realidade delas, porque, afinal, como já se tornou imagem, não é mais realidade mesma, não é a vida.</p>



<p><strong>Daí que a realidade seja a fonte de frustração para os viventes dessa sociedade.</strong></p>



<p>Veja, nos primórdios do cinema, havia ainda uma fronteira muito clara e bem delineada entre o espetáculo, a representação, e a vida real. O entretenimento ocorria em intervalos delimitados da vida, cujo tecido ainda não estava tão permeado pela espetacularização. Sim, as pessoas iam ao cinema, passavam por aquela experiência de identificação e de projeção de si mesmas sobre os protagonistas, mas depois voltavam para a sua própria vida.</p>



<p>Acontece que a indústria hollywoodiana, ao criar o cinema do espetáculo, passou a se utilizar de suas narrativas para potencializar a artificialidade daquela experiência, tornando a fronteira entre a realidade e o espetáculo cada vez mais dissipada, e encerrando o público num mundo à parte, “aperfeiçoado”, que o distancia da contemplação da própria estrutura da realidade e provoca toda essa dissonância e frustração ante o real, que agora é rejeitado.</p>



<p><strong>E é assim que a </strong><strong><em>grande fábrica de sonhos</em></strong><strong>, da qual pode-se dizer que surgiu aquele sonho generalizado pela fama e pela objetificação, fabrica quase nada além de ilusões e frustrações.&nbsp;</strong></p>



<p>Por essa razão, nós, do Instituto Borborema, decidimos apresentar ao nosso público um <strong>cinema que em tudo se distancia da artificialidade e da ilusão hollywoodiana</strong>, e convidamos o professor Rômulo Cyríaco, que é teórico de cinema, para conduzir um evento <strong>online</strong><strong> </strong>e <strong>gratuito</strong> com os professores Caio Perozzo e Maurício Machado.</p>



<p>O evento foi chamado <strong><em>Como entender cinema</em></strong>, e você pode saber mais sobre ele e participar gratuitamente, fazendo sua inscrição através do link: <a href="https://institutoborborema.com/como-entender-o-cinema"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-red-color">Como entender o Cinema</mark></strong></a>.</p>
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		<title>O cinema está morto?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Jun 2024 20:37:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Cinema moderno]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema narrativo]]></category>
		<category><![CDATA[Hollywood]]></category>
		<category><![CDATA[Morte do cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[O cinema pode ser uma arte e um instrumento de conhecimento, um meio de descoberta, mas é geralmente utilizado como uma prodigiosa máquina de propaganda e persuasão, que, cativando o espectador com seus poderosos meios de sedução e entretenimento, instala em sua alma uma série de desvios, violando completamente a sua liberdade. Não, o cinema [&#8230;]]]></description>
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<p>O cinema pode ser uma arte e um instrumento de conhecimento, um meio de descoberta, mas é geralmente utilizado como uma prodigiosa máquina de propaganda e persuasão, que, cativando o espectador com seus poderosos meios de sedução e entretenimento, instala em sua alma uma série de desvios, violando completamente a sua liberdade.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-1024x683.png" alt="" class="wp-image-52957" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-1024x683.png 1024w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-600x400.png 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-300x200.png 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-768x512.png 768w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image-360x240.png 360w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/image.png 1470w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Não, o cinema não está morto — mas bem que poderia.</p>



<p>Poucas não foram as vezes em que o cinema viu sua morte ser decretada ao longo da sua história.&nbsp;</p>



<p>Talvez a mais emblemática delas tenha se dado por volta dos anos 30, com a ascensão do cinema falado e o conseqüente abandono das produções mudas. Em seguida, com a popularização da televisão nos Estados Unidos durante os anos 50, as pessoas deixaram de depender das salas de cinema ao possuir suas próprias telas.&nbsp;</p>



<p>Independência, essa, que foi acentuada com o nascimento do gravador de vídeo e também do controle remoto, itens que concederam uma autonomia quase total aos espectadores, que agora já não estavam mais presos à programação das salas ou dos canais de TV.</p>



<p>Em decorrência desses eventos e tantos outros posteriores, o espectador foi paulatinamente retirado de uma posição passiva diante dos filmes e produções que o deixava “preso” a contemplar as imagens projetadas na tela, totalmente entregue ao que lhe era apresentado.</p>



<p>E foi da observação de cada uma das etapas desse processo que os figurões responsáveis pelos estúdios de Hollywood, cientes do progressivo ganho de autonomia do espectador, foram percebendo a necessidade de implementar adaptações estruturais na linguagem e na narrativa cinematográficas que eles mesmos haviam criado e exportado para o mundo, de modo a conservar o seu controle sobre a atenção do público.</p>



<p>Daí que em tantos momentos ao longo do tempo teóricos e cineastas, não reconhecendo mais a essência do cinema — cuja concepção parece variar nas diferentes mentes — nas grandes produções cinematográficas, tenham se revoltado contra essas mudanças e, algumas vezes, ido a público declarar a morte do cinema como conheciam.</p>



<p>Foi o que fez, por exemplo, David Lynch, considerado por muitos como um dos maiores diretores da história, que, em 2023, falou que os cinemas estavam chegando ao fim, que a arte e a escrita cinematográficas acabaram. <a href="https://www.theguardian.com/film/2023/apr/24/its-all-in-the-damn-history-books-david-lynch-rails-against-the-death-of-cinemas" target="_blank" rel="noopener">Numa entrevista à revista Cahiers du Cinema</a>, ele criticou o formato de produção e distribuição dos filmes nos <em>streamings</em> de vídeo, que, juntamente aos seriados, estão tirando o lugar do cinema.</p>



<p>O mesmo já tinha feito o famoso diretor Martin Scorsese em 2016, ao dizer, em diversas ocasiões, que o cinema que conhecia e com o qual cresceu está morto. Segundo ele, as produções atuais de Hollywood são apenas <a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/martin-scorsese-nao-assiste-filmes-atuais-as-imagens-nao-significam-mais-nada/" target="_blank" rel="noopener">sucessões de imagens</a> que não significam mais nada.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="675" src="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/scorsese.avif" alt="" class="wp-image-52958" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/scorsese.avif 1200w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/06/scorsese-350x197.avif 350w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /></figure>



<p>Além deles, muitos outros cineastas já deram como certa a morte do cinema, culpando, sobretudo, a superficialidade narrativa e a fraqueza de conteúdo dos filmes produzidos a toque de caixa para suprir exclusivamente demandas de mercado por entretenimento, como é o caso dos que ganham luz atualmente nos grandes estúdios e plataformas de <em>streaming</em>.</p>



<p>O que parecem ignorar, no entanto, é que os modelos padronizados de filmes que tanto criticam na contemporaneidade não são mais do que o resultado natural daquele processo “evolutivo” que descrevemos no início e se alimentam precisamente da mesma estrutura e linguagem cinematográfica de que eles fizeram e fazem uso na maioria de suas próprias obras e que, por meio delas, ajudaram a propagar.</p>



<p>Como dissemos, o modo hollywoodiano de fazer cinema foi estrategicamente construído para superar a progressiva autonomia do espectador e manter o controle da sua atenção, conservando sobre ela a sua primazia</p>



<p>Claro. Afinal, como Hollywood seria o que é hoje, se não tivesse encontrado meios de superar as cada vez mais variadas formas de entretenimento — ou de utilizá-las ao seu favor — para que o seu poder sobre a atenção e o interesse do público seja mantido?</p>



<p>E isso é feito de diversas maneiras, mas sobretudo pela própria estrutura narrativa e estética dos filmes, propositalmente construída para manipular o olhar e os sentimentos do espectador, produzindo nele constantes expectativas acerca do que será mostrado em seguida.</p>



<p>Daí que, no cinema hollywoodiano, a imagem seja sempre utilizada e tratada de modo que seu conteúdo seja reduzido à informação. Assim, cada plano, cada cena, contém uma informação que, isolada do restante, não tem sentido por si e precisa se encadear com as informações seguintes para fazer com que o mecanismo da história avance e a pessoa que assiste esteja sempre curiosa e exasperada em relação ao que há de se desenrolar.</p>



<p>Por isso, você nunca — ou, ao menos, quase nunca — tem a permissão de se deter em uma única imagem ou cena para contemplar o seu conteúdo, pois o que está ali só interessa como suporte instrumentalizado para transmitir a informação narrativa.</p>



<p>Você não se relaciona em profundidade com as imagens projetadas, mas apenas horizontalmente. O objetivo máximo e primordial de cada elemento é fazer com que você deseje a próxima imagem, a próxima cena, até o desfecho. Sua atenção não é estimulada a contemplar o que vê, vasculhar e encontrar algo dentro daquilo, pois é sempre precipitada para a frente, para a informação seguinte</p>



<p>Se, por essa descrição, você encontra alguma dificuldade em percebê-lo, nós propomos um experimento.&nbsp;</p>



<p>Da próxima vez em que for assistir a uma das mais badaladas produções hollywoodianas do momento, preste atenção em quantos cortes e mudanças de planos e enquadramento acontecem já nos primeiros minutos. Tente observar a quantidade absurda de informação narrativa que é despejada ante os seus olhos, sobre o perfil psicológico dos personagens, os conflitos que são estabelecidos e a consequente expectativa que é propositalmente gerada relativamente à sua resolução.</p>



<p>Depois, reflita se tudo não é montado para que você fique preso àquilo, numa profusão contínua de afetos e estímulos.</p>



<p>Nesse sentido, não é difícil entender por que entre os “cinéfilos” parece ter surgido uma cultura anti-<em>spoilers</em>. Afinal, assistir a um filme já não é uma experiência artística em que se pára para contemplar um registro ou uma expressão da realidade tecnicamente produzidos por um artista, mas uma mera exposição a um encadeamento frenético de imagens responsável quase unicamente por uma explosão dopaminérgica.</p>



<p>E se a alguém é revelado de antemão o desfecho ou algum fato crucial da narrativa, toda aquela cadeia de expectativas é violada e o transe tensional a que seria submetido, enfraquecido.</p>



<p>Fato é que todo cineasta tem um grande poder em suas mãos.&nbsp;</p>



<p>Por meio da manipulação, da qual já falamos, de imagens que refletem elementos da realidade, como ambientes, cenários e pessoas — sim, pois os atores, ainda que estejam encenando personagens fictícios, são pessoas reais —, ele pode retirar todas as informações que considere supérfluas ao andamento da narrativa, reduzindo tudo o que há de real ao mínimo necessário para o que o espectador receba apenas aquilo que é suficiente para o avançar do enredo.</p>



<p>E esse é um artifício utilizado à exaustão nos estúdios de Hollywood. Afinal, o importante é manter o espectador preso na narrativa, aprisionando sua atenção de modo a conduzi-la na direção que se pretende.</p>



<p>E é aqui que encontramos um problema ainda mais grave e profundo.</p>



<p>Uma das principais características do modelo cinematográfico criado pela indústria hollywoodiana é utilização de meios eficazes para a neutralização do conteúdo da realidade.&nbsp;</p>



<p>Assim, os cineastas determinam o que o espectador vê e percebe, de modo que veja não um evento do real, artisticamente registrado e comunicado, mas apenas o resultado de uma análise do próprio cineasta.</p>



<p>E como isso é feito a partir de imagens captadas da superfície real e sensível do mundo, muitos vislumbraram aí a possibilidade de se construir uma poderosíssima máquina ideológica, que, através das aparências da realidade, mostra uma interpretação do mundo como se fosse o próprio mundo.&nbsp;</p>



<p>Desse modo, os espectadores acabam sendo levados a aderir a visões de mundo sem se darem conta, de forma natural e espontânea. Afinal, as imagens dão a impressão de realidade, maquiando o elemento ideológico significante que há nelas.</p>



<p>Quebra-se a realidade em pedaços, joga-se fora o que é “supérfluo”, isto é, contrário a determinada tese ou concepção de mundo, e se mantém apenas os fragmentos que são passíveis de serem encadeados para produzir certos esquemas informativos e ideológicos.&nbsp;</p>



<p>E esse, basicamente, é o cinema hollywoodiano, cujos filmes tentam impactar a audiência não pela força da realidade, através de um registro dela e de sua comunicação, mas com a força de idéias. Assim, a mensagem ou a “moral” da obra surge tão somente por aqueles encadeamentos sucessivos de informações e abstrações, despidos da natureza bruta da realidade.</p>



<p>Desse modo, o cinema, que poderia ser uma arte ou um instrumento de conhecimento, um meio de descoberta, é majoritariamente utilizado como uma prodigiosa máquina de propaganda e persuasão que, cativando o espectador com seus poderosos meios de sedução e entretenimento, instala em sua alma uma série de desvios, violando completamente a sua liberdade.</p>



<p>Esse é um cinema que não está morto, mas bom seria que estivesse.</p>



<p>Diante de tudo isso, talvez alguém ainda argumente que o cinema não se reduz a Hollywood e que essa é uma realidade que não deve ser atribuída a todos os estúdios e realizadores. Acontece que, como dissemos, esse modelo, essa estrutura cinematográfica não só foi concebida e aplicada por lá, mas exportada para o mundo e tornou-se onipresente.</p>



<p>A verdade é que, hoje, a quase totalidade dos filmes são de Hollywood, ainda que não sejam feitos ali.</p>



<p>Mas há, sim, vivo ainda um cinema para além de Hollywood, para o qual não estão abertas as grandes salas ou as sessões de destaques dos mais famosos <em>streamings</em>. Ele existe, inspira e exala a realidade como ela é, sem ferramentas de manipulação da atenção e sem maquinações e falseamentos ideológicos.</p>



<p class="has-medium-font-size"><strong>Para falar sobre o assunto, convidamos os professores Rômulo Cyríaco, Caio Perozzo e Maurício Machado para um evento ONLINE E GRATUITO denominado &#8220;Como entender o cinema&#8221;. Saiba mais sobre o evento e faça sua inscrição gratuita no link: <a href="https://institutoborborema.com/como-entender-o-cinema">Como entender o Cinema</a>.</strong> </p>
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		<title>Pai X Professor: O que você precisa fazer a respeito da educação do seu filho?</title>
		<link>https://institutoborborema.com/2024/05/09/pai-x-professor-o-que-voce-precisa-fazer-a-respeito-da-educacao-do-seu-filho/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 May 2024 22:39:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Vivemos numa sociedade burguesa na qual as pessoas preferem pagar por serviços para que nunca tenham de se preocupar com aquilo. Assim também acontece com a educação dos filhos.&#160; ___ Em um dos nossos textos mais recentes (Qual é a responsabilidade dos pais na educação dos filhos?) refletimos acerca da freqüentemente negligenciada missão educacional dos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p></p>



<p>Vivemos numa sociedade burguesa na qual as pessoas preferem pagar por serviços para que nunca tenham de se preocupar com aquilo. Assim também acontece com a educação dos filhos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-7-1024x683.png" alt="" class="wp-image-52582" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-7-1024x683.png 1024w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-7-600x400.png 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-7-300x200.png 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-7-768x512.png 768w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-7-360x240.png 360w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-7.png 1470w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>___</p>



<p>Em um dos nossos textos mais recentes (<a href="https://institutoborborema.com/2024/05/09/qual-e-a-responsabilidade-dos-pais-na-educacao-dos-filhos/" data-type="link" data-id="https://institutoborborema.com/2024/05/09/qual-e-a-responsabilidade-dos-pais-na-educacao-dos-filhos/"><em>Qual é a responsabilidade dos pais na educação dos filhos?</em></a>) refletimos acerca da freqüentemente negligenciada missão educacional dos pais em relação aos filhos.</p>



<p>Como dissemos ali, ainda que muitos pais, em função de circunstâncias relativas a si mesmos ou ao próprio ordenamento das suas casas e famílias, não possam ou escolham deliberadamente não assumir a regência integral da educação das suas crianças, eles são, sempre e invariavelmente, educadores.</p>



<p>E a razão disso, também explicamos, é muito simples: é neles que os filhos têm a sua referência primeira e imediata, e encontram na observação dos seus hábitos, seus costumes, seu modo de vida, os elementos educacionais, formativos, mais primitivos.&nbsp;</p>



<p>Portanto, a educação da criança está, ao menos nos estágios iniciais do processo, muito mais em todo o panorama cotidiano de repetição de hábitos que formam em sua mente a sua concepção de vida.</p>



<p>Daí que a paternidade e a maternidade exijam, para que estejam em conformidade com a sua própria natureza, uma transformação de hábitos por parte dos pais, de modo que ofereçam à criança o ambiente e os instrumentos de que necessita para a sua plena formação.</p>



<p>Acontece que muitos são aqueles que não querem participar dessa transformação, pois, a despeito do amor que imaginam ter em plenitude para com seus filhos, não estão dispostos a sacrificar certos aspectos do seu estilo de vida, como desejos, prazeres e costumes.&nbsp;</p>



<p>Por isso, transferem para as mãos da escola ou do professor essa responsabilidade, como se, mesmo que, por milagre, a escola e o professor sejam os mais íntegros e bem intencionados, a permanência daquele pequeno ser humano num ambiente que, se não despreza, ignora totalmente a importância de hábitos humanos e ordenadores, como os estudos e a vida de oração, não fosse repercutir negativamente na construção da sua inteligência, do seu caráter, da sua personalidade.</p>



<p>E este é só o primeiro problema. Há ainda muitos outros.</p>



<p>Existe uma <em>live</em> no nosso canal do YouTube, com o título <a href="https://www.youtube.com/watch?v=CItRLupYbX8&amp;t=5453s" target="_blank" rel="noopener"><em>Professor não é prestador de serviço</em></a>, onde os professores Caio, Maurício e João Marcos falam, entre outras coisas, sobre a visão burguesa a respeito da educação.</p>



<p>Como eles demonstram, não é segredo que nós vivemos numa sociedade eminentemente burguesa, e uma das principais características disso é que as pessoas costumam contratar serviços para que não precisem preocupar-se com aquilo.</p>



<p>E não é assim que se pensa acerca da educação dos filhos?</p>



<p>Geralmente, quando uma pessoa contrata um professor ou coloca o filho numa escola é porque não deseja mais sequer ter que pensar no que vai ser do seu filho. Ela paga uma mensalidade cara para que ele tenha acesso ao que há de melhor em educação, garanta um futuro promissor e consiga “ser gente” um dia, correspondendo ao seu investimento. Tudo o que espera é ver boas notas e não receber reclamações.</p>



<p><em><strong>“Meu filho, eu coloquei você na melhor escola que eu posso. É lá que você vai aprender, que você vai se educar, que você vai se tornar gente…”</strong></em> — quem nunca ouviu algo parecido?</p>



<p>E, ainda que essas palavras não sejam ditas expressamente, o próprio contexto da relação casa-escola deixa seu conteúdo impresso na mente da criança. Assim, terceirizando completamente sua responsabilidade, sem perceber, o pai, que naturalmente é aquela referência primeira e imediata de que falamos, acaba transferindo isso para o professor e a escola.</p>



<blockquote class="wp-block-quote has-medium-font-size is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong><em>…você não precisa fazer grandes malabarismos para participar da educação do seu filho…</em></strong></p>
</blockquote>



<p>Agora, veja se o que vem a seguir não lhe parece familiar.</p>



<p>Inicialmente, tudo parece ir bem: a criança chega em casa demonstrando ter aprendido coisas novas, adquirido novas informações, às vezes até se expressando de maneira um pouco diferente, fazendo parecer que a coisa está funcionando. O menino está ficando “<em>sabido”</em>.</p>



<p>Com o passar do tempo, começam a surgir alguns comportamentos estranhos, repreensíveis, e os pais ficam se perguntando onde aquilo poderia ter sido aprendido: <em>“só pode ter sido na escola”</em>.</p>



<p>Daqui a pouco, aparecem pequenas insubordinações e questionamentos sutis à autoridade dos pais, que parecem ir se agravando.</p>



<p>Nessa situação, a maioria das pessoas tende a culpar os colegas das crianças, não é? Elas devem estar imitando o comportamento dos outros.&nbsp;</p>



<p>E se não for isso? E se, inconscientemente, elas estiverem obedecendo àquela transferência promovida por seus pais ao colocar o professor como sua principal referência?</p>



<p>Veja, isso é algo que até as famílias mais preocupadas com a perversão educacional tendem a ignorar.</p>



<p>É normal que as pessoas do nosso meio tenham muitas queixas contra a educação moderna, mas o seu principal objeto de repugnância costuma ser a doutrinação ideológica e a apresentação de certos comportamentos torpes, imorais.</p>



<p>Claro, essas coisas são de fato muito perigosas, mas há algo ainda mais perigoso.&nbsp;</p>



<p>Uma das coisas mais graves que se experiencia na escola é justamente aquela mais ignorada: a presença do professor enquanto modelo de vida humana. E mais grave e perigosa ainda quando os pais negligenciam o seu próprio papel na educação dos filhos e estabelecem, como dissemos, o professor como a referência principal, de autoridade e de vida mesmo, para eles.</p>



<p>Assim, inevitavelmente, a criança acaba, em razão da própria mecânica escolar e também da confirmação inconsciente dos pais, tomando o professor como seu maior modelo e ficando cada vez mais impermeável ao exemplo e às intervenções daqueles que lhe deram a vida.</p>



<p>E, então, como acontece muitas vezes, quando os pais percebem essa perda de autoridade e também do aspecto simbólico do que eles representam, não só ficam profundamente abalados, como acabam entrando numa espécie de guerra contra a escola.&nbsp;</p>



<p>Mas essa é uma luta desleal. Se a mecânica for mantida, não há como vencer. Afinal, a referência já foi dada: a criança aprendeu e se conformou com o fato estabelecido de que a escola é um lugar ao qual ela deve se submeter inteiramente, e o professor é o símbolo ao qual ela deve estar submetida.</p>



<p>Eis aí o resultado de se negligenciar, de se tentar transferir uma missão que é, por sua própria natureza, intransferível &#8211;<strong> e isso independe se seu filho é homeschooler ou frequenta a escola.</strong></p>



<p>Agora, há, sim, meios de recuperar o que foi perdido ou impedir que esse seja o desfecho de tudo, desde que, como dissemos no texto <em><a href="https://institutoborborema.com/2024/05/09/qual-e-a-responsabilidade-dos-pais-na-educacao-dos-filhos/" data-type="link" data-id="https://institutoborborema.com/2024/05/09/qual-e-a-responsabilidade-dos-pais-na-educacao-dos-filhos/">Qual a responsabilidade dos pais na educação dos filhos?</a></em>, os pais tomem consciência desta missão e busquem, com toda a sua força, com todo o seu amor, tornar-se o modelo daquilo que desejam para a criança.</p>



<p>E não há com o que se desesperar. Este não é um trabalho tão amedrontador quanto parece.</p>



<p>Nós tendemos sempre a pensar que devemos ter a capacidade técnica máxima para assumir certas responsabilidades e, ao mesmo tempo, sempre pensamos estar aquém dessas capacidades. E pode até ser que estejamos, pois essa é a tensão mesma da vida. Mas não podemos, por causa disso abrir mão do nosso dever — vimos as conseqüências disso.</p>



<p>Mas você não precisa fazer grandes malabarismos para participar da educação do seu filho. Basta, na verdade, que tenha o senso de responsabilidade de assumir este dever, que é seu e de mais ninguém, e trabalhar para resolver as suas próprias deficiências.</p>



<p>E o começo disso está justamente naquela transformação de hábitos da qual falamos no início e de que muitos não querem participar.</p>



<p>Tratamos do impacto que um professor pode ter na vida de uma criança. Mas qual não é, na alma dela, o impacto causado pela personalidade de um pai que demonstra amar as coisas mais importantes e elevadas — como a inteligência e a Verdade — , que se decide por elas e se dedica intensamente em função de alcançá-las?</p>
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		<title>Qual é a responsabilidade dos pais na educação dos filhos?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Instituto Borborema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 May 2024 22:29:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem Categoria]]></category>
		<category><![CDATA[blog]]></category>
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					<description><![CDATA[Muitos pais, por insegurança, negligência ou ignorância, acreditam que podem terceirizar completamente a educação dos seus filhos. Não sabem eles que possuem uma missão que não há como ser transferida. ___ Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abro­lhos?  Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos.  Uma árvore boa [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p></p>



<p>Muitos pais, por insegurança, negligência ou ignorância, acreditam que podem terceirizar completamente a educação dos seus filhos. Não sabem eles que possuem uma missão que não há como ser transferida.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-6-1024x576.png" alt="" class="wp-image-52579" srcset="https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-6-1024x576.png 1024w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-6-600x338.png 600w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-6-300x169.png 300w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-6-768x432.png 768w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-6-1536x864.png 1536w, https://institutoborborema.com/wp-content/uploads/2024/05/image-6.png 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p><strong>___</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote has-medium-font-size is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em><strong>Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abro­lhos? </strong></em></p>



<p><em><strong>Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos. </strong></em></p>



<p><em><strong>Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos. </strong></em></p>



<p><em><strong>Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo.</strong></em></p>



<p><em><strong>Pelos seus frutos os conhecereis.</strong></em></p>



<p><strong>(Evangelho de São Mateus 7, 16b-20)</strong></p>
</blockquote>



<p>Gostaríamos de abrir este texto dirigindo uma pergunta ao leitor — e, antes de seguir com a leitura, sem refletir muito, tente dar uma resposta sincera:&nbsp;</p>



<p><strong><em>O que você deseja para o futuro do seu filho?</em> <em>Que bens você espera que ele aspire? Que hábitos gostaria que ele cultivasse?</em></strong></p>



<p>Deixando de lado as respostas mais materialistas e utilitaristas que porventura possam surgir, nós sempre tendemos a imaginar coisas superlativas para o futuro das nossas crianças: a inteligência, a sabedoria, a santidade, a plenitude da personalidade, o desenvolvimento máximo das virtudes…</p>



<p>É natural e benéfico que seja assim, pois, afinal, se os amamos, como não haveríamos de desejar o que há de melhor para aqueles que colocamos no mundo?&nbsp;</p>



<p>Agora, o que estamos dispostos a fazer, investir e sacrificar por isso?</p>



<p><strong><a href="https://institutoborborema.com/2024/05/09/por-que-seu-filho-deve-ler-literatura-paga/" data-type="link" data-id="https://institutoborborema.com/2024/05/09/por-que-seu-filho-deve-ler-literatura-paga/">No último texto que publicamos</a>,</strong> falamos do grande números de pais de família que, por insegurança, temendo expor seus filhos a grandes riscos morais, vêm escolhendo um caminho educacional perigoso ao privar-lhes de instrumentos essenciais para o seu desenvolvimento. </p>



<p>Mas, além desses, há em maior número aqueles que, por um outro tipo de insegurança, ou simplesmente por negligência, ou ainda por pura ignorância, seguem um rumo muito mais perigoso e expõem suas crianças a riscos mais profundos.</p>



<p>Estamos falando dos pais que escolhem não participar da educação dos filhos, deixando-a inteiramente a cargo da escola ou de professores contratados — e é especialmente a eles que se dedica este texto.</p>



<p>Os primeiros, dos quais falamos no artigo anterior, pelo menos têm a consciência — mais ou menos clara — da missão que lhes cabe na formação da sua prole. O seu erro decorre, digamos assim, de um “excesso de cuidado”.</p>



<p>Já os outros, a quem nos referimos agora, erram justamente pela deficiência, às vezes absoluta, de cuidado, ao negligenciar ou ignorar um fato muito essencial: os pais têm uma missão educacional e formativa em relação às crianças.</p>



<p>E essa missão é impossível de ser transferida. Isso decorre de um princípio bastante simples que logo explicaremos.</p>



<p>Mas, antes que algum leitor desavisado se escandalize, certas coisas precisam ser esclarecidas.</p>



<p>Não ignoramos que as circunstâncias em lares distintos sejam igualmente distintas; e não temos intenção alguma de estabelecer regras ditatoriais, absolutas, sobre quem quer que seja.</p>



<p>Existem crianças e adolescentes em estágios mais avançados da educação, cujos pais, por diversas situações, não dispõem dos meios necessários para assumir integralmente a sua condução.</p>



<p>Não podemos negar também, sobretudo se considerarmos o modelo social dos nossos tempos, que certas exigências de trabalho e outras necessidades materiais obrigam muitas pessoas a passar boa parte do dia longe dos seus filhos, tendo de confiá-los a escolas, tutores etc.</p>



<p>Há ainda, reconhecemos, um sem-número de outras situações e circunstâncias a que diversas famílias estão submetidas e que limitam a presença dos pais na educação.</p>



<p>Acontece que, mesmo com tudo isso, não existe situação em que eles não sejam, em algum nível, educadores dos seus filhos.</p>



<p></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-medium-font-size"><strong><em>A função educacional dos pais não é meramente uma norma, mas um fato mesmo da realidade…</em></strong></p>
</blockquote>



<p>Educador é todo aquele que contribui para a formação de outra pessoa. E ninguém afeta mais, para o bem ou para o mal, a formação de uma criança do que os seus pais. E esses são sempre e invariavelmente educadores em razão da sua posição enquanto referência primeira e imediata.</p>



<p>Que pai e que mãe nunca foram surpreendidos e se divertiram com a imagem de um pequeno imitando desajeitadamente seus trejeitos, suas falas e movimentos?&nbsp; Isso é natural porque a criança encontra neles a primeira figura positiva a ser seguida, o primeiro objeto de admiração.</p>



<p>E ela sempre é levada a repetir, ao menos em grande parte, tudo aquilo que eles lhe mostram.</p>



<p>Justamente por isso, mesmo que você imagine estar livre da sua participação na educação dos seus filhos ao terceirizá-la, você, ainda assim, continuará educando-a.</p>



<p>Como disse o Professor Marcelo Gonzaga, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=dc9n2kvOS-E" target="_blank" rel="noopener">na palestra <em>O verdadeiro dever dos pais</em></a>, ministrada para o nosso canal do YouTube, não existe circunstância em que você não esteja educando seus filhos: ou está educando bem ou está educando mal. Não há vácuo aqui.&nbsp;</p>



<p>Com você, a partir do que você demonstra, ela vai aprendendo o que tem valor e o que não tem, o que é importante e essencial para si e o que não é.&nbsp;</p>



<p>Se, por exemplo, o pai deseja que a criança tenha apreço pela leitura, que se dedique nos estudos, mas não é ele mesmo um modelo dessa dedicação, o que você acha que ela vai seguir?&nbsp;</p>



<p>Ela obedecerá a um comando verbal para que leia, para que estude, ou ao exemplo que observa em ato cotidianamente?</p>



<p>Se você não se preocupa com os estudos, se não se esforça por desenvolver aquilo que lhe é mais essencial, é isto que você está ensinando: aquilo não é importante.</p>



<p>O mesmo acontece com a vida moral e espiritual. A criança aprende e tende a repetir, de diferentes formas, os hábitos dos pais.</p>



<p>A função educacional dos pais não é meramente uma norma, mas um fato mesmo da realidade. E não há como escapar disso.</p>



<p>A partir do momento em que eles aceitam essa realidade e decidem se comprometer com ela, buscando corrigir as próprias deficiências para que possam tornar-se exemplos dignos de serem seguidos, todo o ambiente em que a criança está inserida começa a tomar uma nova forma — uma mais íntegra, harmoniosa, ordenada —, e, assim, ela será arrastada para práticas mais benéficas e humanizantes.</p>



<p>Do contrário, de nada adianta você desejar todos aqueles bens superlativos de que falamos no início, pois a criança não encontrará neles valor algum.</p>



<p>E, caso ela encontre, caso, independente de você, ela consiga ser despertada para os bens superiores e se decida por persegui-los, ela verá clarificada, estampada em você a sua miséria.</p>



<p>Se você vive uma vida medíocre, alimenta interesses dos mais baixos e, ainda assim, deseja que o seu filho seja um sábio, um erudito ou um santo, se ele de fato alcançar isso, a primeira coisa que perceberá é toda a mediocridade daquele que deveria ser seu modelo.</p>



<p>Não é melhor, então, em primeiro lugar, buscar com toda a sua força, com todo o seu amor, ser o modelo daquilo que espera que ele se torne?</p>
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