Você não terá nada e será feliz

Você não terá nada e será feliz: Os verdadeiros inimigos da propriedade privada

Há alguns anos, o Fórum Econômico Mundial lançou uma campanha com previsões para o ano de 2030. Entre elas, está a de que nós não vamos possuir nada e, ainda assim, seremos felizes. Trata-se realmente de uma previsão ou de um plano de ação? De onde vêm essa idéia? Em que ela se baseia? Qual é a relação disso com o sistema bancário moderno? Como não faltam muitos anos para que possamos verificar essas previsões, é importante que saibamos com o que estamos lidando.

Como você imagina que está a sua vida em 2030?

Bem… Talvez nem precise imaginar. Parece que alguém já definiu isso por você:

Você não terá nada e será feliz.

É provável que você conheça a frase em tom de ameaça acima, que bem poderia ter sido retirada de uma obra distópica. Ela é a primeira de oito previsões do Fórum Econômico Mundial para o ano de 2030, que foram lançadas num vídeo de 2016. E é também o slogan da campanha.

(Banner de abertura da campanha Você não terá nada. E você será feliz.)

Se essa “previsão” de que nós não teremos nada e seremos felizes faz parte de um plano em execução ou é um decreto antecipado, ainda não sabemos. Mas se podemos ter certeza de algo, é que ela certamente é uma revelação tardia da lógica intrínseca do sistema bancário moderno.

Que lógica é essa?, você pode perguntar. Em que ela consiste?

Basicamente, que se transforme toda a riqueza real e produtiva do mundo numa grande, crescente e insaciável dívida.

E não só isso: que todos nós, que não fazemos parte da elite financeira reunida em Davos, tenhamos a nossa própria cota e sejamos condenados a entregar tudo o que temos na tentativa de saciar esse monstro usurário, cuja fome aumenta à medida em que é alimentado.

Nós costumamos não raciocinar sobre isso — o que é uma das regras para que o jogo funcione —, mas há um paradoxo sistemático no modelo financeiro global.

O sistema bancário moderno é altamente inflacionário, mas, ao mesmo tempo, carece de moeda. Ou seja, a quantidade de moeda circulante na economia é sempre inferior aos valores que as pessoas devem aos bancos.

E o seu elemento de estabilidade é baseado tão somente no endividamento progressivo, de forma que as dívidas de uma geração, de uma rodada de endividamento, só possam ser pagas se as próximas assumirem dívidas ainda maiores.

Mas como o endividamento crescente de toda uma população pode constituir um fator de estabilidade da ordem social e econômica? Está aí o paradoxo absurdo do sistema ao qual estamos submetidos.

Daí que se preveja (ou se planeje?) que até 2030 nós não teremos nada.

Afinal, toda a riqueza real que há no mundo deverá ser utilizada como garantia de empréstimos para endividar cada vez mais as pessoas.

(Imagem do filme Joker, Todd Phillips (2019). )

Nesse processo, quando chegarmos a um pico de endividamento — e esse é o plano, não duvide —, haverá um colapso financeiro gigantesco e um volume monstruoso de execuções de dívidas, que não é mais do que o próprio sistema financeiro arrancando tudo o que é nosso.

Se prestarmos a devida atenção, veremos que há, sim, uma guerra profunda contra a propriedade privada, mas ela não é travada realmente pelo comunismo, e sim pelo sistema financeiro.

Daí que a ideologia marxista tenha se tornado não mais do que um instrumento do sistema financeiro para atacar a sociedade como um todo e destruir qualquer resquício de estrutura social que não esteja submetida plenamente a ele e às grandes corporações que o dominam.

Se o plano der certo — como já está dando —, de fato, não teremos nada…

E ainda seremos obrigados a ser felizes.

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